Ponto Vermelho
Normalidades...
15 de Junho de 2016
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1. A primeira jornada do Euro 2016 que se concluiu ontem em Saint-Étienne com a disputa do Portugal-Islândia, veio provar aquilo que já muitos observadores tinham abordado que se reporta ao facto de haver demasiadas Selecções europeias a competir numa fase final. Não porque o número em abstracto possa ser seja excessivo, mas fundamentalmente porque para termos uma competição a sério e altamente competitiva onde todas as equipas estejam em condições mínimas de lutar pela vitória, há várias que teriam de ser previamente excluídas.

2. No Mundo global onde o futebol está inserido, o contexto que se apresenta nem sempre é lógico e coerente, pois não se pode analisar a força futebolística apenas e só pela dimensão do país e do número de praticantes. Há que atender a outros factores onde os campeonatos mais poderosos e competitivos da Europa têm vindo a absorver os principais talentos futebolísticos transnacionais e isso dá outra dimensão aos praticantes, mesmo aqueles originários de países mais parcos em recursos e com provas nacionais menos conhecidas e atractivas. Veja-se o caso de Portugal ontem, em que o onze inicial incorporava nada mais nada menos do que 8 futebolistas a actuar em campeonatos estrangeiros. Para não falar na própria Islândia…

3. Esse facto, temos que o reconhecer, tem elevado o patamar competitivo dos jogadores afectando positivamente o seu desempenho ao nível da Selecção. Existe todavia o handicap dos diferentes níveis de competitividade terem influência díspar nas suas prestações como equipa, coisa que não aconteceria se porventura competissem todos ou pelo menos a maior parte, num único campeonato, não sendo por acaso que nas Selecções os favoritos são quase sempre os mesmos; a Alemanha, a Espanha, a Itália, a França, a Inglaterra, etc. Observe-se por esse prisma as actuais Selecções a disputar o Euro 2016 e o número díspar de jogadores destes países a actuar nos seus próprios campeonatos em comparação com os das outras Selecções.

4. Todavia, esse importantíssimo factor que altera obviamente o ritmo e a capacidade competitiva dos jogadores não é sinónimo, por si só, de qualquer país e qualquer Selecção vir a ter equipas de alto gabarito. Subsistem e hão-de sempre acontecer limitações que diminuem as capacidades de formar equipas de alto nível que estejam em condições de entrar nas fases finais para ganhar, muito embora no futebol, a imprevisibilidade faça parte das regras do jogo e permita em tese, a possibilidade de surpresas sempre susceptíveis de acontecerem. A História está repleta de casos tidos como impossíveis mas que, por um conjunto de situações conjugadas e favoráveis, se materializaram.

5. Não deve ser esse, no entanto, o princípio orientador das instâncias reguladoras do Futebol, seja na Europa, seja nos países sem si mesmo. No próprio interesse e expansão do futebol sem a preocupação excessiva, à partida, de excluir quem quer seja, se queremos manter um nível competitivo aceitável é imperioso que se estabeleçam critérios objectivos que apurem as equipas com condições minimamente competitivas, para que não tenhamos que assistir a espectáculos algo sensaborões, onde algumas das equipas por não atingirem patamares competitivos aceitáveis têm como única preocupação impedir que a sua baliza seja violada e, quiçá num rasgo de fortuna, até acabem por vencer um jogo que nada fizeram para ganhar.

6. Ontem, o Portugal-Islândia pode ser evocado como exemplo onde os portugueses tudo fizeram para ganhar e os islandeses tudo para não perder. No final, o empate foi o prémio para esta estratégia anti-espectáculo e, se o futebol tivesse assumido toda a sua imprevisibilidade, até poderiam ter conseguido a vitória, pois as estatísticas (esmagadoras), a seu desfavor não contam absolutamente para nada, pois são os resultados que a frieza da História apenas regista. Mas, pelo que se tem visto, não foi só ontem, pois os exemplos têm abundado…








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