Ponto Vermelho
Nacional - Benfica
10 de Fevereiro de 2013
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Liga Zon Sagres 2012/13 - 10ª Jornada
Estádio da Madeira, 10 de Fevereiro - 18h00

Árbitro Principal: Pedro Proença - AF Lisboa
Árbitros auxiliares: André Campos e Paulo Soares

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Maxi Pereira (Kardec 90+2m), Luisão(cap), Garay, Luisinho, Matic, Enzo Pérez, Salvio, Urreta (Cardozo 61m), Rodrigo (Gaitán 46m) e Lima
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Jardel, Melgarejo, André Almeida, Gaitán, Kardec e Cardozo

Cartões Amarelos: 0 Cartões Vermelhos: 2: Cardozo 89m e Matic 90+6m

Resultado Final: 2-2; 1-0 Diego Barcellos 6m; 1-1 Mexer 16 (p.b.); 1-2 Urreta 37m e 2-2 Mateus 53m

Benfica de regresso à Choupana na procura de voltar à liderança enquando esperava pelo desfecho do FC Porto-Olhanense. Por via de alguns condimentos que passavam pela nomeação de Pedro Proença, defrontar um emblema e jogadores da órbita portista, e ainda no banco adversário se sentar o rivalde Jorge Jesus, Manuel Machado, esperava-se que os pupilos de Jorge Jesus se exibissem em bom plano para evitar alguma aleatoriedade que por norma surge nestas circunstâncias.

Com Urreta titular por via do impedimento de Ola John, lesionado, ainda Luisinho que rendia na lateral esquerda o também lesionado Melgarejo, por último com Cardozo vindo de recuperação no banco cedendo o lugar a Rodrigo que fez dupla com Lima na frente, a equipa de Jorge Jesus viria entrar no entanto algo apática.

E assim seria que num início com mais Nacional, numa desatenção da defesa encarnada Diego Barcellos logo ao minuto 2 levaria perigo à baliza encarnada, depois de uma hesitação entre Luisinho e Artur, com o jogador insular a conseguir o cabeceamento e a levar a bola a passar muito perto do poste. De calafrio em calafrio, novamente muito perigo logo de seguida ao minuto 5, quando depois de uma jogada de Candeias na esquerda, o cruzamento chegava a Keita que sozinho ao segundo poste por pouco não faz o golo inaugural.

Depois de duas ameaças do Nacional com o Benfica a ver jogar, surgiria o golo expectável dos madeirenses; trocas de bolas sucessivas com o esférico a variar da direita para o meio, Luisão a pedir fora-de-jogo a Claudemir que aproveitara as costas de Luisinho para surgir sozinho na área, e a assistência fatal para Diego Barcellos que se limitava a encostar para uma baliza deserta.

Natural festa dos insulares e golo que era justificado tamanha era a supeioridade do Nacional ante uma equipa do Benfica pouco menos que irreconhecível. Aos 7’ e na sequência de uma falta sobre Rodrigo na lateral, Enzo cruzava e Rodrigo cabeceava ao lado naquela que era a primeira tentativa tímida dos encarnados, e os 10 minutos chegavam com o Benfica a evidenciar muitas dificuldades e a ter de correr atrás do prejuízo.

No entanto, com os encarnados a tentarem ainda assentar o seu jogo, o empate cairia do céu numa altura preciosa. Decorrido que estava o minuto 16, incursão de Luisinho pela esquerda e cruzamento chegado à baliza, Mexer na tentativa de interceptar acabava por desviar para a sua própria baliza perante a proximidade de Lima. O empate reestabelecido e também o Nacional a evidenciar problemas defensivos e erros de comunicação na sua defesa.

Crescia naturalmente o Benfica, empurrado pelo golo, e aos 17’ sucedia-se uma perdida incrível dos encarnados, quando depois de Lima ganhar espaço junto à baliza do Nacional desviava a bola de Gottardi e levava-a a embater no poste, e depois Marçal impedia que Matic chegasse a tempo de fazer o golo. Jogo vivo com mais Benfica nesta fase e com o Nacional a tentar sair em contra-ataque, e os primeiros 20 minutos chegavam com os encarnados já donos e senhores da partida e bem mais perto do seu real valor.

O Nacional no entanto demonstrava estar vivo e disposto a discutir o jogo, respondendo de seguida com minutos de algum fulgor. Aos 24’, na sequência de nova bola nas costas de Luisinho, a defesa encarnada cede canto do qual não resultaria qualquer perigo, e aos 26’, depois de uma bela jogada com Candeias do lado esquerdo em evidência, valia Garay a resolver o cruzamento. Ainda aos 27’, depois de uma falta sobre Jota, do livre perigoso contra o Benfica valia novamente Garay a resolver.

