Ponto Vermelho
Mais uma golpada?
9 de Fevereiro de 2013
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Os novos desenvolvimentos relativos ao erro administativo cometido pela estrutura infalível azul e branca com a irregular utilização de 3 jogadores da equipa B, parecem indiciar que está em preparação mais uma golpada à velha moda pintista. Com efeito, depois do chumbo inequívoco da Comissão de Instrução e Inquéritos sobre a pseudo-argumentação portista, eis que foram encetados esforços junto do relator do processo do CD que parece ter ficado sensibilizado e impressionado com a capacidade argumentativa apresentada pelos azuis e brancos, pelo que, passou a ser de facto possível, como tantas vezes já sucedeu, que venha a ser dado provimento pela Comissão de Multas ao recurso azul e branco.

Já todos percebemos que os indícios apontam para mais uma golpada em gestação. Houve ou não erro do FC Porto? Houve! Verificou-se ou não utilização irregular de jogadores em que não foi respeitada a regra das 72h? Verificou-se! Então se esses factos estão devidamente comprovados porque se continua a falar do assunto evocando novos dados? Se tal também ocorreu com o SC Braga, por que razão idênticos factos foram decididos em tempo que pode ser considerado um recorde decisório? Ou será que tem a ver com a cor das camisolas e da respectiva influência? Haverá alguma razão objectiva que nos esteja a escapar para que António Salvador tenha aceite tão passivamente a decisão e continue calado perante este desfilar de despautérios argumentativos do FC Porto? Ou será ainda que as decisões são tomadas em função dos interesses em circulação?

Esta sequência de acontecimentos alertou muita gente para a necessidade de não permitir através do silêncio que se continuem a decidir casos na justiça desportiva com dualidade de critérios por vezes gritantes. Será conveniente que os doutos membros do Conselho de Disciplina da FPF enxerguem de uma vez por todas que o tempo dos xitos já acabou há muito e que não continuarão a ser expectantemente toleradas decisões lesivas dos interesses do nosso futebol e da verdade desportiva. A opinião pública reclama insistentemente que haja transparência e que para os mesmos casos sejam tomadas decisões similares. Só assim transparecerá o sentido de justiça equitativo que deve presidir a qualquer caso, e não que através de manipulações ou expedientes jurídicos se abastardem leis e regulamentos em função do peso ou da influência dos clubes em causa. Doa a quem doer.

A opinião pública desportiva está a acompanhar com vivo interesse o caso e continua a interrogar-se sobre a razão da Comissão de Multas não ter dedicado uma palavra ao adiamento do jogo do Bonfim e à realização do encontro fora dos prazos regulamentares e sobre isso tenha caído o manto do silêncio da Liga e da Federação. Continuamos pendentes de uma simples explicação para finalmente podermos perceber as razões que conduziram aquela solução que configura, até provas em contrário, uma situação em que os regulamentos não foram cumpridos. E também se interroga do porquê da coincidência de em ambos os casos estar envolvido o FC Porto o que, tendo em conta o passado, mais suspeições levanta. E para que possamos acreditar no futebol e ir aos estádios sem pruridos, não podemos viver rodeados de suspeitas de manipulações e de ficar com a sensação próxima da certeza, que os azuis e brancos conseguem influenciar os órgãos decisórios. Ou será que a Comissão de Instrução e Inquéritos vive, ainda, num mundo à parte?

Os próximos tempos prometem trazer novidades e como não podia deixar de ser decisões complicadas tendo en conta o enquadramento. Pede-se e exige-se que nas decisões a tomar pelo CD da FPF haja, para além do suporte jurídico que acompanha as decisões, bom senso e vontade inequívoca de demonstrar perante a opinião pública que não existem dois pesos e duas medidas. Porque o assunto da irregularidade na utilização de jogadores portistas não pode nem deve ser considerado de uma forma isolada, mas em equação com o outro caso verificado dos bracarenses e que parece não ter levantado qualquer dúvida nos doutos conselheiros atendendo à celeridade da decisão.

Caminhamos para uma fase competitiva complicada em particular das duas principais equipas, através de jogos em catadupa quer para as competições internas quer para a Europa. Por esse motivo não deveria haver quaisquer aspectos colaterais que pudessem de algum modo ensombrar ou influir no normal desenvolvimento da sua actividade e prejudicar o seu esforço de concentração agora mais necessário do que nunca. Sabe-se que o futebol portoguês tem sido incapaz de viver na acalmia e na tranquilidade, pois onde permanecem golpistas é impossível que tal venha a suceder. É pois altura das entidades a quem compete gerir, analisar e decidir, não embarcarem em expedientes jurídicos duvidosos e cumprirem de uma maneira assertiva o mandato para que foram eleitos. Para isso, é vital que nas decisões que vierem a tomar (sejam elas quais forem) possam explicar cabalmente o porquê da interpretação quiçá díspar dos regulamentos. Ou será que estão assim tão cheios de alçapões?...








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