Ponto Vermelho
Vitória tão justa quanto merecida
16 de Maio de 2016
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1. Concluiu-se com o desfecho mais lógico, a maratona de 34 jornadas do Campeonato de Futebol da I Liga. O Benfica sagrou-se vencedor e com isso alcançou o tri, situação que já não ocorria desde o longínquo ano de 1977, numa altura em que ainda disfrutávamos dos ecos e sabores recentes da Revolução de Abril. É pois altura de enfatizar o mérito dos vencedores, sobretudo pelas condições adversas que teve de enfrentar ao longo de todo o caminho, com especial ênfase nos primeiros passos da época.

2. Regressando aos primórdios, nada fazia prever a época de sucesso que se seguiria, pois todos os indícios e desenvolvimentos apontavam para o fracasso. Novo treinador, mudança de paradigma com maior aposta na formação, deficiente planeamento da pré-temporada com saltos de país para país e fusos horários diferentes, lesões constantes de jogadores nucleares com algumas a prolongaram-se no tempo, e, como se tudo isso não bastasse, a disputa imediata da Supertaça com a equipa do seu ex-técnico com preparação mais adiantada devido à disputa do play-off de acesso à Champions.

3. Foram tempos difíceis que levaram muitos benfiquistas a desacreditar porque a manutenção de um técnico (qualquer que ele seja) à frente dos destinos de uma equipa por um longo período temporal (nada habitual em Portugal acrescente-se), deixa sempre marcas de vária ordem. Até porque, apesar de não ser esse o cenário rigoroso, tal só acontece se a equipa registar sucesso que, no caso vertente, atingiu os 50%. Contudo, esta taxa teria sido drasticamente reduzida se L.F. Vieira tivesse dado ouvidos aos muitos que reclamavam a cabeça do técnico. Se isso tivesse acontecido, será que muito do banzé que se seguiu teria tido lugar? Ninguém o poderá prever, mas a lógica aponta para que a resposta fosse esmagadoramente negativa.

4. Mas o futuro obedeceu a outra sequência e é com essa que teremos que lidar, como sempre com antagonismos criados e fomentados pelos animadores de tertúlias, a que certas personalidades pseudo-excêntricas aderiram com entusiasmo, ao ponto de se apaixonarem pelas luzes da ribalta mesmo que isso seja apenas fogo de vista para massajar egos desmedidos e descontrolados que numa cadência crescente se consideram o centro do universo, onde mais nada nem ninguém poderá fazer a mais leve sombra. Um verdadeiro regabofe ilustrado por alguma comunicação social que sempre disso gostou, ou não fossem as caixas um objectivo tão perseguido…

5. Foi nesse cenário conjugado pelos naturais problemas e vicissitudes próprias que se desenrolou a participação do Benfica numa época que se adivinhava muito complicada e exigente. E, de facto, os primeiros tempos pareciam confirmar os vaticínios pessimistas de muitos. Foram largos momentos de dúvidas e até de frustrações em que vieram à tona resultados consecutivos desfavoráveis com o rival. Pelo meio, lesões e mais lesões algumas delas de efeito prolongado que vieram ainda complicar mais a já de si tão difícil tarefa.

6. Quando quase todo o mundo convergia no vendaval de críticas que se abatia sobre a equipa, muito poucos para além da estrutura e sobretudo do plantel, acreditavam no seu trabalho e na possibilidade forte de vir a dar a volta por cima. É pois difícil definir o momento preciso da viragem, sendo que têm vindo a ser apontados diversos factores; a vitória em Braga, a vozearia vindo do outro lado da 2.ª Circular, etc, etc. Admitimos que tenham tido influência, mas terá sido porventura no cerrar de fileiras e no fortíssimo apelo que ecoou pelo balneário que residiu a chave da reviravolta.

7. Mérito de toda a estrutura da equipa a começar pelo treinador e restante equipa técnica, presidente e os adeptos que se viriam a tornar incansáveis na vaga de apoio que se fez sentir de Norte a Sul do País, na Madeira e em todos os cantos do Mundo onde o Benfica se deslocou. Ainda que o grau de importância seja obviamente diferente, foi sem sombra de dúvida uma vitória de todos. Merecida pela dinâmica criada, pela pulverização de todos os recordes e pela inequívoca demonstração de que querer é muitas vezes poder. No Benfica, esta época, cultivou-se o plural, ao contrário do passado recente em que poderia ser aplicada a teoria de John Kennedy: "A vitória tem mil pais, mas a derrota é orfã".

P.S. - Neste momento de legítimo orgulho para os encarnados, permitam-nos recordar teses antagónicas de dois grandes benfiquistas. A primeira refere-se a Marta Rebelo que tanto sugeriu Rui Vitória para treinador do Benfica antes de ele aportar à Luz, e a segunda Ricardo Araújo Pereira que considerou um erro histórico a saída de Jesus. A Marta porque o presente está a dar-lhe razão, e o Ricardo porque, felizmente, se enganou. A esta hora estarão, estamos certos, orgulhosos do percurso e dos resultados do Benfica.






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