Ponto Vermelho
A contradição de ‘crescer’ inviezado…
7 de Abril de 2016
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1. Portugal é, no papel, um Estado de Direito democrático. A constituição que nos rege no Capítulo dos Direitos, Liberdades e Garantias, consagra os limites até onde qualquer cidadão pode ir na manifestação da liberdade pessoal e no direito de crítica aos outros, seja qual foi o sector da sociedade em que se encontre inserido. É contudo inegável vermos com regularidade essas liberdades e esses direitos serem largamente ultrapassados a todos os níveis, a começar por quem com a responsabilidade acrescida de ser figura pública, deveria dar o mote para que não se entrasse no exagero de qualquer cidadão copiar esses destemperos e esses maus exemplos.

2. Como isso nunca foi respeitado e os guardiões do templo têm demonstrado alheamento e uma quase total inoperância, passou a ser normal ouvirmos e lermos com frequência desrespeitos sistemáticos, com a utilização de fraseologia imprópria e inadequada no dia a dia, seja qual for o tabuleiro a que nos estejamos a referir. No futebol, com o argumento de que se trata de um desporto de emoções e paixões o som sobe exponencialmente, com a Liga, a Federação, o M.P. e em última instância a tutela governamental a fingirem que não é nada com eles, só agindo quando o tema atinge irreversível clamor público, ou quando não lhes resta alternativa senão intervir.

3. Tem sido assim ao longo das últimas 3 décadas e continua apesar de algumas débeis mudanças, porque a vertente principal – a da mentalidade –, permaneceu quase imutável, ou não continuassem no poder ou com influência muitos dos mesmos protagonistas. E alguns dos novos, por deficiente preparação, desejo de protagonismo, fraco coeficiente de inteligência ou porque não conseguiram evoluir o suficiente para olhar o meio com outros olhos, estão, como parece por demais evidente, a seguir a velha cartilha que deu cartas no passado mas que é deveras duvidoso que assegure no presente resultados similares. Contudo, isso contribui para a crispação permanente alimentada de forma perene por alguma comunicação social de que é exemplo a capa de hoje do diário Record.

4. Poder-se-á dizer que todos já percebémos há muito as razões que estão por detrás dessas pífias estratégias. Mas isso não justifica que se prossiga numa escalada de violência verbal e escrita, de torpes insinuações e de levantamento de suspeitas infundadas que só surgem em momentos de desespero e quando se vê os objectivos tão enfatizados à massa adepta e aos críticos recentemente convertidos à causa, irem-se desmoronando one by one. Sem hipóteses de remissão depois da promessa tão propagandeada de ser possível por golpes de mágica de ter sol na eira e chuva no nabal.

5. Sem insistir em pormenores que nos deixariam exaustos e enjoados, é indubitável que o actual presidente do Sporting e todos os seus fiéis escudeiros desde há muito que ultrapassaram os limites, seja qual for o parâmetro de observação porque optemos. Os dirigentes do Benfica têm optado, e bem, por muita contenção e pelo silêncio (embora para a generalidade dos palradores e dos media) a questão seja medida pela mesma bitola. A isso se deve, em grandíssima parte, a situação não ter descambado para níveis incontroláveis. Deveria caber portanto às instâncias competentes já terem agido há muito na defesa do futebol e da sociedade em si mesma, antecipando aquilo que se poderá vir a transformar numa catástrofe de dimensões imprevisíveis. Mas, pelo que se vê, tudo permanece tranquilo como se nada lhes dissesse respeito…

6. O que mais nos deixa estupefactos é a ligeireza com que alguns comissários de serviço do tipo do Director-Geral do Futebol do Sporting de que existem várias réplicas em Alvalade e na comunicação social, enveredem pelos vamos contar mentiras e por doses maciças de propaganda sem qualquer suporte, pondo em causa tudo e todos na esperança de conseguirem adulterar ou inverter o rumo inexorável da história. Que não se fez nem se fará com gente pequena que nunca consegue reconhecer a voz do dono. Por mais que estrebuche…








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