Ponto Vermelho
Nervoso miudinho…
23 de Abril de 2016
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1. Perante o clássico comportamento de toda a máquina que gira no e à volta do Futebol português e aos ensinamentos que o passado recente se encarregou de nos demonstrar, a vivência de uma situação nova cujo último episódio, ainda que noutro contexto, data de há longos 14 anos, traz consigo um sem número de situações grotestas e hilariantes associadas a esquemas mirabolantes, tudo para obter vantagens e desestabilizar o adversário que depois de ter sido dado como morto ressuscitou, dando-se ao desplante de ter recuperado 10 pontos ao anunciado campeão de inverno e vencedor antecipado em Maio.

2. Temos optado pela contenção na convicção dupla de que não é essa a forma mais correcta e afirmativa de perseguir objectivos e, também, para não aumentar a poluição sonora na imprensa e nas redes sociais. Porque pela experiência que nos tem sido concedida, responder ainda que só em último caso a agressões soezes e diárias, é avaliado e tratado no mesmo plano igualitário por todos aqueles (e são muitos), em que empolar, explorar banalidades ou falsidades constantes com recurso a linguagem de tasca é uma maná caído do céu para alimentar o negócio que só assim é florescente…

3. Nessa assumpção, enveredar pelo mesmo caminho é estar a perder tempo, pelo que o silêncio na generalidade das situações é sempre o mais indicado, muito embora aqui e ali seja impossível conter a torrente de indignação que por via disso se vai acumulando sem cessar. Para além de que, existem outros palcos em que toda essa verborreia ofensiva que mancha o bom nome pode e deve ser provada, sob pena de daí derivarem avultadas indemnizações para as quais as almofadas anunciadas serão apenas e só uma gota de água…

4. De uma coisa podemos estar certos; a indústria do futebol está a ser séria e duramente atacada perante a inércia do presidente da Liga (só agora se apercebeu das declarações ofensivas para os árbitros ele que de lá é oriundo?), da Federação (ocupada com uma multiplicidade de interesses) da Tutela (cujo titular ainda não aqueceu o lugar) e, finalmente, entregues às não, ou tardias e hilariantes decisões do Conselho de Disciplina que temos tido. Esperamos pois que o novo órgão a ser eleito ponha cobro a todo esse despautério e coloque ordem na mesa, agindo de forma pró-activa para fazer justiça e defender a verdade e o futebol.

5. Estas últimas semanas, com o aproximar do fim do campeonato, o nervoso miudinho e incontido tem subido de tom. Sabiamente alimentado, tem-se discutido tudo menos futebol, com opiniões e comentários a enfatizarem a palavra sorte e os atropelos à verdade desportiva. No primeiro caso aproveitaram a deixa do sempre afirmativo Jorge Jesus que, mais uma vez, acaba de desmentir o que pouco antes afirmou, como se estivéssemos a falar de uma decisão num único jogo e não numa maratona de 34. Acresce que as provas contra si próprio nesse particular são de tal modo incontroversas que não vale a pena perder mais tempo com isso. Aliás, na última conferência de imprensa em que tentou justificar o injustificável, respigar a frase de Lopetegui sobre Pinto da Costa faz todo o sentido: até meteu pena… O golo foi validado mas o fora-de-jogo de Slimani foi indiscutível. Ponto final!

6. Outro dos temas que fez furor foi a opção de Norton de Matos em poupar jogadores para o jogo de Alvalade. É facto que o treinador do União (ou outro qualquer) pode e deve tomar as decisões que julga mais adequadas aos objectivos do seu clube sem que isso, à partida, deva ser merecedor de reparos. Só houve empolamento porque de alguma forma envolve directa e indirectamente os dois candidatos ao título. Existe alguma lógica mas, no caso de Vila do Conde, já é muito mais dúbio e controverso perceber porque foram poupados jogadores na jornada anterior. Porque, aí, a lógica desaparece por completo…

7. No caso do União, como escreveu Nuno Farinha no Record "Quem não percebe uma coisa tão simples dificilmente perceberá as mais complicadas". Assumimos a nossa incapacidade de assimilar tão simples equação pois, não estando em causa a legítima opção de Norton de Matos e deixando de fora o Sporting e o Benfica, como seria se fossemos da Académica ou dos outros candidatos que lutam para não descer? A verdade desportiva seria imaculada?






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