Ponto Vermelho
Continuemos…
30 de Maio de 2016
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O Mundo, as Sociedades e o Desporto evoluem quando a mentalidade dos Homens também o faz e persegue objectivos tão nobres e caros como o progresso, a igualdade de oportunidades, a evolução e o desenvolvimento, reduzindo assimetrias que grassam nas sociedades e nas organizações sejam elas de que tipo forem, fruto das insuficiências, dos erros e da ambição desmedida do ser humano. Se é certo que atingir a perfeição é uma utopia, persegui-lo como forma de tentar minorar os erros e limitar as consequências nefastas, deve ser sempre uma obrigação e um facto em cima da mesa. A toda a hora e em todo o tempo.

Todavia, não se podendo dizer que será de todo uma surpresa, a realidade é que os ciclos mais ou menos longos vão passando, os erros e as insuficiências persistem e os problemas de fundo continuam por resolver. Para tal, como mandam os manuais das boas técnicas informativas, novos factos e novos fait-divers vão sendo criados para distrair as atenções da populaça, sob a bonomia e a inacção da comunicação social credível, dado que a outra nem sequer justifica a menor atenção por estar demasiado arreigada a princípios e interesses que estão longe, muito longe, do minimamente aceitável. Já Vergílio Ferreira dizia que "Afirma com energia o disparate que quiseres, e acabarás por encontrar quem acredite em ti."

O mais frustrante disto tudo é sucederem-se as eleições e nalguns casos específicos e localizados os plebiscitos, sem que tenhamos a oportunidade de constatar perspectivas de vontade de começar a atacar as principais deficiências e lacunas existentes, como se as mesmas fossem uma questão irresolúvel. É por isso que o marasmo tem continuado e não dá mostras de ser atenuado, apesar das promessas de intenção das pessoas que vão desfilando pelos órgãos competentes. Reconhecem-se os males, criam-se expectativas para a sua extirpação, mas os mandatos decorrem e as questões de fundo mantêm-se por resolver. O problema principal é que esse status quo cria rotinas e habituação, a imagem do dolce far niente implanta-se e vai ficando, alternada com obras de fachada ou que, não o sendo, chegam com atrasos inexplicáveis.

Associada a todas estas questões está sempre uma intensa e bem urdida campanha publicitária que sensibiliza os espíritos e derrete até os corações mais empedernidos. Discreta q.b., transmiti-lhe um maior realismo na acção e no impacto calculado, sendo que os efeitos não se fazem esperar pois perante o silêncio frio e calculista dos chefes nas suas torres de marfim e nos esconsos corredores do além, os acólitos acorrem pressurosos a fazer o trabalhinho, enaltecendo os seus méritos e virtudes mesmo que o importante seja trabalhar para a promoção pessoal, cujos reflexos lembram estrelas candentes a cair imparáveis nesta pátria lusa...

Porque desistir é contribuir desde logo para que tudo fique na mesma, renovamos a despeito do pessimismo que advém da realidade do passado, a nossa esperança de que nos pode aguardar um futuro diferente para melhor, tendo no entanto sempre presente a constatação de Erich Fromm: "O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens se tornem autómatos". O facto das eleições federativas ocorrerem em pleno defeso pode ajudar a abrir nova janela de oportunidades no sentido de acalmar o espírito permanente de guerrilha existente a que urge pôr fim. Bem sabemos que não o será por decreto, mas é tempo de o presidente federativo ser mais proactivo num campo específico em que a imagem pública que tem transparecido é de um certo alheamento. Mais gente e mais órgãos terão forçosamente que estar envolvidos, mas é tempo de ser dado um murro na mesa para arrumar uma casa que tem primado por estar demasiado desarrumada…










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