Ponto Vermelho
O 1 de Abril chegou atrasado este ano…
9 de Abril de 2016
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1. Quando pensamos ter atingido o limite do ridículo e da desfaçatez na sociedade portuguesa em geral e no desporto e no futebol em particular, eis que surge sempre alguém que consegue (ainda) ser original, com decisões que ultrapassam qualquer limite imposto como mínimo do bom senso. A decisão do Conselho de Disciplina (C.D.) relativa ao tão propalado caso Slimani é um verdadeiro atentado ao futebol e, sobretudo, à justiça que, mais uma vez, foi atropelada sem dó nem piedade…

2. Embora seja malhar em ferro frio, nunca é demais sublinhar a forma ligeira, superficial e até de alguma forma irresponsável como estes casos são tratados e decididos. Poderá parecer, à primeira vista para quem possa estar desatento, que a demora que é a imagem de marca da justiça no seu todo e na desportiva que é a que nos interessa agora, pode eventualmente ser sinónimo de imensa complexidade, intensas diligências e acentuada ponderação. Mas não. Seja que situação for, a realidade objectiva é a de que a decisão é sempre tomada muito para além dos prazos considerados aceitáveis sem qualquer justificação. O que provoca dúvidas, especulações e não raras vezes suspeições. E isso deveria ser evitado a todo o custo, a bem da verdade, da transparência, da justiça, em suma, da defesa da própria indústria do futebol que alimenta muita coisa…

3. O processo que esteve em discussão, teve por base uma situação de jogo ocorrida no jogo da Taça de Portugal entre o Sporting e o Benfica no já longínquo dia 21 de Novembro de 2015 e resultou de uma cotovelada deliberada sem bola de Slimani a Samaris não sancionada pela equipa de arbitragem que não terá observado o lance e não o mencionou no relatório. Daí que o Benfica tenha recorrido para os órgãos disciplinares competentes. A evidência dos factos foi de tal forma clara e visível apesar do esforço das imagens do canal televisivo, que até os próprios responsáveis leoninos ficaram convencidos que o seu jogador não escaparia a castigo, tendo em conta a inusitada frequência com que faz uso daquelas partes do corpo.

4. Por esse facto os mesmos responsáveis criaram uma manobra de diversão alegando pretensas agressões de jogadores encarnados numa tentativa clara de desviar as atenções para uma resolução penalizadora que, aos olhos de qualquer pessoa equilibrada aparte a sua côr clubística, era tida como um facto inevitável. A questão prendia-se, apenas, com o timing da decisão que o C.D. iria tomar, muito embora dada a não complexidade do caso, se admitisse, eventualmente, que não tardaria. Mas, para não variar, demorou.

5. Essa demora inesperada colocou os responsáveis verde e brancos em estado de alerta máximo porquanto se aproximava um novo derby que quase todos os observadores admitiam poder vir a ter uma enorme influência nas contas do campeonato. Especulou-se pois sobre o momento do castigo e sobre a possibilidade de o mesmo vir a impedir Slimani de participar nesse jogo de capital importância, tendo até levado o presidente encarnado a tentar sensibilizar o C.D. para que não inviabilizasse a participação de Slimani no derby. Tal não sucedeu e com isso respiraram de alívio os dirigentes leoninos sendo que, contudo, os adeptos e não só encarnados, continuaram a interrogar-se sobre uma decisão que, a exemplo de tantas outras, tardava, passando a admitir-se que estava reservada para o final do campeonato se não mesmo para a próxima época. O que não seria a primeira vez…

6. Afinal a muito custo lá acabou por sair mas, espanto dos espantos, a ilibar Slimani! Todavia, a argumentação que serviu de base para justificar tão estapafúrdia e injusta decisão é, no mínimo, fraca, inconsequente (para não dizer ridícula), distorcendo a realidade dos factos ocorridos que todos presenciámos. Não prestigia nem dignifica de nenhuma forma a justiça desportiva (quer pela demora injustificada, quer pelo sentido da decisão, quer fundamentalmente pela argumentação), para além de criar perigosos precedentes que em nada vão favorecer a paz e a justiça que deveriam imperar no nosso futebol já de si tão agitado, para além de criar ainda mais fricções nos adeptos. É cedo para constatar as consequências que esta decisão irá causar até porque pode não ser definitiva, mas configura desde já, um claro incentivo à impunidade e à violência dentro das quatro linhas. Ao fim e ao cabo para que o ridículo fosse ainda mais superlativo, só faltou mesmo castigar Samaris por se ter posto a jeito do cotovelo de Slimani… Não há vergonha e noção do ridículo?








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