Ponto Vermelho
No desporto como na sociedade…
1 de Junho de 2016
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Ao abrigo do incorrigível optimismo de muitos, apesar de tudo, fazemos sempre por acreditar que o hoje é melhor que o ontem e que o futuro será mais arejado. E nem as frequentes surpresas com que somos regularmente confrontados nos fazem esmorecer da nossa esperança e da nossa crença, convictos que a aceitação passiva de factos anómalos e risíveis tão frequentes, é meio caminho andado para a submissão a um estado de circunstâncias que está muito longe daquilo que a sociedade nos seus ideais mais nobres pretende que sirvam de padrão às gentes desta nobre terra.

Não somos, de nenhuma forma, líricos ao ponto de pensar que as coisas mudam por um simples toque de varinha mágica. Os humanos para além de virtudes têm defeitos e interesses, e nada mais natural que se dispersem nas suas acções individuais e colectivas. Para além da cada vez mais importante e decisiva componente interesseira que os leva a tomar decisões incompreensíveis para o cidadão mais comum porque despidas de toda a lógica e do conceito de justiça que deveria presidir a quem tem a competência (e a responsabilidade) para decidir. Que agradam a uns e não a outros, mesmo que em certas circunstâncias as decisões tendam a ser salomónicas o que é, convenhamos pouco frequente.

O longo parto que culminou com a condenação do ex-Vice-Presidente do Sporting Paulo Pereira Cristóvão era previsível tendo em conta o manancial de provas que foram reunidas e que foram surgindo nos vários órgãos de comunicação social nas habituais fugas à justiça que faz com que os arguidos sejam julgados e condenados aos olhos da opinião pública muito antes dos tribunais competentes comprovarem os alegados ilícitos. É uma prática que já se tornou corriqueira mas subversiva que muitos aplaudem, até ao dia em que lhes bater à porta. Aí talvez já não sejam tão curiosos, passem a ter opinião diferente, e gostem de aplicar a presunção de inocência…

Como estamos recordados, esta questão tinha duas componentes e desenvolvia-se em dois tabuleiros distintos; nos tribunais comuns onde decorria a respectiva tramitação, e na justiça desportiva dado envolver um conjunto alargado de agentes desportivos. Assim sendo, para a lógica do cidadão normal atendendo à prática e aos antecedentes, seria expectável que a última não resolvesse coisa nenhuma e mantivesse o processo congelado até que os tribunais comuns se pronunciassem. Só que, inexplicavelmente, a justiça desportiva apressou-se a dar o caso como encerrado a despeito de todas as evidências que recomendavam a maior prudência na abordagem.

Concluída esta fase que apontou para a condenação de Cristóvão e aparte os argumentos expendidos pelo tribunal para a ilibação do Sporting enquanto Clube que são o que são, venha ou não a haver recurso, face aos regulamentos desportivos em vigor há matéria suficiente para que a justiça desportiva deva reabrir o processo dado que a decisão do tribunal encerra matéria condenatória que se enquadra, de forma inequívoca nos regulamentos desportivos em vigor. Ficamos por isso na expectativa do que irá acontecer a seguir, muito embora já estejamos habituados a que aconteçam as situações mais estranhas e bizarras.

Seja-nos permitida a ignorância de especular com o tema. Em todas as épocas e num número infindável de jogos, é frequente os clubes (sejam visitados ou visitantes) serem penalizados por atitudes e actos de pretensos adeptos, bastando para isso que tenham uma camisola vestida ou agitem a bandeira ou o cachecol do clube. Ora, sendo assim, a questão que se coloca é se Cristóvão teria praticado os actos provados em tribunal se não fosse dirigente do Sporting ou, ao praticá-los quem pretendia favorecer; a sua pessoa ou o Sporting? Então?!!!...

É evidente que com o processo eleitoral a decorrer para a Federação Portuguesa de Futebol, os órgãos desportivos a cessar funções têm uma boa oportunidade para, mais uma vez, nada fazer e deixar o ónus da acção e da decisão para os seus sucessores na linha, aliás, do que vulgarmente acontece em muitas outras áreas. Seja como for, é com curiosidade que aguardamos o desfecho deste tema que não deixará de ter reflexos no futuro sobre a credibilidade que todos pretendemos para a justiça seja ela de que tipo for. Pior será impossível…






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