Ponto Vermelho
Um desafio à altura
25 de Junho de 2016
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1. Manda o pragmatismo que devamos relevar a passagem aos oitavos-de-final de Portugal no Euro em França. Mas aconselha igualmente o bom senso que olhemos para a prestação do seleccionado luso, daquilo que alcançou, mas, sobretudo, a forma como o conseguiu. Sem ideias pré-concebidas nem embalados pelo insuperável optimismo de Fernando Santos (a que alguns amantes e seguidores de basófias confundiram com fanfarronice), nem pelos que esgravatam na esperança de encontrar sempre algo que lhes sirva as intenções mesquinhas do bota-abaixo. Uma tentativa séria de aproximação à realidade que nos foi dado ver.

2. Temos que convir que as exibições de Portugal ficaram aquém das expectativas mesmo que moderadas. Com a particularidade preocupante de nunca termos passado da bitola média pois, conseguimos a singularidade de termos sido a única Selecção apurada que não conseguiu vencer um único jogo. Além de que, depois de termos subido em termos de exibição do 1.º para o 2.º jogo, voltámos a baixar de produção no último e derradeiro desafio do apuramento. E, como desta vez a fortuna esteve connosco, vimos uma bola embater no poste de Rui Patrício e, melhor ainda, demos pela Islândia marcar no último minuto do prolongamento, atirando-nos para os braços da Croácia em que, se a conseguimos ultrapassar, não depararemos até à final com qualquer das Selecções tidas como favoritas.

3. O futuro e a convicção de Fernando Santos estão por isso nas mãos da equipa. Pondo de parte o habitual cliché de que todos os jogos são difíceis em particular a partir dos oitavos-de-final, esperamos que o resultado e já agora a exibição, sirvam para desmentir a legião de cépticos que desde a primeira hora acham que a Selecção não tem o mínimo de hipóteses. Está na hora de Portugal demonstrar que vale mais do que tem produzido. Com efeito, apesar das exibições e basicamente os resultados por onde quase tudo se mede não terem sido de molde a entusiasmar, longe disso, a verdade é que falta comprovar qual das teses é a mais real e verdadeira.

4. O teste de hoje é decisivo, sendo certo que a acontecer a vitória que esperamos, tal poderá não ser prova suficiente para os euro-cépticos desarmarem e passarem a pensar de modo diferente, muito embora uma vitória e uma exibição categóricas os faça eventualmente vacilar. Nada que não possa vir a acontecer, mas para isso torna-se necessário provar no campo o verdadeiro potencial que a equipa possui e tem teimado em não demonstrar. Temos pois um teste à altura para aquilatar do modo como Portugal se irá exibir e, se será capaz de provar em campo as dúvidas que existem fora dele.

5. Curiosamente, vivémos uma situação com contornos parecidos vai para 20 anos. No Euro 1996 em Inglaterra coube a Portugal defrontar a Croácia onde na altura também pontificavam grandes nomes do futebol europeu. A Selecção Nacional com Rui Costa, Luís Figo, João Pinto e Vítor Baía entre outros, venceu por uns concludentes 3-0, um bom prenúncio para o jogo de logo à noite. Com uma diferença fundamental; é que enquanto em 96 Portugal venceu o Grupo e ambos os conjuntos foram apurados para os quartos de final, agora é a eliminar pelo que uma das equipas ficará fora desses mesmos quartos. Esperemos que a história e o resultado se repitam.

6. É convicção generalizada que irá ser muito complicada a tarefa que nos espera. A Croácia venceu a Espanha campeã em título e o Grupo, enquanto Portugal não passou de um humilde 3.º lugar, tendo sido apurado apenas devido ao alargamento do número de participantes. Além de que face ao desempenho até agora, existem fundadas dúvidas como será a sua reacção perante um adversário de gabarito. Eis, portanto, uma boa altura para a equipa desfazer todas as dúvidas e vencer (prioridade nº 1), e, se possível, convencer com a exibição. Reconhecendo as enormes dificuldades que iremos encontrar, estamos em crer que chegou o momento de Portugal se afirmar. Se tal não acontecer e regressarmos a casa, é sinónimo que, afinal, os cépticos e pessimistas tinham razão e a equipa não mereceu. Todavia, não acreditamos que tal venha a suceder!








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