Ponto Vermelho
Desconversemos um pouco
29 de Março de 2016
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1. No nosso simples e humilde entender, o recente slogan promovido pela BTV "Não sejas Inácio" terá sido, porventura, uma das campanhas mais bem conseguidas dos últimos tempos. Porque tem piada, não é ofensivo, e consegue ilustrar bem o clássico português que não deu por o tempo passar persistindo viver num tempo que já não existe, porquanto a dinâmica evolutiva da vida e da sociedade do conhecimento andaram demasiado depressa para essa postura e maneira de ser há muito ultrapassada. Existe, de facto, ainda muita gente nesse patamar, não sendo uma crítica malévola mas apenas e só uma constatação.

2. A exemplo de Inácio "cidadão do Alto Pina" fiel à sua genuina autenticidade, também nós ainda que certamente noutro plano bem mais simples, vivémos uma experiência com contornos parecidos. Noutro bairro, não menos verdadeiro e autêntico e contendo todas as experiências, vicissitudes e formas evolutivas da época, que fazem com que tudo isso nos marque de forma indelével para todo o sempre. Todavia, a nossa personalidade, o desejo do conhecimento e a ânsia de viver, passaram depois a influenciar e a determinar o nosso trajecto futuro e a nossa afirmação no contexto da sociedade.

3. Desportivamente falando e aparte a projecção que cada um possa atingir, todos somos livres de assumir, naturalmente, uma determinada opção clubística. De forma livre mas também responsável, para que não caiamos naquele lugar do café do bairro onde se pode discutir livremente até com os excessos próprios do meio, todas as matérias sem que daí venha o mínimo mal ao Mundo. Estamos entre amigos e conhecidos e isso é mais do que suficiente para que possamos estar à vontade e manifestar às vezes de forma acalorada tudo o que nos vai na alma sem contenções de linguagem. Porque o raio de acção e divulgação da fraseologia e do conteúdo utilizado é assaz limitado e sem consequências de maior.

4. No entanto, se por razões que derivam do nosso mérito e da nossa projecção pessoal atingimos patamares de relevo onde a exposição pública passa a ser frequente e acabamos por nos transformar em figuras públicas, torna-se obrigatório que reflictamos, pois aquilo que doravante dizemos e fazemos, passa a ter outro alcance mediático que ultrapassa em larguíssima escala tudo aquilo que dantes dizíamos em círculos restrictos. Esta transição que surge por vezes com demasiada rapidez, faz com que nem sempre estejamos preparados para o devir. Daí que surjam atitudes e comportamentos desviantes que só surpreendem aqueles que não estão preparados. É por isso que, por aí, proliferam demasiados "Inácios". De todas as estirpes…

5. Há um conhecido director de jornal que, por conhecer e interiorizar bem este tema, tende a relativizar as diatribes dos vários "Inácios" que por aí circulam, alguns com especiais responsabilidades. A franqueza e a ausência de hipocrisia constitui um binómio que se o desligarmos da conjuntura e do impacto público parece, sem dúvida, um caminho a seguir pelos humanos. Todavia, as coisas não são assim tão simples pois se exercidas com demasiada objectividade e frieza, podem transformar-se em enormes fontes de conflito que se agrava de forma substancial devido ao carácter público que assumem.

6. Se as sociedades não se devem edificar com hipocrisia, afigura-se-nos evidente que há que encontrar um equilíbrio na forma como os diversos intervenientes se exprimem em termos públicos. Enveredar por ataques descontrolados aos outros como forma de os denegrir e arrastar para a lama recorrendo a fraseologia de cordel, mesmo que lhes possa assistir eventualmente alguma substância, não será certamente o caminho mais indicado. Passar esponjas sobre os excessos destes "Inácios" com o argumento que dão caixas ou que assim ninguém os poderá acusar de hipocrisia ou falta de franqueza, não contribui certamente para uma melhor verdade dos factos e para a saudável harmonia no trajecto que todos deveriam seguir dentro do princípio da diversidade e da aceitação de opiniões em qualquer sociedade que se preze…








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