Ponto Vermelho
Abandonemos a vil tristeza
9 de Junho de 2016
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Os últimos tempos, para variar, têm sido férteis em acontecimentos fúteis. Uma normalidade do defeso, pois há muitos que se sentem deslocados e fora de contexto mal o campeonato termina. Uma Liga que nada de transcendente trouxe a não ser a troca do vice-campeão, mas isso serviu aos ávidos leoninos com acesso aos meios de comunicação social para enfatizarem os sucessos do Sporting que, olhando e vasculhando bem, não vislumbramos quais tenham sido. Uma derrota em toda a linha do melhor cérebro actual do futebol, que os esforçados seguidores tentaram num esforço inaudito transformar num êxito sem precedentes…

Bem sabemos que nos conflitos o mestre sente-se como peixe na água. Aqui chegados, temos dificuldade na opção sobre o caminho a seguir: Se devíamos rir a bandeiras despregadas para o que precisaríamos de concentração e de algum esforço, se devíamos pugnar pelo silêncio recolhido dada a natureza provocatória da mensagem. Optámos por uma situação intermédia sorrindo pela desfaçatez e, ao fazê-lo, assumimos uma postura que reconhece que este mundo com que lidamos, é deveras sui-generis na fraseologia e nos actos de pura basófia que caracterizam algumas personagens.

Longe de nos entristecer pelos disparates, aquelas tiradas levam-nos a acreditar que apesar de alguns quererem circunscrever o nosso mundo a essa vil tristeza fruto da lhaneza contraditória de alguns dos espíritos envolvidos, o presente e o futuro apresentam-se com um horizonte bem mais abrangente e optimista do que preconizam. Aliás, nos últimos dias, vimos serem fortemente criticados alguns dos altos representantes deste País, por se terem atrevido a manifestar publicamente um optimismo que contraria o pessimismo de uma forte corrente que afecta os portugueses ao longo dos séculos.

Recusamo-nos a acreditar que sejamos mesmo assim, embora reconheçamos a influência maléfica que tais doses pessimistas sistemáticas têm causado aos habitantes deste País. Não será certamente por acaso que nos recentes estudos divulgados, os portugueses aparecem caracterizados como o povo mais triste. Lá está o fatalismo a aparecer como pedra de toque para justificar estatísticas, não havendo o cuidado de tentar saber as razões que levam a essas conclusões e quais as eventuais soluções futuras para minorar uma questão real que tem razão de ser. Urge pois passar à frente.

Os casos multiplicam-se e nem as duas provas de expressão mundial como o Campeonato da Europa e a Copa América distraem os que, acima de tudo, se esforçam por apresentar as debilidades do futebol português. Aqui chegados, fica a sensação para os mais distraídos de que ao termos ultrapassado as fronteiras terrestres com a Espanha ou nos aventurarmos pelo imenso Atlântico, vamos deparar com um mar de rosas onde não existem problemas e tudo gravita numa atmosfera de paz, harmonia e de progresso. Não se estranha pois somos confrontados de forma diária com doses maciças dessa verborreia, onde alguns se comprazem com a demonstração de que dizer mal do país é o equivalente a ganharem uma medalha…

Está em acesa discussão mais um dos imbróglios que fazem as delícias de muitos, porque há sempre um qualquer tribunal deste país que resolve contrariar as decisões de outras instâncias nomeadamente as desportivas. Não estão obviamente em causa as resoluções em si mesmas mas, tendo em conta a quantidade de revogações de decisões dos órgãos de justiça desportiva pelos Tribunais do Estado, será que não nos deveremos interrogar sobre a bondade dessas decisões? Ou será que deveremos considerar mais estes últimos mesmo que estejam afastados da complexidade do meio?

Passemos à frente. Quer queiramos quer não, há neste momento alguns responsáveis a fomentar o optimismo de forma saudável. Estamos com eles. Se não acreditarmos no presente como porta para o futuro, então estaremos condenados e entregue à histórica tristeza que tem feito parte do nosso quotidiano. É verdade que estamos rodeados de problemas de diversas tonalidades, é certo que há muito caminho a percorrer para os ultrapassar, mas continuarmos impávidos e serenos como se tudo estivesse bem, está muito longe de ser a solução. Quanto mais cedo abandonarmos o exclusivo da nossa quintinha, melhor poderemos enfrentar os desafios que o futuro nos coloca. Que são muito difíceis mas não inultrapassáveis. Vamos a isso?






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