Ponto Vermelho
Novos ventos?
25 de Abril de 2016
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Hoje, comemora-se mais um aniversário sobre a Revolução de Abril – o 42.º. Neste longo e sinuoso caminho que criou tantas esperanças e destruiu tantas expectativas e ilusões, há que sublinhar que o saldo, mau grado os desvios e os aproveitamentos, é amplamente positivo. Viver a liberdade foi um marco histórico conquistado pelas gerações tantos anos subjugadas, e um acesso aos caminhos que há muito se trilhavam na Europa e na qual nos haveríamos de integrar como membros de pleno direito. Nem sempre conseguimos aproveitar o que nos era oferecido mas isso já nos encaminharia para outras histórias…

O abrir de novas portas cria a expectativa e a ânsia de se atingirem novas metas. O desporto e o futebol não constituíram excepção com o pensamento positivo ainda presente do 3.º lugar obtido no Mundial de 66. Os apertos registados até então deram lugar à expansão da liberdade em todo o seu esplendor, o que nos conduziu a excessos e oportunismos que haveriam de mudar por completo o panorama da sociedade e do futebol português. Um ciclo que durou várias décadas e que recentemente deu mostras de querer alterar o paradigma pelas razões de todos conhecidas. Sem que, todavia, as sequelas desaparecessem uma vez que as consequências de um tão prolongado reinado não se evaporam de repente.

Sendo que o que aconteceu é imutável muito embora se possam e devam extrair as ilacções devidas para memória presente e futura, é altura de olhar em frente e concentrarmo-nos na forma mais adequada de progredir e alcançar um patamar global evolutivo no capítulo do progresso e do desenvolvimento. As próximas eleições na Federação onde apenas um candidato se apresenta a sufrágio permite várias leituras, sendo que qualquer delas poderá não ser conclusiva. É pois com os dados que têm vindo a lume que devemos abordar o futuro, na convicção optimista que irá haver avanços significativos deixando para trás marasmos e retrocessos.

A magistratura que o actual presidente federativo olhado de soslaio e com desconfiança por muitos adeptos por ser oriundo do FC Porto tem exercido, pode caracterizar-se como discreta. Claramente marcado pela vertente externa onde a sua atitude e perseverança consagraram a sua figura e levaram Portugal a marcar pontos importantes no sentido da afirmação do futebol português nos vários tabuleiros da UEFA, no capítulo interno contou com a constante promoção do seu Director de Publicidade Hermínio Loureiro. Contribuiu, de facto, para algumas reformas ainda que tímidas, tendo conseguido realizar um dos mais importantes sonhos – a inauguração da Casa das Selecções no palco do Jamor que é, sem dúvida, um importante passo em frente.

Mas os velhos hábitos continuam a fustigar o nosso futebol e não foi por acaso que alguns protagonistas conhecidos, nomeadamente o presidente do FC Porto e de uma forma mais subtil o líder leonino, foram debitando críticas, basicamente por ter mantido até ao fim o presidente do Conselho de Arbitragem. Porque continua enraízada a mentalidade dominadora dos órgãos estratégicos considerados mais importantes e, quando isso não acontece, as críticas sucedem-se a pretexto de tudo e de nada.

A lista que se apresentará a sufrágio para a Direcção não revela grandes alterações. Já nos órgãos mais apetecíveis a questão fia mais fino, na medida em que teremos novos protagonistas, Com efeito, na arbitragem sai o alegado causador de todos os males e no Conselho de Disciplina que em vez de a impôr e de forma célere fez grosso modo o contrário, irão haver mudanças significativas. E com Portugal a servir de cobaia a testes do tão solicitado vídeo-árbitro, estão à partida reunidas as condições para que algo mude no futebol português. Sem desvalorizar as mudanças na arbitragem onde teremos certamente oportunidade de avaliar a natureza das críticas anteriores e a nova postura, é na Disciplina onde concentramos as atenções. Para além de uma maior rapidez decisória, espera-se que o novo órgão aja com firmeza face às críticas destemperadas e incendiárias dos vários agentes, sem olhar a quem. É mais do que altura de alguns que se julgam o centro do mundo serem remetidos à sua real insignificância.








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