Respondia novamente o Benfica aos 28’, com uma bomba da autoria de Rodrigo que Gottardi defendia de forma apertada complementada por um desvio de Miguel Rodrigues pela linha final, e a primeira aparição de Pedro Proença e sua equipa no encontro surgia na sequência do canto; braço na bola nítido na grande área dos insulares mas nem o árbitro nem o seu assistente davam indicação para a respectiva grande penalidade.

Prosseguia o despautério, aos 32’ ficava no bolso um amarelo justificável após uma falta sobre Urreta, e no outro lado do campo o Nacional ia tentando chegar até à baliza de Artur por via de algumas bolas paradas, como aquela aos 33’ em que Revson aproveita um livre lateral para atirar directo à baliza e obrigar Artur defesa atenta. Urreta ia estando em bom plano desequilibrando na esquerda e com diagonais sempre objectivas como aquela aos 35’ da qual acabava por conquistar uma falta perigosa para a sua equipa, e o prémio do uruguaio chegaria na marcação do dito livre; junto à meia lua da grande área, Urreta encarregava-se da marcação e mostrando como se faz, assinalava um golo de levantar o estádio, que contava ainda com uma comemoração a preceito com muitos atletas.

Mais tranquilos agora, sob a batuta de Matic, o Benfica ia estando bem na partida e controlava as operações a seu bel-prazer, e aos 38’ seguia-se nova falta grosseira de Marçal sobre Salvio, com Pedro Proença desta feita a mostrar amarelo. Com algum suspense, direito a compasso de espera, e a muito custo...

Insatisfeito com o decurso do jogo, Manuel Machado mexia e aos 39’ Jota saía para dar o lugar a Mateus, e com o jogo de feição por estar no comando das operações, o Benfica ganhava novo canto numa das muitas vezes que Lima descaía para uma das laterais, desta feita aos 40’ e com a oposição de Miguel Rodrigues. Do mesmo nada resultaria, e sem soluções por parte da equipa da casa, aos 41’ novo livre lateral do qual o Nacional tentava bombear mais uma bola para a área benfiquista, ainda que sem sucesso e resolvida pela defesa encarnada.

A primeira parte não terminaria sem um lance de muito perigo junto à baliza de Artur Moraes. Numa bola perdida por Garay aos 44’, Mateus em fora-de-jogo ao segundo poste cabeceava para golo mas valia Maxi Pereira a desviar pela linha de fundo.

O «melhor árbitro do mundo» apitava para o intervalo e o marcador reflectia um resultado justo, ainda que a margem mínima obrigasse o Benfica a entrar forte na procura de chegar rapidamente ao 3-1, de forma a evitar a habitual fonte de surpresas dos jogos dirigidos por Pedro Proença, onde espreitam sempre perigos inesperados.

Jorge Jesus fazia entrar Gaitán para o lugar de Rodrigo, atleta que havia sido alvo de constantes rectificações no decurso da primeira parte, e Manuel Machado por seu turno predispunha o Nacional com direito a marcação individual a Matic. Mas a batuta pertencia agora a... Gaitán, e assistia-se a um bom arranque do Benfica.

Logo aos 47’, Urreta, isolado por Gaitán, tentava assistir Lima já na cara de Gottardi e levava a bola a sair muito longa sem que o brasileiro pudesse emendar, perdendo-se assim uma excelente oportunidade de golo para decidir o jogo. Ainda com Urreta em evidência, aos 49’ de novo o uruguaio muito bem a romper a defesa dos insulares, a fazer a bola chegar a Salvio ao segundo poste, e este a assistir Enzo que de boa posição mas com o pior pé, rematava desviado. Nova boa oportunidade desperdiçada.

Benfica acercava-se da área do Nacional e controlava as operações, mas quando se adivinhava o golo dos encarnados... chegaria o empate do Nacional. Contra-ataque dos insulares aos 54’, cruzamento da direita com Keita ainda a falhar o primeiro remate, mas a bola a chegar a Mateus que ao segundo poste rematava por baixo do corpo de um Artur em desequilíbrio, deixando-o mal na fotografia, e devolvendo a igualdade ao marcador.

Acusava naturalmente o golo o Benfica que tentava responder logo de imediato mas sem sentido colectivo e apenas por intermédio de acções individuais. Como aquela aos 54’, em que Gaitán rompia pelo meio e ganhava nova falta em zona frontal, lance que valia a admoestação de Miguel Rodrigues. Chamado à conversão, Garay atirava forte mas ao lado do poste esquerdo da baliza de Gottardi.

