Ponto Vermelho
Auto-justificações
9 de Maio de 2016
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Sendo o futebol sempre o momento, existe desde logo uma fortíssima tendência para se hipervalorizarem performances ou se desvalorizarem exibições e momentos desta ou daquela equipa. Mesmo as pessoas que possuem memória mais longa e duradoura, exibem natural propensão para reter os últimos acontecimentos seja qual for a vertente porque os mesmos se pautem. Acontece com muitos e de forma até mais natural com todos os que escrevem ou opinam de forma profissional. Nestes, até não incluímos os que (e são muitos), que abandonando o rigor e a objectividade, têm dificuldade em despir a camisola, seja ela clubista ou simplesmente do contra.

Seguindo essa linha de raciocínio, não estranha que continuando a disputa do ceptro maior pelos dois habitantes mais ilustres e populares da segunda-circular, que se alinhem teorias e auto-justificações para fazer prevalecer as teses que favoreçam o clube do coração. Se isso é salutar e desejável entre os adeptos, já não o será se o protagonismo couber aos ditos críticos isentos que quebram o dever de independência, do rigor e da objectividade. Mas seria inútil perder muito tempo com uma realidade que se tem vindo a impôr de forma gradual e crescente, pelo que há que saber lidar com ela da forma mais fria e objectiva possível.

Regressando à grelha de partida e às incidências que animaram tertúlias e redacções no princípio da época, havendo à partida 3 candidatos ao título, o Benfica e o Sporting partiam de bases algo diferentes, se comparados com o FC Porto que mantinha o mesmo treinador e boa parte do plantel. No Benfica, à alteração de treinador juntou-se desinvestimento e mudança de paradigma com maior aposta na Formação e, para rematar essas importantes alterações, uma pré-época atípica, irregular e cansativa que não permitiu à equipa técnica um planeamento e um conhecimento atempados dos valores ao dispôr. Convém relembrar que o próprio presidente assumiu publicamente não ter colocado à disposição do treinador mais alguns recursos que gostaria.

Por sua vez o Sporting sofreu uma metamorfose na componente dos custos, investiu de forma forte e diversificada em todos os sectores do grupo, não sendo difícil imaginar que com a mudança, o seu novo treinador tudo faria para inverter o rumo dos acontecimentos para tentar provar ao seu ego inesgotável que o sumo das equipas se circunscrevia apenas e só a si próprio. Uma faceta que tão bem conhecemos e que só não teve expressão plena porque a maioria dos benfiquistas são seres pensantes e racionais e pouco dados à banha da cobra que lhe querem impingir.

Com início fulgurante fruto, por um lado, de ter antecipado a pré-época devido ao play-off da Champions, e, por outro, da conhecida capacidade reivindicativa de Jesus, não foi difícil ao Sporting entrar à frente ganhando embalagem que lhe adveio desses factores. Acrescia também que o FC Porto a despeito de parecer ir embalar, não dava mostras de poder avançar para grandes cometimentos como aliás se veio a provar em fase posterior. Esta situação conjugada com a entrada previsivelmente periclitante do Benfica, trouxe ao Sporting e em particular a Jesus, o reforço de uma auto-confiança já de si ilimitada...

Desvalorizando e mesmo abdicando das outras provas para se concentrar no seu único objectivo – o campeonato –, a Jesus pareceu que o caminho se apresentaria livre e sem obstáculos. Acabou por não ser bem assim com resultados comprometedores em casa, sendo que esse factor revela muito da personalidade de altos e baixos do treinador, que alia períodos exibicionais de grande fulgor com fases de enorme instabilidade (quem não se recorda do Benfica-Lyon com os encarnados a chegarem a 4-0 e a acabarem em 4-3…?).

Acresce que no match-point em Alvalade contra o Benfica falhou, e permitiu um volte-face com os encarnados a recuperarem 10 pontos. No último terço da época, com novas aquisições, regressos, e liberto das preocupações das outras provas, Jesus apostou todas as fichas no campeonato pelo que com todos esses factores conjugados o Sporting, nesta última fase, tem demonstrado poder competitivo, aliado a um conjunto de factores aleatórios que fazem parte do panorama futebolístico português. Só que, o campeonato é uma prova de regularidade e todas as equipas têm os seus pontos altos. E o que tem isso a ver com uma maratona de 34 jornadas em que a regularidade é determinante?

P.S. - Na conclusão de algumas provas, ênfase para as prestações de todas as equipas encarnadas nas várias modalidades. Destaque maior como é óbvio para os vencedores (Futsal Feminino e Iniciados), sendo que neste último, vencer todos os jogos e sem sofrer golos na fase final é obra. Pena foi que, numa demonstração de inveja e mau perder que caracteriza os nossos vizinhos, o seu treinador Venâncio tenha surgido com insinuações sobre a idade dos jovens benfiquistas. De que está à espera o C.D. da F.P.F. para ajudar o rapaz a concretizar as acusações?






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