Ponto Vermelho
Um Mundo manipulado…
11 de Abril de 2016
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Um dos temas da actualidade noticiosa em todo o Mundo é, de facto, o caso dos 'Panamá Papers'. De repente este mundo que corre quase à velocidade da luz, acordou e descobriu que os poderosos tinham milhões e não se limitavam a tê-los debaixo dos colchões ou nos cofres dos Bancos fossem dos seus países ou de outros, mas espalhados por "Offshores" normais e clandestinos sem qualquer controlo, fugindo em primeira instância ao pagamento de impostos que os governos dos vários estados tanto reclamam e perseguem. Porque, aqueles que são pagos pelos vulgares contribuintes, i.e. todos aqueles que não têm a mínima hipótese de a eles fugirem, são insuficientes para alimentar aqueles milhões que gravitam na esfera das máquinas estatais e delas se alimentam sem o mínimo pudor ou constrangimento.

Confessamos que a partir do momento em que o assunto começou a ser ventilado, passou-nos pela cabeça ainda que de forma muito rápida, que a divulgação dos factos pudesse contribuir para algo de muito positivo nas sociedades. Afinal, não podendo todos nós ignorar que essas situações existem desde sempre ainda que sob diferentes formas, poderia num Mundo fictício mas regenerador, acontecer uma clarificação que conduzisse os eventuais implicados a uma redenção no sentido de se portarem no futuro como cidadãos zelosos e cumpridores das suas obrigações perante a sociedade. Uma esperança utópica e lírica, mas ainda assim uma ilusão perseguida.

Tendo em consideração a teia e a complexidade de uma matéria com contornos tão variados, seria expectável que não ficando nada por divulgar nos limites do possível, a questão fosse clarificadora para a opinião pública que tende rapidamente a assimilar a linha do que lhe querem impingir. É aqui que divergimos ou, se quisermos, reclamamos uma apresentação mais rigorosa dos factos em presença para que não se misturem situações normais e legais, com outras que fogem em absoluto aos parâmetros e configuram caso obscuros e particularmente graves.

A forma insistente e repetida como têm vindo a ser apresentados os "Offshores" não distinguindo a forma e o conteúdo, fizeram com que a opinião pública passasse a ter a convicção que estando alguns casos próxima da realidade efectiva não cobre todo o universo, passando a abranger casos e situações que não se enquadram, de nenhuma forma, nessa linha de pensamento. Urge pois clarificar para que o justo não seja tomado pelo pecador, e é também aí que os jornalistas e os órgãos de informação podem desenvolver um profícuo trabalho de investigação, propiciando um serviço esclarecedor à opinião pública. Para que nada fique por dizer ou por clarificar, mas com o rigor e a veracidade que assunto tão complexo exige e reclama. A verdade não pode estar à mercê de especulações, de interesses espúrios ou de interpretações duvidosas.

Qualquer pessoa medianamente informada sabe que no mundo diversificado dos "Offshores" existe de tudo; dinheiro proveniente de droga, de contrabando de armas, de "segredos" militares, de desvios ilícitos de fundos de empresas ou de governos, etc, etc. No outro polo, fundos cujos titulares apenas e só pretendem fugir aos impostos e, por último, dinheiro legal e transparente que não pode nem deve ser misturado com todas as perigosas ilicitudes a que aludimos. Há que tentar distinguir o trigo do joio para que cidadãos normais e cumpridores não sejam confundidos com os outros.

No que respeita a Portugal já começaram a ser divulgados alguns nomes e, tendo em conta os contornos da notícia global, fica-se desde logo por se saber a natureza do seu envolvimento, sendo que, para a populaça são desde já culpados, passando-se depois à especulação sobre o sector de actividade em que se inserem, mas quase apostaríamos que aos olhos da opinião pública, são já tidos como praticantes de actos ilegais que poderão ser…, ou não. A esta sanha persecutória não foge quase ninguém, parecendo-se a sociedade com um cartel de bufos e delatores que não ajuda em nada o correcto apuramento dos factos.

De tal forma que ganharam destaque protagonistas (ou ex) da área do desporto e do dirigismo e em particular um ex-presidente do Benfica. Aliás, tal como na política a côr é determinante, ficando a sensação que as alegadas ilegalidades só são praticadas em áreas específicas, como se um muro os separasse dos outros meninos bem comportados, pelo que lamentamos a forma precipitada, parcial ou pouco trabalhada como estes assuntos são veiculados pela comunicação social. Percebemos que, face à importância dos factos, a divulgação tenha que ser célere para produzir efeito condizente. Mas o menor rigor afecta de algum modo a própria credibilidade da notícia e dá azo à especulação desenfreada. E o rigor das notícias fica cada vez mais longe...






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