Ponto Vermelho
As estreitas ruelas lusitanas…
17 de Abril de 2016
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Um dos temas da actualidade de alguns opinadores é, a concepção, programação e realização dos objectivos de cada temporada para as equipas portuguesas de topo. Existem, salutarmente, ideias diferentes e nalguns casos antagónicas, que derivam da forma como cada um pensa materializar as ambições próprias e a capacidade de realização. Resulta ou pode resultar também, da estrutura de apoio, das condições de trabalho, do plantel à disposição e ainda, de uma infindável série de contingências que podem surgir, de forma inopinada, ao longo da temporada e que escapam ao controle.

No seu artigo de ontem, Vítor Serpa aborda com a sua habitual sagacidade alguns dos aspectos que estão subjacentes a tudo isso. Afinal, não vamos escamotear a verdadeira essência da questão; o que está em causa é a forma como os actuais treinadores dos dois primeiros classificados vêem e interpretam o tema de fundo, numa altura em que o final da época se aproxima a passos vertiginosos e a conclusão das provas entra na recta final. São, manifestamente, pontos de vista e actuações que se situam nos dois extremos, cabendo a cada um de nós discernir sobre qual se aproxima mais da realidade que defendemos e, se olharmos de forma mais abrangente, de natureza estrutural. Porque os eventuais êxitos conjunturais ainda que saborosos, poderão não ser os mais adequados porque devemos defender horizontes mais alargados e consolidados.

Já por várias vezes aqui defendémos que o nosso burgo, sendo importante e constituindo em si mesmo um objectivo de sempre, é restrictivo para a visão que devemos ter sobre o papel que as principais equipas portuguesas devem desempenhar. As mais emblemáticas provas portuguesas a começar pelo campeonato sim, obviamente, mas os objectivos não se devem esgotar aí, se as equipas tiverem como intenção projectar-se na Europa e no Mundo. A necessidade deve aguçar o engenho e as receitas que tanta falta fazem aos crónicos défices dos clubes são tão significativas que não dá para pensar duas vezes. Além de que valoriza e projecta jogadores que poderão ser transaccionados com óptimos ganhos, ao mesmo tempo que reforçando o prestígio lhes permite ter outro tipo de patrocinadores e de cachets em eventuais digressões de princípio/fim de época.

Admitimos que em teoria esta questão recolhe um vasto leque de opiniões favoráveis. No entanto, passando à prática, já não será bem assim. E não será porque ponto de parte o factor relevante da ambição, a situação centra-se nas possibilidades porquanto existe a convicção generalizada de que as equipas, por mais que dotem os seus plantéis com recursos futebolísticos, ficam sempre curtas para as exigências que se lhe colocam. E então, face a isso, é sempre mais fácil hierarquizar objectivos e centrá-los nas provas nacionais, leia-se campeonato. É a visão de Jorge Jesus que não perfilhamos, e o facto de há 3 épocas tudo ter perdido em escassos 12 dias não influi, em nada, na nossa opinião. Pelo contrário, apesar dos revezes, reforça a nossa visão sobre o tema.

É evidente que se tivermos em conta a temporada actual existem nuances que não podem ser desprezadas. Jesus acabou de chegar ao Sporting que não vence o título há 14 épocas nem dele se aproximando, sendo natural que os seus objectivos passem pela conquista do mesmo, até para tentar provar ao seu incomensurável ego que pode ser campeão em qualquer clube. E isso obrigou-o a uma concentração de esforços num único objectivo com desvalorização de todas as outras provas.

Estranho seria se alguns jogadores encarnados por esta altura e face à quantidade e intensidade de jogos, não se encontrassem com algum desgaste. Seguindo a mesma linha de raciocínio atrás aflorada, mesmo que o pior cenário venha a ser o do desfecho da temporada de 2012/2013, continuaremos a assumir a mesma visão porque pior do que não conseguir é desistir de tentar. Veremos pois como acabará a época para o Benfica, na convicção de que era esse o caminho a ser trilhado. O objectivo de vencer todas as provas deverá estar à partida sempre presente, muito embora saibamos quão é difícil de o vir a conseguir e de isso poder condicionar eventuais vitórias parciais. Mas desistir da ideia global é que nunca!








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