Ponto Vermelho
Factos inconcebíveis
21 de Abril de 2016
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1. É manifesto que as sociedades em geral e a portuguesa em particular, enfermam de vícios e defeitos que derivam da própria condição humana que nem sempre procura corrigir-se. Se olharmos para as últimas décadas, o futebol foi constantemente afectado por factos e situações anómalas, que se admitiriam se as mesmas derivassem apenas e só das imperfeições do Homem e da sua propensão para falhar. Ter que decidir é potenciar a capacidade do erro, que aumenta se os intervenientes forem incompetentes ou não o sendo, procurarem satisfazer interesses pessoais ou de grupo em detrimento da maioria.

2. A recorrente impotência para prosseguir políticas que consagrem, sem sofismas, o progresso e o desenvolvimento tem-se manifestado a cada passo, abundando as justificações e divagações para mascarar os falhanços e a inoperância. É bom lembrar que qualquer Instituição ou Clube desde que ostente a classificação de Utilidade Pública, não se deve fechar sobre si mesma, nem ser egoísta ao ponto de ignorar os motivos que a consagraram como tal. Abundam os exemplos em que tal sucede, sendo que as entidades competentes a começar pela Tutela, nunca actuaram como deviam na salvaguarda do interesse público.

3. A crescente competitividade da sociedade projecta cada vez mais o egoísmo e a prossecução de interesses pessoais ou sectoriais. Se isso tem vindo a acontecer é porque existem condições, estando aí o busílis da questão porquanto os poderes vigentes que emanaram de actos democráticos, deveriam exercer o poder de forma a satisfazer os interesses globais e não, por acção ou omissão, permitir que apenas e só alguns se satisfaçam a seu bel-prazer. Para isso já bastou a longa magistratura do Estado Novo.

4. O fatalismo e a subserviência que têm andado de braço dado, têm servido de justificação para o falhanço dos últimos (longos) anos. A velha e gasta tese do país pobre, pequeno e periférico já faz parte da mobília da propaganda oficial e oficiosa, continuando a justificar o dolce far niente que concorre de modo directo para a bagunça e para o sub-desenvolvimento. Não é por acaso que os limites para quase tudo de menos são frequentemente ultrapassados, acabando por tornar-se numa situação corriqueira aos olhos do cidadão comum que depois de tanto ver acontecer, acaba por se habituar.

5. Muitos e diversificados têm sido os protagonistas mas raro terá sido aquele que fugiu ao destino malogrado de sempre. E a grande maioria que é pródiga em críticas e em apontar culpados para se auto-justificar, não pode escapar imune na medida em que contribuiu por inacção para que não se modificasse a questão de fundo. Todavia, na hierarquização de responsabilidades temos no topo da pirâmide os sucessivos governos que sempre olharam de soslaio para o desporto como parente pobre, como se o mesmo fosse portador de lepra da qual urgia fugir a sete pés… As intervenções e os exemplos deverão sempre começar por cima. O desporto apesar de ter vida própria não deve sobrepor-se aos macro-interesses do país, mas também não deve ser menorizado face à relevância que ocupa no contexto. Urge, pois, encontrar o justo ponto de equilíbrio.

6. Mantemos a opinião: o desporto português na sua globalidade, pese embora todo o marasmo e esquecimento a que tem sido votado pelos poderes públicos, é das indústrias mais avançadas e daquelas que mais tem ajudado Portugal a ser conhecido na Europa e no Mundo. Tem gerado um afluxo de capitais importantes, adquirido prestígio e levado a bandeira do País aos quatro cantos do Mundo. Isso não tem preço. Mas não parece suficiente, pois imperam aquelas novelas de entretenimento que só servem para delapidar fundos públicos com escassos resultados quando senão mesmo sem qualquer efeito prático...

7. O desporto por mais que se queira omitir, é indiscutivelmente, um dos importantes sectores do país. Bem sabemos que a desculpa oficial é a de que estamos a atravessar uma grave crise financeira (ou não será de mentalidades?). Mas já antes, no tempo das vacas gordas, era ignorado. O desporto justifica, a nosso ver, um ministério próprio, porque exerce uma influência transversal na sociedade portuguesa, (educação, juventude, saúde, etc, etc.) O desporto, sobretudo o não profissional, não vive do ar e continua a depender do Estado na vertente financeira e em particular da criação de condições e fomento de infraestruturas. É isso que é necessário fazer e assim aproveitar as enormes potencialidades que o mesmo tem para oferecer à população em geral e em particular à nossa juventude que, é bom não esquecer, representa o futuro aqui e agora , e não em qualquer outro país... Bem potenciado, ajudaria a poupar milhões noutros sectores relevantes como por exemplo a saúde e a educação. Não há quem consiga enxergar isso?






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