Ponto Vermelho
O estado do nosso futebol
5 de Maio de 2016
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1. Não é (será que alguma vez será?) de perder tempo com personagens menores que só existem no mundo do futebol por um conjunto de circunstâncias ocasionais e fortuitas, que têm emergido dos patamares mais baixos onde fervilha a intriga e se congeminam as tácticas rasteiras que têm por missão principal não propriamente construir seja o que for mas, apenas, impedir que os outros tenham sucesso. Tem sido assim nos últimos longos anos e essa constatação justifica por si só, muito do que é o futebol actual fora das 4 linhas.

2. Não há, isenções neste estado de circunstâncias. Todos somos culpados. Mas haver recorrências sistemáticas para a atribuição das culpas classificando todos os intervenientes com a mesma graduação é não só errado como injusto, sendo que, para além do mais, concorre para uma conclusão que abastarda o real apuramento de responsabilidades. O que significa, na prática, que sendo todos culpados, o melhor é não castigar ninguém… Além de que, continua a alimentar de forma permanente o diz que disse, uma fraseologia tão do agrado de certa comunicação social e de vários intérpretes. Que afecta e manipula os adeptos mais sensíveis…

3. É uma verdade de todas as épocas existirem episódios a que nos últimos anos se convencionou apelidar de mind games, mas que resultam de uma invenção que vem desde os tempos do Zé do Boné. Não são obrigatoriamente todos de índôle negativa, pois, se bem executados, podem até concorrer para uma salutar rivalidade entre os clubes e os próprios adeptos. Contudo, devido à forma inviezada como se tem olhado para a liberdade e para o respeito que se deve ter pelos outros, o conceito foi abastardado e ultrapassado com inusitada frequência.

4. Nessas circunstâncias, numa democracia plena e num Estado de direito vigilante e consequente onde todos os poderes actuem, esses exageros elevados ao grau mais sórdido e elevado, mereceriam uma pronta e eficaz intervenção por forma não só a sancionar tais desmandos, como, fundamentalmente, prevenir excessos futuros de quem quer que fosse; pessoas ou organizações. Nada disso se passou, sendo que esse laxismo foi interpretado de forma lógica pelos prevaricadores que, longe de desmobilizarem, se sentiram, ao invés, incentivados a prosseguir.

5. A sucessão de acontecimentos desse teor desde então, acabou por criar uma habituação nos intervenientes directos e indirectos a tal ponto que os maiores disparates, as tiradas ocas ou as ofensas desbragadas, passaram a ser consideradas normais, com incentivos cada vez maiores porque as especulações e as polémicas sempre foram ao encontro dos interesses de alguém. Enquanto se divaga e alimenta essa fogueira não se discute o essencial e não se caminha no sentido que interessa. A despeito de, continuamente, sentirmos embevecidos correntes provocadas por lágrimas de crocodilo…

6. Mais uma volta mais uma corrida! A intensa disputa do campeonato protagonizada pelos dois grandes de Lisboa (uma raridade que acontece pela primeira vez este século!) tinha tudo para agudizar a situação, particularmente após o brutal investimento do Sporting (as consequências ver-se-ão mais tarde…) contratando um treinador ex-rival com um vencimento pornográfico para a realidade nacional e que o levou a abdicar de tudo, apenas e só para impedir o Benfica de conseguir o tri. Desde o início que tivémos jogos florais provindos de Alvalade, que foram subindo de tom à medida que os encarnados se instalaram no 1.º lugar depois de uma meritória recuperação.

7. A partir daí tem sido um massacre diário com recurso a todos os truques, insinuações e ofensas ao bom nome dos encarnados, sem que isso tenha merecido qualquer reacção condenatória que se visse de grande parte da imprensa escrita e falada. Nem sequer dos guardiões das leis e dos regulamentos. Bastou que o Benfica, farto de tantos atropelos, mentiras e ofensas ao seu bom nome tivesse anunciado o recurso aos tribunais para a reposição da verdade, para que os arautos da liberdade e as virgens ofendidas viessem a terreiro propalar a tese da igualdade… Temos que convir que é de facto preciso muita estaleca para resistir, diariamente, a tantos scuds que atravessam a 2.ª circular. Será que esses púdicos reclamam para o Benfica a tese bíblica de oferecer a outra face?






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