Ponto Vermelho
Seguidismo…
4 de Abril de 2016.
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1. Quem teve a oportunidade de ler, no Sábado, no Record, o artigo de José António Saraiva (JAS) actual Conselheiro Editorial do “Sol” deve ter sentido dificuldades em reprimir um rasgado sorriso e muito mais ainda evitar uma sonora gargalhada. Excepto se se chamar José Manuel Freitas ou derivados, ou perfilhar ainda, as teses seguidistas e bajuladoras que dão Jorge Jesus como o último treinador capaz à face da Terra. Por norma há limites para quase tudo, mas neste caso, com estas personagens, fica a sensação para não dizer a quase certeza, que para além dele apenas e só um terrível vazio de ideias técnicas ou tácticas que fazem com que seja obrigatório copiar os seus métodos inovadores e infalíveis…

2. É indiscutível que Jesus ocupa, desde há 7 anos, um lugar especial no panorama do futebol nacional, apesar de nessa altura já ter 53 anos e mais de duas décadas como treinador. As conclusões são óbvias e factuais; qual a razão e o motivo que fizeram com que Jesus, durante esse longo período, andasse afastado da ribalta mediática de que ele tanto gosta? Terá sido o azar? A marginalização? A ausência de empresários capazes? A falta de seguidores no mundo dos media? A incapacidade de gerar resultados condizentes com a sua ambição? A distracção dos clubes do topo?

3. Uma boa questão para os aduladores e estudiosos responderem, embora se possam multiplicar as explicações consoante sejam fanáticos seguidores, simples admiradores, defensores de interesses, analistas ao sabor das ondas ou, no outro polo, os que reconhecendo-lhes méritos e virtudes não compactuam com a sua maneira de ser em que a prosápia está sempre presente, e o eu prevalece sempre sobre o nós numa modalidade colectiva. Uma característica, aliás, muito peculiar de habitantes dos bairros lisboetas dos anos cinquenta e sessenta…

4. Incluímo-nos no grupo daqueles que tentam analisar o ser humano na sua pluralidade e não apenas numa das vertentes, seja ela positiva ou negativa, com a natural falibilidade que cada opinião encerra. Reconhecemos em Jorge Jesus, como em qualquer ser humano, méritos e defeitos. Mas a partir do momento em que se adquire o estatuto de figura pública o grau de exigência tem que ser necessariamente gradativo e mais exigente, na medida em que das suas atitudes e comportamentos derivam factos que acabam por, de uma forma ou de outra, influenciar as massas nos dois sentidos, em particular quando estamos a falar de futebol e de qualquer um dos grandes clubes nacionais.

5. Acresce que, do nosso ponto de vista até já expendido noutras ocasiões, o treinador da equipa de futebol de um clube grande (tal como o presidente), têm que ter preparação suficiente para que a sua comunicação seja incisiva e não se banalize, sabendo-se que é praticamente impossível estarem sempre bem em todo o tempo. A proliferação de comunicações semanais impostas ao treinador ainda reforça mais essa ideia, se considerarmos que alguns profissionais de comunicação tendem a abastardar cada momento na expectativa (óbvia) de conseguirem alguma cacha inesperada, uma vez que a precariedade de emprego no sector também fomenta esse desiderato. Não restam todavia quaisquer dúvidas que Jesus está mesmo muito longe de se enquadrar nesses parâmetros, mesmo que reduzamos o grau de exigência…

6. Mas voltando ao seguidismo do articulista mencionado no início, não deixa de ser assaz curioso a forma sistemática como tenta contrariar a lei das impossibilidades, sendo que, contudo, há limites que não deverão ser ultrapassados sob pena das opiniões se auto-descridibilizarem. Argumentar, convictamente, "que Jesus está a mudar o futebol português” é, por maior respeito que tenhamos, uma teoria estapafúrdia, na medida em que todos, cada qual a seu modo, o estão a fazer. A menos que estejamos a falar de fanfarronice, banalidades, grosseirices ou de ruído desproporcionado.

7. Mas, qual cereja no topo do bolo, JAS na ânsia incontrolada de promover Jesus a um patamar onde ele provavelmente, nunca haverá de chegar, não resiste a passar um atestado de menoridade ao Seleccionador Fernando Santos e ao treinador encarnado Rui Vitória que, segundo ele, só estão a atingir objectivos porque adoptaram o sistema perfilhado por Jorge Jesus de 2 avançados móveis (isto, claro, admitindo que Mitroglou é móvel…). Subsiste, no entanto, uma questão curial: se assim é, se como repetidamente tem afirmado que o plantel do Sporting é superior ao do Benfica e aquele abdicou das provas europeias para se concentrar num único objectivo, qual a razão porque o actual Clube de Jesus não comanda, destacadíssimo, o campeonato? Ah, deve ser por certo devido à sorte e às arbitragens. Do Facebook não será certamente...






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