Ponto Vermelho
À terceira (não) foi de vez…
23 de Junho de 2016
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É dos livros que quando maior é a expectativa criada, pior são as reacções que se seguem sempre que os resultados não correspondem, mesmo que as exibições sejam sólidas, consistentes e condizentes com o valor global da equipa. No fundo, o objectivo primordial é vencer e é sempre em função disso que reagem os responsáveis, os adeptos e a imprensa. Sobretudo num caso tão sensível como é a Selecção Nacional de Futebol em que os jogadores são vistos como extensões dos Clubes e, como tal, elevados ou criticados consoante a clubite ou as preferências. Ainda não chegámos ao ponto de inverter esta tendência suicida e, pelo que nos é dado observar, ainda demorará algum tempo. Apesar da maior parte dos seleccionados vir do estrangeiro…

Costuma evocar-se a propensão para nos agarrarmos à máquina de calcular tal a complexidade do futuro imediato em função do que devíamos ter feito no passado recente e não fizémos. Na circunstância, apesar do saudável optimismo de Fernando Santos, até nem devia ser o caso na medida em que o Grupo que nos calhou em sorte no Europeu estava longe de nos tirar o sono. Mas, dando razão àqueles que não conseguem disfarçar o pessimismo mesmo que a conjuntura apresente índices favoráveis, lá chegámos às complicações do costume, uma fatalidade que já ganhou foros de irreversível. Até ao momento em que a consigamos ultrapassar de vez o que está de facto difícil…

Desta vez, a maioria até achava que esse fatalismo não chegaria. Os adversários estavam motivados como é evidente, mas a nossa Selecção pelo naipe de jogadores que apresentava com uma mistura de juventude e experiência e com talento de sobra, demonstrava à partida potencial superior que em circunstâncias normais seria suficiente para ter um apuramento tranquilo para os oitavos de final com fortíssimas probabilidades de o fazer em 1.º lugar. Só que, na prática as coisas quase nunca são como se espera, como o prova os três empates, apesar de intenso domínio e vastas oportunidades para materializar em golos (sobretudo nos dois primeiros jogos). Felizmente não aconteceu o pior, pois apesar das escassíssimas oportunidades, os adversários até poderiam ter vencido… Foi o sortilégio do futebol mas lá que foi grande coincidência, ah isso foi!

Chegámos a um ponto tantas vezes atingido. As velhas contas que passavam pela vitória para atingirmos o 1.º lugar do Grupo, desiderato inicial assumido pelo grupo de trabalho e pela grande maioria dos opinadores e adeptos. O cenário passou a configurar opções face aos últimos resultados em que o empate chegaria, aguardando-se com esperança que a inépcia e o azar dos dois jogos anteriores saísse da órbita de Portugal, pois rematar 50 vezes para conseguir o magro pecúlio de um golo, convenhamos que é quase inacreditável. Como aliás foi reconhecido por diversos observadores independentes.

O 3.º e último jogo contra o líder do Grupo, passou a ter uma perspectiva mais risonha mas, pelo sim pelo não, a vitória era o objectivo dado que havia o outro jogo do grupo. Com a Hungria, a Selecção andou sempre atrás do prejuízo e, paradoxalmente, vieram os golos mas… nas duas balizas. Globalmente Portugal fez a exibição menos consistente com erros de palmatória (1.º golo) e de novo o acaso a bater-nos à porta nos restantes em que a bola sofreu desvios traíndo Rui Patrício. No inverso sofremos uma bola no poste e durante praticamente todo o desafio manifestámos ansiedade que associada à intranquilidade deu trunfos a um adversário que, em condições normais, seria sempre candidato à derrota.

Há claro excesso de protagonismo de alguns jogadores que até se pode compreender quando o jogo está bem encaminhado, mas que é pernicioso quando sucede o contrário como foi o caso. A nosso ver, o jogo da Selecção é demasiado lento, previsível e lateralizado e isso prende-se com a insistência no transporte da bola que origina faltas e a eliminação de eventuais focos de perigo do nosso ataque, pelo que face ao desgaste e à falta de ritmo há alterações que se impõem, em todos os sectores. Não uma revolução bem entendido porque isso exerceria um efeito contrário, mas mudanças cirúrgicas que possam beneficiar a equipa onde ela está mais carenciada. Por exemplo, será que o futebol rápido e directo que Rafa apresenta não seria de molde a ter justificado a titularidade?








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