Pedro Proença lá desencantava mais um livre lateral nas imediações da área encarnada aos 56’, do qual na insistência o remate de Diego Barcellos acabava por sair muito ao lado da baliza de Artur, e notava-se nesta fase do jogo que o Benfica ia estando exposto aos contra-ataques do adversário. Com bolas perdidas e ainda com algumas aberrações de Proença, como aquela que derivava de uma falta sobre Luisão por assinalar, as jogadas junto à grande área encarnada iam-se sucedendo.

Com o Nacional melhor na partida, aos 57’ e depois de novo cruzamento de Candeias da direita, surgia novamente algum perigo junto à baliza de Artur. Ainda assim Manuel Machado mexia novamente aos 61’, fazendo Miguel Rodrigues sair para dar o lugar a Ali Ghazal, enquanto que do lado encarnado era Urreta quem saía para a entrada de Cardozo.

Prosseguia o Nacional na procura do golo, aproveitando o espaço concedido e as bolas perdidas pelo adversário para lançar alguns contra-ataques como aquele aos 62’ do qual Artur apesar do esforço cedia canto, e o Benfica apenas responderia aos 65’, ainda que da incursão de Maxi e do canto respectivo nada resultasse mais uma vez.

Tentava carregar o Benfica, não autorizava Pedro Proença com sistemáticas interrupções, quebrando ritmo e não autorizando a marcação rápida de um livre aos encarnados. Com a defesa insular já organizada, Gaitán cruzava mais uma vez para novo alívio dos insulares.

Ia previlegiando a ala direita o Benfica, aos 69’ Maxi descia pelo flanco e do lance resultaria novo canto, desta feita do lado oposto, e ainda antes da marcação operava-se a última substituição do Nacional decorrido que estava o minuto 70; Revson saía e cedia o lugar a João Aurélio. Da marcação do canto, Luisão levava o perigo à área dos insulares, quase fazendo a bola chegar a Gaitán que ficava a centímetros de encostar.

Ameaçava o Benfica mas faltava clarividência, e aos 73’ Gaitán descobria o recém-entrado Cardozo para em esforço rematar para nova defesa decisiva de Gottardi, que ameaçava já nesta altura ser o homem do jogo. Com muito coração mas com pouca cabeça o Benfica ia falhando passes e perdia por isso alguma profundidade, e sem grandes soluções aos 77’ era Matic quem tentava uma bola nas costas da defesa do Nacional, do qual resultaria novo canto a favorecer os encarnados.

Aos 78’ era Lima quem descobria espaço no meio e rematava fortíssimo mas ao lado do poste esquerdo da baliza de Gottardi, e com a ansiedade cada vez mais a apoderar-se dos jogadores do Benfica de novo canto a favorecer os encarnados aos 80’ nada resultava à primeira, mas na insistência Luisão permitia a Cardozo alvejar a baliza do Nacional, mas para nova boa defesa de Gottardi.

Faltava mais Salvio na direita, cujos cruzamentos nem sempre iam estando bem direccionados, e respondia o Nacional depois de mais uma bola perdida, designadamente aos 83’, lance culminado com um remate de longe que Artur encaixava sem grande dificuldade. De novo o Benfica na procura de golo, a beneficiar de novo canto na esquerda aos 84’ depois de esforço de Matic, e novamente de insistência tentava alvejar a baliza adversária, levando o remate a embater num adversário e a sair pela linha lateral. Pedro Proença no entanto não via e depois de marcado o respectivo pontapé de baliza, aos 85’ de novo o Benfica na procura do terceiro golo, desta vez com Lima na direita a cruzar tenso sem que ninguém chegasse para a emenda.

Com cada vez mais ansiedade, pedia-se penálti sobre Gaitán quando o argentino nas alturas acaba por ser abalroado por um jogador adversário, e acentuava-se o domínio do Benfica. Aos 87’, de novo Gottardi a revelar-se decisivo quando Cardozo assiste Salvio que remata para grande defesa do guarda-redes da equipa anfitriã.

Aos 89’ estalava o verniz, com o jogo parado Cardozo ao tentar reaver não aceitava de ânimo leve o anti-jogo do jogador insular e depois de o pontapear e de algum espalhafato do seu adversário acabava mesmo por ser expulso. Vermelho directo para Cardozo, segundo amarelo para o seu adversário, e ambas as equipas reduzidas a 10. Visivelmente irritado, Cardozo ainda agarrava Pedro Proença e instalava-se a confusão, e reatado o jogo, na marcação do canto Lima via João Aurélio tirar-lhe o pão da boca in extremis, ao qual se seguia o anti-jogo de Gottardi, que trazia ainda mais nervos à recta final da partida.

