Ponto Vermelho
Remakes
12 de Fevereiro de 2013
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Hoje tivemos um Miguel Sousa Tavares (MST) objectivamente deprimido por ver o seu FC Porto perder uma grandíssima oportunidade de se isolar no comando da Liga para que nesta altura lhe garantisse algum descanso na abordagem da Liga dos Campeões e assim não ficar em desvantagem perante os seus pares na prova dado que praticamente todos têm os seus campeonatos decididos. Para disfarçar o mau estar, divagou sobre as mesmíssimas justificações que serviram de base para afastar o SC Braga B em 48 horas que pela mesma ordem de razões, caso não houvesse dualidade de critérios dos justiceiros do CD que resolveram inventar um inquérito, deveria ter colocado o FC Porto fora da Taça da Liga o que, a avaliar pela fraseologia habitual, constituiria um alívio para os azuis e brancos.

Omitindo estrategicamente qualquer alusão aos bracarenses (então essa solidariedade sistémica, Miguel?), o oficioso portista preferiu alinhar com a posição do(s) denunciante(s) anónimo(s) tentando arrastar a conversa para o terreno onde mais lhe convinha – o Benfica (e de caminho citando o Marítimo e o Sporting para parecerem muitos), fabricou imaginariamente um esquema intrincado onde estava subjacente uma enorma cabala já em plena gestação, pois desta vez o CD tinha decidido favoravelmente às expectativas dos três clubes atrás citados e apenas o FC Porto era uma vítima inocente dos justiceiros desportivos. É claro que se tratava de uma 2ª edição em 1ª instância, nada que não podesse ser emendado no recurso mas ainda assim a prova-provada de que a insuperável máquina portista tinha-se espalhado ao comprido.

Contrariamente aquilo que MST afirma, os benfiquistas na sua maioria não rejubilaram com a vitória na secretaria e com o eventual afastamento do FC Porto da prova. E também, segundo cremos, a Liga e a Federação por razões facilmente perceptíveis. Por uma questão de prestígio da prova em si, pela possibilidade de serem angariadas mais receitas, porque é sempre lamentável que um clube seja afastado fora do campo, porque para efeitos de campeonato o facto dos portistas estarem a disputar mais uma prova provocaria um maior desgaste e poderia vir a beneficiar os encarnados e, finalmente, porque admitindo a eventual vitória do FC Porto na final, tal seria uma oportunidade de ouro para reabilitar definitivamente a Taça da Cerveja que ganharia subitamente uma outra importância. E isso seria bom para a prova e para o futebol.

O empate do Benfica na Madeira não poderia passar despercebido ao olhar atento de MST. E como se perspectivava, o faz-tudo portista expressa o seu alinhamento implícito com aqueles que persistem em jurar que Pedro Proença é de longe o melhor árbitro da galáxia e que se aconteceram anormalidades elas deverão ser imputadas em exclusivo ao Benfica que ao não vencer o encontro, viu aí uma excelente oportunidade de alijar as responsabilidades da equipa e da estrutura. Para que fique claro de uma vez por todas, aquilo que temos ouvido de alguns responsáveis encarnados e cuja opinião comungamos inteiramente, desta vez não foi Pedro Proença e seus muchachos que impediram o Benfica de ganhar; foi a valia do conjunto madeirense, naturalmente, e sobretudo as falhas defensivas e inépcia na concretização na hora da verdade. Isso não implica que Proença com o seu indesejável protagonismo ainda que só no final (embora não tenha estado incólume até esse momento), tenha resolvido ser ele próprio e tenha estragado o que até aí configurava uma anormalidade nas actuações deste árbitro em jogos do Benfica.

Ao abrigo dos seus critérios dúbios de análise consoante se trate de azul e branco ou encarnado, MST vislumbrou um penalty de Luisão mas, certamente por falta de espaço esqueceu-se de mencionar o corte objectivo com o braço do defesa nacionalista dentro da área de rigor o que na altura daria 1-2 para os encarnados (apesar da escassez de imagens da Sport TV) e desculparia Proença que assim estaria a compensar ainda que por linhas tortas. Estranhamente faz apenas referência à expulsão de Matic ainda que ao de leve, o que afinal se compreende dado que é um dos membros da família que vinha insistentemente reclamando as admoestações com a cartolina vermelha ao sérvio e a Maxi Pereira que, desta vez, passou ao lado da tormenta pois já não estava em campo nesse período de desnorte de Proença. Sorte a dele...

É inegável que jornada a jornada cresce a expectativa dos portistas sobre a possibilidade de o Benfica se atrasar na corrida do título para o FC Porto poder descolar. Tal como se fosse ao contrário, imaginamos a terrível desilusão que deve ter perpassado pela mente dos portistas depois de verem o empate encarnado e a possibilidade soberana de se isolarem no comando do campeonato. E isso torna-os inseguros e nervosos, até porque apostam forte na Liga dos Campeões e precisavam de descansar na frente interna. Dado que não se concretizaram os desejos portistas, as próximas jornadas prometem surpresas a crer na futurologia de Rui Moreira. Entretanto, enquanto o FC Porto vai tentando fazer do CD da Federação o bode expiatório das suas próprias insuficiências e a razão de ser de todos os seus males ao ponto de transformá-lo no grande adversário dos portistas, alinham-se nos tabuleiros dados novos que se repetem época após época, com estratégias sempre iguais porque continuam a ser seguramente eficazes…

[Artigo Anexo: MST, jornal A Bola, 12 de Fevereiro de 2013 - I]
[Artigo Anexo: MST, jornal A Bola, 12 de Fevereiro de 2013 - II]






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