Ponto Vermelho
Coincidências estranhas e perturbadoras…
1 de Maio de 2016
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1. Por princípio não somos adeptos nem defensores das eternas suspeições que pairam sobre tudo o que mexe em Portugal. É uma característica muito nossa que nos leva a suspeitar de tudo e de todos, como se o Mundo por cá fosse muito diferente dos outros lugares do Globo. Por norma, tendemos a ser mais compreensivos e indulgentes para com os habitantes além fronteiras, como se toda a perversão existente estivesse concentrada no nosso país. Uma forma que, infelizmente, encontrámos de fingir de que não temos as mesmas capacidades dos outros…

2. Não devia ser assim. Porque a nossa história de quase 9 séculos demonstra à saciedade de que massa somos feitos, do que fomos e seremos capazes, do empreendorismo e espírito de aventura que nos caracteriza. Por vezes adormecido, bastas vezes negado por nós próprios. Estamos sempre a tempo de inverter este fatalismo congénito mas, para isso, é preciso acreditar em nós próprios e dar os passos em frente que se impõem. Com as nossas naturais diferenças que podem e devem contribuir para a procura e enriquecimento das soluções globais, mas também reduzindo o egoísmo e a ambição desmedida que está a deixar marcas profundas na sociedade e obsta ao seu progresso e desenvolvimento.

3. Estes parâmetros que nos têm regido, adquirem particular ênfase no desporto e de forma mais acentuada no futebol por ser um palco privilegiado de emoções que não raras vezes se transformam em atitudes e comportamentos que extravasam o que deveria ser a normal convivência de todos os agentes desportivos envolvidos, seja qual for a sua posição e cujo eco se repercute com grande amplitude nos adeptos. Muitos dos problemas são previsíveis e poderiam ser antecipados se esses mesmos agentes actuassem como podiam e deviam na defesa da indústria do futebol e, já agora não menos importante, na imagem que se pretende dar do desporto do País no exterior.

4. Por enquanto e até ver a actividade de lobbying não está regulamentada em Portugal pelo que é ilegal. No entanto, todos sabemos que ela existe em todos os sectores por vezes até de forma descarada, mas apesar de publicamente sobressaírem várias referências e indícios, quase nada acontece porquanto para além de ser difícil de provar, esbarra contra interesses poderosos que não podem (ou não devem) ser combatidos. Alimenta algumas plataformas que o substituem por especulação, boatos ou rumores, sendo que tal significa que se esvai como a espuma na praia…

5. Com o aproximar do fim do campeonato e com o Benfica a manter-se firme na liderança, têm sido feitas referências insistentes nos últimos tempos a eventuais incentivos às equipas a quem cabe defrontar. Foi assim, por exemplo, com a Académica, V. Setúbal, Rio Ave e V. Guimarães. Como é hábito houve os normais desmentidos, o momento passou, e nada de anormal sucedeu; o Benfica ganhou porque foi melhor e mereceu a vitória. Não queremos, como é óbvio, contribuir para a suspeição, mas também não poderemos deixar passar alguns factos que poderão não passar de meras coincidências. Oxalá que sim!

6. Costuma-se referir, com razão, que há sempre motivação extra e concentração fora dos índices normais quando se defrontam equipas de outro gabarito. Também é real que se poderá evocar que derrotar o Benfica (para mais líder) constitui um apelo motivador às equipas. Finalmente, ainda maior motivação se as equipas estiverem a lutar por objectivos palpáveis em que a conquista de pontos é ainda mais importante. Todavia, ou os nossos olhos estão mais apurados ou neste final de época a motivação das equipas quando defrontam o Benfica atinge patamares e desempenhos nunca dantes alcançados, sendo que a lutar e a correr sempre assim, não seria descabido considerar que estariam a lutar pelos lugares cimeiros… O que seria óptimo para o futebol português!

7. Por razões óbvias, nesses jogos as equipas mais pequenas assumem maiores cautelas defensivas. Mas o facto do Benfica e os outros grandes já terem baqueado perante esses adversários, prova que é possível ganhar-lhes. Dos adversários atrás referidos, houve um único que não luta já por nenhum objectivo concreto; não vai à Europa e não está em perigo de descida, pelo que se esperaria atitude competitiva mais consentânea com a sua posição na tabela. Sem nunca abdicar, é claro, de lutar pela vitória na Luz, como aliás tivémos uma amostra na etapa complementar. Mas então, se era assim qual a razão para aquela miserável atitude anti-jogo no decorrer da 1.ª parte em que tudo valeu para queimar tempo e obstar a que o Benfica marcasse? Que tempo útil de jogo terão tido os 1.ºs 45 minutos? Terá sido por isso que o jornalista Rogério Azevedo de "A Bola" resolveu entrar em estapafúrdias divagações sobre o árbitro?






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