Ponto Vermelho
Caminho promissor…
1 de Abril de 2016
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Portugal concluiu com um êxito o segundo dos jogos de preparação que tinha agendado para este período. Muito embora o aspecto desportivo estivesse, à partida, desvalorizado pelas incidências que antecederam o desafio, a realidade é que, depois de uma noite pouco feliz com uma Selecção classificada na 70.ª posição do ranking FIFA, conseguiu uma vitória sobre a Bélgica que ocupava o 1.º posto da mesma classificação. Posto isto, não se deve enfatizar demasiado a derrota com a Bulgária nem a vitória sobre os belgas. Ambas em circunstâncias especiais (mais a segunda do que a primeira), a que se junta o facto de serem jogos de preparação. Importantes, sem dúvida, para aferir o estado evolutivo dos jogadores seleccionáveis, mas somente isso.

O país e o nosso povo souberam, mais uma vez, ser solidários. As circunstâncias emocionais que rodearam o encontro com a Bélgica tiveram pontos de convergência em todos os sectores e até a presença das principais autoridades lusas concorreu para a solidariedade que se impunha face a uma ameaça real que nos últimos tempos tem tentado paralizar ou condicionar todas as manifestações públicas de massas. Tudo acabou por ser consensual e as habituais línguas viperinas que noutra altura se teriam afadigado a encontrar argumentos de crítica feroz e impiedosa, desta vez fizeram o favor de se terem remetido ao silêncio, senão mesmo ao aplauso tímido e envergonhado…

A insistência num modelo de jogo que privilegia dois avançados móveis em detrimento de um ponta-de-lança fixo que objectivamente não temos neste momento, parece ter ficado aprovado. É certo que se trata de dois atletas de elevada craveira apoiados por um meio-campo e defesas laterais activos e dinâmicos, mas a quantidade de oportunidades flagrantes de golo criadas, levam-nos a concluir que para já, o sistema parece estar a resultar, a despeito de o índice de concretização necessitar de afinação, porque no Europeu não irão surgir com tal profusão.

A natureza dos adversários na fase de grupos é diferente da realidade que tivémos de enfrentar nas duas partidas disputadas. Provavelmente mais próximas da Bulgária ainda que com maior grau de dificuldades, e inferiores à Selecção belga desfalcada de alguns dos seus elementos e ainda sob os efeitos de uma carga emocional inevitável. De nada vale fazer futurologia, porquanto a capacidade de surpresa sempre inerente a um jogo de futebol é de molde a que tenhamos que admitir que tudo pode acontecer. No entanto, no plano teórico e admitindo que tudo se desenrolará dentro dos princípios da lógica mesmo que falível, é indiscutível que Portugal pode e deve sair vitorioso do grupo que lhe calhou em sorte.

Apesar das perspectivas favoráveis que derivaram do jogo de 3.ª feira à noite, que mal pareceria se não houvessem os tradicionais puxa saco em que não foi propriamente a Selecção que jogou mas tão somente um naipe de jogadores cujas exibições até foram diferenciadas em função da côr clubística. Mais uma vez o diário da verdade a que temos direito tomou a vanguarda nesse particular, deixando implícito que a vitória da Selecção se ficou a dever apenas e só a uma escola de formação, muito embora a projecção e a substância de alguns dos futebolistas tenha sido desenvolvida noutras paragens. A tremenda necessidade de se colocarem em bicos de pés é um facto de todos os dias a que não é alheio um evidente complexo de menoridade.

Posto isto fica-se a aguardar pela lista definitiva dos 23. Tal como tem vindo a acontecer de forma regular, é natural que o jogo das cunhas e da pressão sobre o Seleccionador prossiga com mais intensidade à medida que se aproxime a data em que a convocatória será divulgada. Não com intuito de beneficiar a Selecção, mas tão somente para que os jogadores preferidos do nosso clube possam ter a primazia nas escolhas do seleccionador. O que nos vale para distrair é que as diferentes provas entram todas na fase decisiva e aí passam a prevalecer outros interesses nomeadamente o sector da arbitragem que, finalmente, teve o descanso que há tanto merecia…

Nota 1: Hoje, temos mais uma final com o SC Braga em que o grau teórico de dificuldade é elevado. Nada que deva distrair o Benfica da sua programação, i.e., de só estar concentrado nele por se tratar do jogo imediato e, como tal, o mais importante. Tudo o resto, por mais fundamental que possa ser, pode esperar…
Nota 2: O mês de Março foi terrível em desaparecimentos de grande figuras do desporto. Desta vez coube ao "Magriço" Fernando Mendes que a infelicidade tirou do Mundial de 1966. Os grandes atletas devem merecer sempre o reconhecimento de todos. Aparte a côr da camisola!








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