Ponto Vermelho
Exageros bem à portuguesa
17 de Junho de 2016
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É penoso observar que continua a haver muita gente (desde os vulgares adeptos passando por muitos opinadores alguns dos quais de pacotilha), que revelam uma tremenda dificuldade em analisar e formatar as opiniões que dispendem acerca dos Clubes e da Selecção Nacional. Fiéis à génese irrealista de sempre, tão depressa caminham sobre núvens assombrosas atapetadas de optimismo, como logo a seguir, perante um resultado que não corresponda às expectativas criadas, optam por críticas ferozes assumindo um pessimismo extremista, pois o que vier a seguir já tem que ser necessariamente mau. Não há um mínimo de equilíbrio e de bom senso, dando largas às emoções desbragadas que toldam a clareza de raciocínio e não levam em conta a ilógica do futebol.

Vamos por partes: num universo tão vasto como o da Selecção em que como já vimos a graduação do interesse de cada um varia em função da quantidade de jogadores que o seu clube cedeu à Selecção (e mesmo aqui teríamos que abrir um parêntesis apenas para os que jogam), coexistem diferentes pontos de vista, opiniões e estados de espírito. A nível da própria organização há muita profusão de posturas e variedade de opiniões, que vão de dirigentes, passando pelo seleccionador e jogadores. Todas elas legítimas e bastas vezes reveladoras dos estados de alma que gravitam num conjunto de protagonistas tão vasto e tão díspar.

Bem sabemos que há os que não fazem outra coisa senão esperar qualquer diferença de opinião ou qualquer contradição para poderem potenciar eventuais focos de polémica, mesmo que estéril e contrária aos interesses do grupo. Mas as coisas são mesmo assim e esperar outro comportamento é não perceber como vive e respira o Mundo actual. Assim sendo, dentro da multi-variedade de bitaites, podemos referir as declarações de Quaresma após o jogo com a Islândia que bem poderiam ter ficado guardadas para o seio do grupo de trabalho, mas que o eterno irreverente entendeu tornar públicas. Para quem ainda não tinha percebido, para quem ganha milhões e joga futebol ao mais alto nível é lícito exigir-se postura condizente com a cabeça, mesmo que os pés, de vez em quando, pratiquem números circenses que empolgam as multidões…

Nesse particular esteve bem melhor o puto inexperiente Renato Sanches que perante provocações baratas do mestre da táctica optou, e bem, por responder com inteligência e elevação, demonstrando aos críticos e cépticos que se consegue ser mais maduro e inteligente com 18 do que propriamente com mais de 60, explicando à saciedade que em alta competição e numa actividade altamente mediatizada, ter talento mesmo que seja em doses elevadas, é por vezes curto e insuficiente para que seja conseguida uma carreira coerente e determinada. Um aviso à navegação para todos os aspirantes a vedetas que no início das suas carreiras, devem prestar atenção ao equilíbrio que é preciso ter em todas as vertentes para que não se possa dizer no fim que passaram ao lado de grandes carreiras…

Cada um teve toda a liberdade para interpretar o sentido global que, mal fomos apurados, se viveu no seio da Selecção. A equipa portuguesa não sendo a principal favorita estava longe de poder ser considerada como uma das coitadinhas, um velho sentimento de inferioridade que continua a grassar, infelizmente, na mente de muitos que tendem sempre a considerar os outros lá fora como paradigmas do sucesso. Foi nesse sentido que interpretámos as declarações de Fernando Santos e de alguns outros responsáveis, na medida em que não vemos nenhuma razão para não podermos expressar as nossas legítimas ambições.

Contudo, há sempre quem se tente aproveitar. As declarações de optimismo são empoladas e distorcidas para embalar a populaça levando-a a pensar que a Selecção é a melhor do mundo e arredores e depois, à mínima contrariedade desancar até mais não, tentando criar o sentimento contrário, onde tudo passa a ser negativo e os jogadores até aí considerados como vedetas passam a ser vulgares, a táctica errada, e os suplentes deveriam ser os titulares. Um comportamento típico luso que continua a afectar os mais sensíveis. Quando é que evoluiremos e nos deixaremos disso?








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