Ponto Vermelho
Conjugação
10 de Fevereiro de 2013
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As evidentes dificuldades que o FC Porto tem tido em se libertar da incómoda companhia do Benfica no topo do campeonato depois de feita a dobragem da primeira volta e o eminente recomeço da Liga dos Campeões, tem causado sérios problemas de logística à máquina azul e branca que não está habituada de modo nenhum a encontrar tantas dificuldades. Por esta altura e salvo algumas excepções, é costume os portistas já estarem descansados no tocante ao 1º lugar do campeonato, e assim poderem gerir calmamente a situação e poderem concentrar-se quase em exclusivo na Champions do seu contentamento. Logo, tem havido uma concentração de esforços para que essa manifestação de vontade se venha a concretizar.

O jogo da Madeira encerrava por si só acentuadas dificuldades. É o clube do excêntrico Rui Alves, é treinado por Manuel Machado que encontrou em Jorge Jesus o seu inimigo de estimação para a vida e, para arbitrar o prélio, nada mais nada menos do que o melhor árbitro do planeta que desde 2001 tem mantido sem hesitação a coerência no prejuízo aos encarnados. Jogo em que entre este apitador é sempre sinónimo de que algo de esquisito pode acontecer e que merece ser relevado. Isto sem esquecer a valia do conjunto madeirense que face às circunstâncias ganha sempre um novo alento quando defronta o Benfica. A todos esses factores acrescia mais um jogo difícil fora de portas para a Liga Europa contra um adversário complicado como é sem dúvida o Bayer Leverkusen.

Por tudo isto era expectável que um jogo que era sempre para ganhar, se transformasse em mais uma final e se os encarnados não conseguissem estar ao seu melhor nível era certo e sabido que deixariam pontos na Choupana como aliás veio a suceder e, desta vez, as culpas maiores terão que ser assacadas ao conjunto encarnado que depois de fazer a remontada e ter hipóteses de arrumar a partida, permitiu o empate aos alvi-negros e apesar de ter tentado não mais conseguiu fazer balançar as redes contrárias. Mas, não há que negá-lo, percebe-se claramente que paira no ar uma conjugação astral com vários satélites a circular à volta do astro-rei, concorrendo cada um à sua maneira para que sejam obtidos os efeitos pretendidos.

Todos os que estiveram atentos às movimentações de vários matizes e que emanaram em todas as direcções, certamente se aperceberam que nos últimos dias a estrutura do Benfica foi fustigada com um vendaval de notícias fabricadas e por boatos desestabilizadores. Depois do silêncio ensurdecedor dos responsáveis e de grande parte da comunicação social que caiu sobre o mal amanhado adiamento do jogo de Setúbal que excedeu largamento o consagrado nos regulamentos, surgiu a patacoada cometida pela super-estrutura do FC Porto com a utilização irregular de 3 jogadores da equipa B e, para além das movimentações de bastidores para dar a volta ao texto, foi lançada para a actualidade uma granada de fumo escuro e espesso, tentanto arrastar o Benfica para que as atenções se desfocassem do indiscutível erro cometido que pelo andar da carruagem ainda acabará por ser branqueado na linha das golpadas a que estamos habituados.

Como se isso não chegasse e depois de tentativas há cerca de um mês, voltou em força a questão da renovação ou não de Jorge Jesus, com diversos paineleiros a divagarem sobre o tema como se mais não houvesse para discutir e para analisar. E, para que a questão se tornasse mais credível, até o presidente demissionário dos nossos vizinhos que nunca mente mas algumas vezes não diz a verdade, veio dar o seu bitaite numa das muitas contradições dos seus discursos, acabando por desrespeitar de uma forma evidente o actual treinador do Sporting por ele escolhido, como foram o sem número de técnicos que de uma forma convicta elogiou mas naqueles seus pensamentos profundos que o caracterizam, num qualquer dia à noite decidiu que na manhã seguinte deveriam estar de malas aviadas. Felizmente para o Sporting que está à beira de terminar o seu mandato, senão arriscava-se a entrar no Guinness como o presidente que mais treinadores despediu e mais dirigentes afastou…

Afigura-se-nos também constituir alguma evidência o facto de Jorge Jesus colocado perante as perguntas incómodas dos jornalistas como diria o Sub-Director de um certo jornal, ter por vezes respondido de harmonia com aquilo que esses profissionais querem ouvir… para voltarem sempre a insistir. Aliás, devemos dizer que na véspera de um jogo importante como era sem dúvida a deslocação à Madeira, face a essa inevitável pergunta incómoda, Jesus não tenha sabido ou querido matar de imediato um assunto que era descabido no contexto específico da conferência de imprensa que estava a realizar. Se é certo que pode não haver assuntos tabu, compete aos entrevistados agir de conformidade com a ocasião.

É compreensível que face às circunstâncias, os jornalistas continuem a alimentar a curiosidade profissional e pessoal que não é só deles mas de terceiros. Mas numa altura em que os encarnados se encontram numa fase crucial nas várias provas e em que um simples resultado pode esbarrar na fronteira do êxito ou do fracasso, é essencial que a concentração não seja desviada com particularidades que sendo importantes do ponto de vista pessoal, poderão vir a influenciar a estrutura atendendo a que todos os pormenores são importantes e não acontecem por acaso. Assim sendo, compete a cada um dos elementos lidar com esta multiplicidade de questões que todas entroncadas servem o objectivo da sua existência: algumas para esclarecer, mas a maior parte para desestabilizar!






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