Ponto Vermelho
Até quando continuaremos a ser assim?
19 de Junho de 2016
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1. Os comportamentos e as reacções de boa parte dos portugueses que acompanham (com mais ou menos interesse) o percurso da Selecção Nacional de Futebol indiciam, de forma clara, que a abertura, evolução e progresso tantas vezes anunciado, está longe de poder corresponder aos anseios de todos aqueles que entendem, e bem, que o nosso sucesso só é conseguido com vistas largas e não circunscrito à vil tristeza do bota abaixo sempre que algo corre menos satisfatoriamente. Mais; que há adversários com as mesmas intenções e que devemos concentrar a nossa energia e os nossos esforços com o objectivo de progredir e vencer. Não contra os outros mas por nós mesmos!

2. Não se compreende pois a intenção de fomentar guerras caseiras que desgastam e desfocam, onde a clubite exacerbada se tem imposto em detrimento de um olhar global que procure e defenda com coerência os interesses do futebol português. Há um Seleccionador responsável pelas convocações e o desempenho da equipa será avaliado no final pese embora o direito inalienável à crítica. Pelo estado de circunstâncias, fácil será concluir que mesmo que a Selecção consiga um desempenho magnífico, haverá sempre os calimeros habituais que virão criticar porque não insistiu mais nos jogadores do seu clube… Ou, noutra vertente, os Velhos do Restelo que do alto da sua sapiência inesgotável, entendem que Portugal deveria ter sido mais assertivo…

3. Observe-se o rescaldo do jogo inaugural contra a Islândia para percebermos até que ponto os desequilíbrios opinativos são evidentes, bem como a forma exageradamente destrutiva como alguns se referiram à prestação de Portugal. Pelo que temos visto dos outros jogos a questão é mais complexa, pois quem estava à espera de facilidades enganou-se, pois a maior parte dos desafios, até ao momento, têm sido decididos, com dificuldade nos últimos instantes. E esse detalhe particular tem inclusivamente tocado à porta de alguns dos maiores favoritos. No caso de Portugal dizem as estatísticas (que só servem quando interessa…), que a Selecção lusa dominou em toda a linha. Mas pelo que se viu foi insuficiente, fruto simultâneo da ineficácia, dos erros cometidos e, há que dizê-lo, daquela pontinha de sorte que tem acontecido a outros em idênticas circunstâncias…

4. Todos esses factores aumentaram a expectativa sobre o que iria fazer Portugal no jogo seguinte contra a Áustria, um adversário que, em termos teóricos, é um dos favoritos ao apuramento para os oitavos, a despeito de ter sido surpreendido pelos húngaros na 1.ª jornada. Como é habitual acontecer, opiniões a mais e bom senso e lucidez a menos, previam os mais variados cenários em que uma boa dose de pessimismo prevalecia, atendendo à passagem meteórica do oitenta para o oito… Já sem falar das campanhas orquestradas para impôr determinados jogadores e excluir outros, numa miserável pressão clubista na esperança de influenciar Fernando Santos, a que até alguns profissionais da imprensa deram o seu contributo…

5. Foi perante esse cenário globalista que teve lugar o 2.º jogo, em que as vozes ponderadas aconselhavam prudência na abordagem mas convictas de que Portugal tinha, tal como no jogo anterior, todas as condições para levar de vencida o valoroso conjunto austríaco. Perante o clamor da clubite, Fernando Santos não resistiu e procedeu a alterações de jogadores e do desenho tático, mas o resultado foi exactamente o mesmo; acentuado domínio, muita posse, oportunidades falhadas e chances de golo permitidas ao adversário.

6. Se William Carvalho era previsível face à fraca actuação de Danilo, já a entrada de Quaresma provou, mais uma vez, que deve ser reservada para a última meia-hora como arma secreta. Para além disso, há jogadores que são de facto indiscutíveis mas apenas quando estão na plenitude, sendo necessária uma maior dinâmica que neste momento não lhe poderão emprestar, pelo que não percebemos o arrastamento do jogo sem as substituições que se impunham. As que foram efectuadas pecaram largamente por tardias. Venha pois o próximo jogo e a convicção que, finalmente, a sorte vai estar com a Selecção, porque para malapata já chega…








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