Ponto Vermelho
Época normal repleta de ’velhas’ nuances
24 de Maio de 2016
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1. Concluído o último jogo para o título derradeiro no palco idílico do Jamor com o brilho e o glamour habituais quaisquer que sejam os intervenientes da final, a qual, apesar de algumas tentativas (débeis e sem nexo, acrescente-se) do requentado protagonista do costume para a despromover a princesa e invalidar um local emblemático que é e será sempre de todo o país sem exceção, está encerrada a temporada no que a provas de clubes profissionais diz respeito. Fica apenas por disputar a mais importante delas todas –a Liga dos Campeões –, sendo que de seguida concentrar-nos-emos nos palcos franceses onde decorrerá a mais mediática prova do futebol do Velho Continente e, de forma mais residual, na Copa América nos Estados Unidos.

2. Quando titulámos normal, tínhamos em mente a nossa prolongada habituação aos truques, esquemas, manipulações, boatos e mentiras que costumam caracterizar as nossas épocas desportivas, sendo que a única e verdadeira grande alteração de fundo foi a mudança de tonalidade de azul para verde, muito embora tenhamos que reconhecer sem grande dificuldade, que as tentativas que começaram a ser ensaiadas na época anterior e tiveram o seu pico nesta, ficaram muito aquém em todos os aspectos das projectadas e desenvolvidas por Pinto da Costa nos seus tempos áureos de príncipe com rotinas de se sentar no trono. Nem o estágio e maturação nas Antas de dois dos elementos da estrutura leonina mais activos conseguiram beber e assimilar a técnica

3. Na realidade, o Benfica voltou a conquistar o título sendo relevante a forma como o conquistou, para além da importância de que se revestiu pois, ao vencer o tri, voltou a alcançar um marco histórico 39 anos depois. De resto, troca apenas entre os 2.ºs e 3.ºs classificados com o Sporting a situar-se furos acima do FC Porto que voltou a desiludir pela 3.ª temporada consecutiva. No que respeita a títulos e para as estatísticas internas, temos pois o Benfica a conquistar 2 (Campeonato e Taça da Liga), SC Braga 1 (Taça de Portugal), Sporting 1 Troféu (A Supertaça relativa à época anterior, acabando por ficar a perder pois passou de 1 título para apenas um troféu…), sendo que ao FC Porto restou-lhe a consolação de ter conquistado o Campeonato da 2.ª Liga.

4. Temos assim em perspectiva uma nova época aliciante, importando, em primeiro lugar avaliar o impacto das saídas que aparte a especulação sempre habitual nestas circunstâncias não deixarão de acontecer e, a confirmarem-se, como irão ser colmatadas. Nos dois grandes de Lisboa a direcção técnica já conhece os cantos à casa e está estabilizada, havendo reforço de poderes do treinador leonino que, pelos vistos, tem vindo a frequentar cursos intensivos para se poder afirmar noutros tabuleiros que não sejam só os dos aspectos técnico-tácticos do futebol. No FC Porto a questão dá azo a especulações pois estão em discussão várias componentes, que vão desde o treinador passando pela composição do próprio plantel, sabendo-se que depois do velho ditado de que não há duas sem três ter sido pulverizado, exige-se a máxima ponderação.

5. São cenários que irão evoluindo à medida que o tempo vai decorrendo até porque existem sempre factos de natureza exógena não controláveis por mais preparados e avisados que estejam os dirigentes. Seja o que for que vier a ser concretizado e do ponto de vista do simples adepto do futebol jogado apenas dentro das quatro linhas, aguardamos com convicção e com alguma esperança, apesar de tudo, que os aspectos mais negativos da temporada anterior possam no mínimo ser atenuados por forma a passarmos a ter um campeonato "normal", não só para aqueles que estão habituados à bagunça, mas também no verdadeiro sentido do termo para que o campeonato português possa ser visto com olhos mais optimistas pela Europa do futebol…










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