Ponto Vermelho
Olhemos para a Selecção!
11 de Junho de 2016
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1. Fazemos uma pequena ideia sobre o que, neste momento, vai na mente de todos aqueles portugueses que não conseguem enxergar mais do que o seu Clube e têm enorme dificuldade em conviver com os períodos de defeso sem jogos nem sequer aqueles para entreter, em que o futebol se resume às grandes provas europeias e mundiais onde estão presentes as Selecções como é o caso da portuguesa no Europeu de França. Que terrível provação, em que nem as especulações diárias com saídas e aquisições conseguem amenizar. E ainda falta tanto tempo para a pré-época…

2. Enquanto dura esse suplício, a outra parte de adeptos que aprecia a diversificação não sendo por isso que passam a gostar menos do seu clube, olham de soslaio para a distante Copa América, mas dão outra atenção ao grande evento que se disputa em terras gaulesas onde, quer queiram quer não, estará presente a Selecção de todos nós e não propriamente a soma dos jogadores dos vários clubes. É uma diferença crucial apesar do esforço de muitos opinadores (jornalistas, cronistas, etc), que usam e abusam das referências aos clubes e às siglas com particular destaque para as que referem CR7 ou RQ20, por exemplo.

3. Depois de alguma depressão vivida no desafio com a Inglaterra, o último jogo com a Estónia na Luz serviu para atingirmos níveis de euforia a despeito de algumas vozes serenas e lúcidas como a de Fernando Santos que alertou, e bem, para uma exibição que revelou algumas insuficiências que urge corrigir (algumas até foram supridas no decorrer do desafio), em que o nosso opositor revelou fraquezas demasiadas que, como é óbvio, não irão surgir em França quando os jogos forem a sério.

4. O jogo deu para tudo. Grandes destaques individuais, números circenses e confirmações nos dois sentidos. Na cabeça de todos nós onde cabe sempre um seleccionador, temos a ideia e a certeza de quais seriam os jogadores a iniciar cada partida. É natural, pois se tal sucede nos Clubes, como seria possível não acontecer na Selecção? Até aí tudo bem, desde que a escolha de cada um de nós se pautasse por critérios racionais e objectivos e não apenas e só por questões de fanatismo clubista, o que infelizmente é muitas vezes o caso, a começar por todos aqueles que deveriam revelar isenção.

5. As pressões que tinham começado na escolha inicial, estão agora a aumentar para a opção inicial, à medida que decresce o tempo para o 1.º jogo com a Islândia. Essa será porventura a principal razão da pouca importância que alguns atribuem à Seleção que, é bom de ver, não se representa apenas a si própria; tem a dupla missão de confirmar os sinais de progresso que o futebol luso vem registando e, ainda mais importante, o tal país pobre e periférico… Há que confiar nas opções do Seleccionador e acreditar nos jogadores que entrarem em campo. Sejam eles quais forem!

6. Damos por isso de barato as entusiásticas opiniões que sempre se sucedem quando acontece um resultado de que resultou um manancial de golos para todos os gostos e paladares. Mesmo que tenha sido a feijões contra uma equipa indiscutivelmente fraca. E, também, para os malabarismos que só a natureza do jogo e o avolumar do resultado permitiram, pois nos jogos reais muito dificilmente serão permitidos. Olhando com realismo e atenção, temos que convir que, apesar do teste fácil, Portugal revelou lacunas na sua movimentação global, algumas das quais trazidas à colação pelo próprio Fernando Santos. O bom senso e um mínimo de patriotismo aconselham-nos a que acreditemos nas possibilidades da Selecção, muito embora algo distante das euforias que estamos a ver em alguns…








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