Ponto Vermelho
Esperança num futuro desportivo melhor!
18 de Maio de 2016
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Em Portugal, para além de outras coisas, continua a faltar cultura desportiva. Se isso acontece nas camadas menos informadas e por isso mais permeáveis ao ruído engendrado por algumas centrais de intoxicação, já custa mais a engolir quando se trata de gente alegadamente culta e informada. A desculpa tradicional – a emoção do futebol que tolda espíritos – não justifica tudo, porque se todos temos o direito a errar e a cometer excessos quando se trata de futebol, assiste-nos o direito e o dever de pugnarmos por um desporto mais esclarecido, mais saudável e menos ruidoso, porque só essa atitude contribui para o seu progresso e desenvolvimento. Independentemente das opções clubísticas de cada um.

O campeonato que ora terminou foi um bom exemplo do que não deve ser feito. Apesar de ser uma constante que apenas varia na intensidade das polémicas pré-fabricadas, não nos lembramos de tantas controvérsias a propósito de tudo e de nada, sendo que o denominador comum – as arbitragens – levou mais uma vez vantagem, com os calimeros do costume a debitar prosas inflamadas que, por falta de consistência, se foram perdendo com o desfazer da espuma do tempo, mesmo a despeito de evocadas desde o princípio. Se a prática era haver sempre reacções quando não se conquistavam os três pontos da ordem, neste campeonato houve nuances pois passou também a haver quando se ganhava. Mas só nos lances em que havia supostamente prejuízo, porque nos outros…

Não existem dúvidas que, para além da tal falta de cultura, um dos maiores factores de desestabilização é o escrutínio exaustivo e os debates que se seguem aos jogos. Sendo que aparte os jogos do Benfica em casa (uma situação que, infelizmente, terminou esta época), todos os outros (salvo excepções noutras provas), competem exclusivamente à Sport TV por força de deter os direitos de transmissão. E a realidade é que esta estação nos habituou a péssimas transmissões com repetições a destempo e sem interesse e má colocação das câmaras em determinados lances capitais que deixam a dúvida no ar, justamente para provocar discussões intermináveis que baralham e confundem mais do que esclarecem. Se alguma vez vier a ser introduzido o vídeo-árbitro, esperemos que as imagens a analisar nunca sejam as daquela estação…

Estando já a próxima temporada em gestação, para além das declarações tímidas e de circunstância do Presidente da Liga, temos as eleições Federativas. Existem expectativas relativamente à Disciplina e à Arbitragem que mudam de presidentes e de composição, mas as mudanças, a haver, deverão ser acompanhadas por três vectores fundamentais: o necessário ajustamento dos regulamentos e estricto cumprimento dos mesmos, um critério coerente nas nomeações das equipas de arbitragem com a defesa intransigente mas não corporativa dos seus actores e, finalmente, uma disciplina a ser interventiva e rápida nos excessos que esta época ultrapassaram tudo o que seria expectável. Por outro lado, deverá haver uma preocupação constante de sensibilização dos vários agentes desportivos para não produzirem ruído excessivo, seja verbal ou por qualquer outra via de comunicação. E, caso aconteça (o que por experiência deverá vir a suceder), uma punição rápida e eficaz tendente a matar o mal pela raíz.

Estamos expectantes porque é sempre possível em qualquer tempo, fazer mais e melhor. Os problemas estão todos grosso modo identificados e, admitindo mudanças, é altura de os atacar e resolver antes que eles se transformem em bolas de neve irresolúveis. Mas para isso é necessário coragem, determinação e vontade de afrontar, se e quando necessário, alguns pés de barro e interesses instalados que permanecem em vários tabuleiros vitais. Se isso começar desde logo a ser empreendido, estamos convictos que o futuro tenderá a ser mais aberto, risonho e promissor. Afinal, no interesse de todos ainda que isso possa parecer contraditório para alguns.










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