Ponto Vermelho
Alucinações
5 de Junho de 2016
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Acreditamos não serem irreversíveis os danos causados nos vários tabuleiros da vida nacional pelos que se julgam iluminados e por outros no oposto que por deficiente formação, demasiada ingenuidade ou manifesta credulidade não acompanharam a natural evolução da vida. À luz de interesses muito diversificados, implantou-se uma obsessão que passa por tentar siderar tudo o que mexe, dificultando assim a criação de algo palpável e duradouro que nos sirva de lenitivo no presente e de objectivo a atingir no futuro. A obscuridade em que alguns vivem e tentam propagar, sempre foi a nossa imagem de marca desde os primórdios, mas temos que reconhecer que se agravou até atingir níveis impensáveis nos primeiros 4 anos da presente década em que o reaccionarismo atingiu, de novo, o auge.

É certo que o Mundo e o Velho Continente em particular vivem uma crise existencial sem precedentes que se tem, continuamente, acentuado e criado desigualdades nunca vistas. É também verdade que a muitos dos cérebros que o acaso lhes concedeu poder, influência e lugares de destaque, lhes falta bom senso, equidistância e competência para olhar para o Mundo de forma racional e com um mínimo de equilíbrio. Mas cientes dessas circunstâncias adversas e do escassíssimo poder de que dispomos, assiste-nos o direito e o dever de tentar fazer mais e de preferência melhor, abandonando as teses miserabilistas que a toda a hora nos têm sido vendidas. Esse deve ser um desiderato sempre presente na mente de todos nós.

As migalhas que por vezes caem das várias mesas do poder ainda que diluídas são, como se sabe, sofregamente disputadas. Porque há que sobreviver a cada dia e a vida está complicada pois tudo deixou de ser razoável e definitivo. Compreendemos, até certo ponto, essa necessidade de salvaguardar o imediato. Mas essa acção que fortalece e fomenta o egoísmo acaba por se tornar contrapruducente na medida em que, mais tarde ou mais cedo, acaba por se virar contra nós próprios e contra cada um em particular. O eu como factor potenciador de todos os egoísmos nunca deverá prevalecer pois, em todos os sectores, as equipas mesmo com diferenças entre os seus membros e interesses por vezes antagónicos, são a única solução para se atingirem objectivos conjuntos que se reflectem no bem estar individual.

Tem vindo a incentivar-se o decalque e aquilo que geralmente é tido como troca de ideias de onde seria crível e lógico que se chegasse a conclusões que serviriam para nos indicar o caminho a seguir no sentido de melhorar o que de negativo ou menos bom é constatado. Debalde! O que se lê, vê e ouve, são intermináveis altercações vazias de conteúdo e onde a falta de educação e a linguagem rasteira fazem regra. Em contrapartida aumentam as audiências. A opção pelo rasca já faz parte intrínseca do nosso quotidiano, ou não acontecesse todos os dias em doses maciças e a toda a hora, com especial ênfase no chamado horário nobre.

Fica, evidentemente, ao critério de cada um. Argumentam os defensores do ruído e da desinformação que só vê, ouve ou lê quem quer. É de facto uma opção que na prática não funciona a não ser para uma escassa minoria. Mas qualquer povo necessita de evolução constante e só com a prestação de uma boa informação (quer dos que a geram e promovem, quer dos que a veiculam), se pode aspirar a esse macro objectivo. Ora o problema é que ambos, por agendas próprias e por interesses espúrios desvirtuam-no, sendo que muitos dos destinatários incapazes de discernir, ainda ampliam mais o eco e com isso interiorizam e divulgam factos e notícias com elevado grau de falibilidade. Já sem considerar teses pessoais tidas como verdades universais…

Querem dois exemplos no desporto? Ao abrigo do principal passatempo nacional – a inveja –, todos temos presentes a campanha orquestrada sobre Renato Sanches em que foram utilizadas, até por gente que já devia ter juízo, os mais ignóbeis argumentos que passaram, entre muitas outras coisas, pela escolha de favor para o Europeu. Pois bem; a partir do momento em que assinou pelo Bayern de Munique tudo se modificou e até já é reclamada a sua titularidade na Selecção! Noutra vertente, num assunto comezinho - o processo intentado pelo Benfica contra Jorge Jesus –, afadigaram-se os anti-Benfica em tentar demonstrar a falência do processo. Será que não enxergaram que a marcação do julgamento indicia precisamente o contrário?








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