Com cinco minutos de tempo de compensação mas com mais coração do que cabeça o Nacional conseguiria manter o perigo longe da sua baliza, e ainda antes de o jogo terminar e depois de nova troca de Kardec por Maxi Pereira, nova invencionice da equipa de Pedro Proença; lance dividido entre Matic e Candeias, encenação de Candeias e o mesmo assistente que não vira a grande penalidade na primeira parte a descortinar agressão do sérvio. Vermelho directo e uma recta final em beleza...

Pedro Proença apitaria de seguida para o final do jogo e confirmava a perda de dois pontos por parte dos encarnados, que viam ainda Cardozo e Matic fora do(s) próximo(s) confronto(s), expectável sendo que o Benfica, contrariamente ao SC Braga, não verá o CD rectificar a decisão incorrecta da equipa de arbitragem.

Na flash interview, Urreta defendia que o Benfica tem sempre de ganhar em todos os campos, mas que todos sabem que ainda estão muitos pontos em disputa e os jogadores têm de estar tranquilos. O uruguaio, que assinou uma boa exibição, defendia ainda que já sabiam que ia ser difícil.

Manuel Machado, visivelmente satisfeito por ter conseguido uma vingançazinha pessoal, apresentava-se invulgarmente ofegante e contrariando o seu habitual discurso monocórdico defendia que este era o elã necessário que a sua equipa precisava, e Jorge Jesus por seu turno dizia que esperavam um jogo intenso, difícil, e que depois de terem entrado a perder conseguiram o mais difícil que era inverter o resultado. Defendia no entanto o técnico encarnado que no melhor período sofreram o 2-2 depois passou a jogar-se contra o tempo, tendo ainda algumas oportunidades não concretizadas. Comentário ainda ao reflexo das expulsões, defendeu que fruto das mesmas os 5/6 minutos finais não revelaram poder ofensivo da sua equipa, e quanto a eventuais repecussões deste empate disse não vir a afectar no futuro. O técnico subscreveria ainda que o título não se decidirá na penúltima jornada e quanto à actuação da equipa de arbitragem nem um comentário.

Comentário Final: Quer a estrutura quer os adeptos sabiam que face às envolventes que começaram a surgir de vários lados, que iria ser um jogo difícil e só um Benfica quase a roçar a perfeição poderia alimentar veleidades de sair da Choupana vitorioso. Até porque havia Pedro Proença...

Foi de facto um jogo complicado por que o Benfica entrou praticamente a perder. Desconcentrados, hesitantes, lentos e permeáveis, os encarnados deram todos os trunfos ao Nacional que nos primeiros 5 minutos já tinham construído 3 oportunidades. Reequilibrado o marcador ainda que com felicidade quando já se notava algum crescimento da equipa, os encarnados tiveram então um bom período e haveria de chegar ao desempate através de um livre superiormente marcado por Urreta e assim se chegou ao intervalo.

Esperava-se, como é evidente, que no recomeço o Benfica persistisse na procura do 3º golo que poderia matar o jogo de vez e que esteve por várias vezes para acontecer mas, como noutras ocasiões, foi o Nacional que chegou ao empate com Artur a não ter feito tudo o que estava ao seu alcance para o evitar.

A partir daí o jogo só teve um sentido com o Benfica a atacar e o Nacional a responder através de contra-ataques, com os encarnados com pouca cabeça e muito coração mas ainda assim a criarem várias oportunidades uns defendidas por Gottardi e outras desperdiçadas ao lado da baliza.

Finalmente, nos 5 minutos finais apareceu Pedro Proença que até aí só tinha dado umas pinceladas do seu incomensurável talento e então sim. Sem punir um braço na bola que daria penalty nem o anti-jogo (no final) dos jogadores do Nacional que acabaram por dar origem à expulsão (justa) de Cardozo, haveria de cumprir o pedido de várias famílias; Querem o Matic expulso? Então contem comigo.... Valeu na circunstância que Maxi Pereira se portou como um menino de coro, senão... bem chega de poluição...

Exibição global do Benfica uns furos abaixo daquilo de que é capaz, sendo que o empate resulta essencialmente de culpas próprias.

Garay na defesa, Matic no meio campo e Lima no ataque apesar de infeliz, foram quanto a nós os que se aproximaram mais do seu rendimento habitual.
















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