Ponto Vermelho
Pecados de um deus menor…
3 de Maio de 2016
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Dizem os que passam por entendidos na matéria que tudo o que está a acontecer neste final de temporada não é mais nem menos do que os mesmos factos e acontecimentos que, com nuances ou não, costumam vir à tona por esta altura. Em bom rigor isto tem sucedido nos anos mais recentes e sempre que o apuramento do campeão (onde tem estado envolvido o Benfica) está rodeado de alguma expectativa e incerteza. Ainda que mal comparado, faz lembrar os superiores interesses da UEFA com o apuramento dos Clubes que lhes interessam a partir dos quartos-de-final da prova. Uma final Bayern-Real Madrid ou Barcelona não é a mesma coisa se os finalistas forem o Atlético de Madrid e o Manchester City…

Percebe-se pois o frenesim que campeia na nossa praça, pois se em todas as 3 últimas vitórias do Benfica no campeonato aconteceram empurrões nas equipas a quem restavam hipóteses de o impedirem, por maioria de razão o tema seria inevitavelmente mais empolado se, nessa situação, se encontrasse um Clube da mesma cidade que não cheira o título há (longos) 14 anos. E que, depois de levar 2 anos a propalar o saneamento financeiro e a austeridade, emergiu para protagonizar um esforço financeiro sem rede e sem precedentes, para única e simplesmente obstar a que o Benfica repetisse o título três anos consecutivos.

Esta estratégia suicida que só o tempo avaliará a forma, o modo e sobretudo a tentativa de conseguir um equilíbrio financeiro subitamente abandonado, iria ter como primeira consequência as verbas de acesso à Liga dos Campeões, o que levou Jorge Jesus ao abrigo da sua modéstia e discrição a invadir esferas e departamentos completamente fora da sua área de jurisdição. A menos que, sendo por natureza um criador, tenha optado por seguir os ensinamentos do Prof. Manuel Sérgio e comece a dedicar, também, algumas das horas das 24 a explorar outras áreas para além da ciência do futebol na sua vertente mais pura…

Ninguém, como humano, é infalível e imaculado. Mas passarmos a vida a desculpar os erros e as manigâncias perpetradas apenas por esse facto é, como é óbvio, demasiado redutor, porque isso é meio caminho andado para a continuação da bagunça, dos expedientes e dos golpes baixos que servem para auto-justificar o pressuposto como prática habitual. Dizer-se que esquemas, factos e situações costumam acontecer não desculpa nem impede de nenhuma forma essas práticas abusivas e, ainda mais importante, não evita que elas voltem a ser praticadas em próximas oportunidades…

A justificação tradicional aponta para a dificuldade (impossibilidade?) de apurar o ónus da prova. Reconhecemos que é difícil mas não impossível. É preciso que se actue de forma antecipada para prevenir, posto que depois entramos por caminhos com demasiadas veredas e bifurcações onde a imensão dos caminhos é complexa e problemática e, por isso, desaconselhável. É o que acontece por sistema, ou seja, uma mão cheia de nada. Mas as interrogações e as suspeições continuam sem parar, e são agitadas, continuamente, pelos perdedores…

A crueza dos factos leva-nos a estranhezas e a interrogações, um entendimento que, até ver, não é comungado por quem tem a responsabilidade de gerir e fiscalizar o futebol profissional nas suas múltiplas vertentes. Ao já apontado em anteriores considerações, juntamos agora o do Marítimo. Este clube madeirense encontra-se, tal como o V. Guimarães na jornada anterior, tranquilo na tabela em que não pode aspirar a mais nem a menos… É evidente que há a questão da dignidade, da obtenção da melhor classificação possível, blá, blá, blá… Assim, e sem prejuízo de opções a que só ao seu treinador (por quem temos apreço e consideração por todo o seu trajecto) dizem respeito, foi muito estranho deixar de fora no último jogo 5 jogadores que, por acaso, são dos mais influentes e estavam à beira da exclusão há já várias jornadas…

Não sendo líquido que os mesmos viessem a ser penalizados tal como acontece com atletas de outros clubes, para qualquer inteligência mediana o jogo com o Estoril seria o mais importante não só por ser o imediato, mas também, porque no campo meramente teórico, esse jogo seria mais acessível que o próximo em que, apesar de ser em casa, será disputado com o Benfica que persegue denodadamente o tri-campeonato. Dir-nos-ão que tudo isto não passa de conclusões e especulações sem qualquer fundamento. Seja! Mas que é mais uma coincidência deveras estranha, isso ninguém nos tira da cabeça…






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