Ponto Vermelho
O mundo plural dos benfiquistas!
26 de Maio de 2016
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Nos últimos dias causou alguma agitação na blogosfera benfiquista as declarações/justificações do conhecido adepto encarnado Ricardo Araújo Pereira (RAP), tal como no início da temporada tinha sucedido com o mesmo protagonista, quando numa previsão apocalítica sem precedentes tinha catalogado a saída de Jorge de Jesus de erro histórico. Como as suas previsões pessimistas não se concretizaram, felizmente, era expectável que depois do alarme que arregimentou seguidores e deu lugar a cépticos e críticos, RAP viesse a produzir, mais cedo ou mais tarde, novas declarações sobre o tema.

Começamos por referir que apesar de não concordarmos e acharmos prematuras as suas então afirmações catastróficas, a RAP ou a qualquer outro adepto benfiquista mesmo até o mais anónimo, assiste-lhe o direito e o dever de explanar as suas ideias sejam elas quais forem, desde que o faça de forma ordeira, objectiva e factual, não importando se de apoio ou de crítica, pois o universo democrático e plural dos benfiquistas assim se habituou. Até porque, o objectivo supremo é e deverá ser sempre, o de contribuir para o engrandecimento e desenvolvimento do Benfica enquanto Clube de topo, não se resumindo como alguns querem fazer crer, aos críticos ou apoiantes do Presidente da Direcção que nesse momento dirija os destinos do Benfica.

RAP, ao abrigo dessa pluralidade, limitou-se a exprimir a sua opinião e o assunto só ganhou dimensão por se tratar de uma personalidade mediática. Gerou apoios e motivou desencontros, uma situação que não deixa de ser também normalíssima. Todos sabemos que o futebol é o momento no qual revelamos emoções muito próprias quando se trata do Clube por quem nutrimos paixão sem limites, que em várias ocasiões nos leva a reagir de forma intempestiva e nem sempre com o discernimento adequado às circunstâncias. Acontece com todos e quem se julgar imune a esta fraqueza que dê um passo em frente e atire a primeira pedra.

Nessa perspectiva não se esperaria troca de ideias tão acesa que só se justifica por haver adeptos que resolveram apanhar a boleia do tema para ganharem lugar nas fileiras da luta anti e pró Luís Filipe Vieira, como se tudo o que acontece de bom ou de menos positivo no Benfica se resumisse a essa simples dicotomia. O Benfica deve ser sempre o único farol a guiar-nos, devendo-nos por isso concentrar em nós próprios em primeiro lugar, e só depois, se e quando necessário, nos adversários e nos inimigos externos sem abdicarmos, como é óbvio, de estarmos vigilantes e do nosso direito e da nossa obrigação de avaliarmos acções, decisões e desempenhos. A todo o tempo.

Contrariamente ao que alguns poderiam esperar, RAP não fez nenhum acto de contricção, o que parece revelar que ele mantém de alguma forma a tese expendida no princípio da temporada. O que só revela coerência, um acto que não está verdadeiramente ao alcance de todos. Eventualmente, muitos benfiquistas não concordarão com essa visão maniqueísta, outros nem tanto, mas isso só revela a grandeza e a independência de grande parte dos adeptos encarnados de pensarem pela sua cabeça, aparte de quem produza as opiniões ou sustente teses por mais fortes que sejam.

Não podemos entretanto deixar de referir, que consideramos demasiado perigoso optar por julgamentos antecipados sejam eles contra ou a favor, muito antes de se conhecer a verdadeira essência das coisas. A precipitação foi sempre má conselheira e isso tem levado a dissabores que noutras circunstâncias em que a ponderação tivesse tido lugar bem poderiam ter sido evitados, com vantagens para todos. Mas isso, lá está, deriva muitas vezes da emoção do momento que conduz a reacções destemperadas que a nada conduzem, a não ser à constatação posterior de que, por acaso, acertámos ou falhámos redondamente. O que prova um facto essencial; que somos adeptos de corpo e alma antes de sermos pessoas








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