Ponto Vermelho
Acontecimentos sui-generis no nosso Futebol
13 de Junho de 2016
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Continuamos a alimentar a firme esperança de que, mais cedo ou mais tarde, haverá de chegar o dia em que o desporto e muito em particular o futebol português, entrará nos eixos. Aqui, estamos a incluir episódios, rábulas e casos que poderão acontecer em quaisquer das sociedades tidas como evoluídas, e que, fruto dos erros, insuficiências e das ambições desmedidas dos homens são sempre inevitáveis, quaisquer que sejam os horizontes temporais em equação. Mas esses, a acontecerem, tenderão a ser julgados com a justiça e a celeridade indispensável que neste momento está longe de acontecer. Contudo, não desistiremos desse desiderato essencial.

O requentado processo Mateus que dura há mais de uma década baloiçando entre a justiça desportiva e estatal é um dos casos que pela infeliz vulgaridade deixou de ser considerado como um caso paradigmático. Pelo contrário, pelos contornos, pela lentidão exasperante, pelas decisões contraditórias, pelas hesitações, afinal por tudo, merece, sem qualquer espécie de favor, figurar no álbum das resoluções mais controversas de que há memória no desporto em Portugal, rivalizando com dos mais famosos casos jurídicos do passado – o da «Herança Sommer».

Percebemos, sem esforço, que basicamente só os interesses subjacentes de alguns conseguem esticar até ao limite do ridículo estes processos que se tornam desgastantes. Até para os vencedores, pois isso implica para além da perseverança, uma convicção inabalável mas, igualmente um dispêndio de energias e de recursos humanos e financeiros que servem alguns e prejudicam de forma acentuada outros, já sem falar dos danos de imagem. Isto vem provar que estamos ainda muito longe de patamares minimamente aceitáveis, onde os processos se resolvam com a celeridade indispensável e apliquem a justiça em tempo útil que evite arrastamentos sem qualquer sentido.

Não está em causa, como é óbvio, as decisões em si mesmas, embora os leigos tenham dificuldade em compreender a disparidade das mesmas. Responderão os entendidos que é a Justiça a funcionar, mas se assim é, ao menos que sejam rápidos e equilibrados para que se evitem constrangimentos e, sobretudo, as incertezas e os prejuízos que daí fatalmente decorrem. Porque, a continuar assim, todas as decisões passam a ser provisórias, pois a bondade na diversificação dos recursos pode permitir, em tese, que qualquer processo se arraste, muito embora com o advento do TAD as questões passem a ser mitigadas. Restam os que ainda decorrem que podem levar tanto ou mais tempo como o que agora voltou a surgir à luz do dia.

Constatando factos (a não ser que as declarações do presidente do Gil Vicente transcritas pela imprensa não tenham validade para um qualquer decisor jurídico), temos que aparte as razões que lhe assistem ou não, Fiúza, até pelo seu feitio exuberante, expandiu o que foi acumulando na alma durante uma década. É deveras compreensível e só isso justificaria tomadas de posição que, dada a morosidade e complexidade do processo que envolve o Gil Vicente ele manifestou de forma pública. Talvez por isso se tenha, aqui e ali, excedido no entusiasmo, acabando por provocar mais anti-corpos nas outras partes envolvidas que têm acompanhado o processo com alguma expectativa.

Não diríamos que terá sido esse facto o factor determinante que provocou no Belenenses a necessidade de recorrer, mas alguma influência terá tido. De concreto temos então que um processo que durou 10 anos e que se julgava resolvido com a integração do Gil na 1.ª Liga já a partir da próxima época, irá esticar com o recurso dos azuis, havendo a natural expectativa do que irá acontecer a seguir face à decisão da Federação. A próxima Assembleia da Liga poderá trazer novos dados para esta discussão sem fim, mas o facto de serem permitidos recursos fora do âmbito desportivo cria sempre novas possibilidades…








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