Ponto Vermelho
Olhemos em frente
29 de Junho de 2016
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1. Enquanto se avolumam dúvidas e as críticas aumentam de intensidade, Portugal aguarda de forma serena o próximo desafio em Marselha com a Polónia. É sempre assim seja qual for o seleccionador e as suas opções, na medida em que mesmo que se continue a vencer sem aliar a isso exibições de encher o olho, haverão sempre pessoas que acham que a Selecção deveria fazer mais e melhor. Se houver positividade nessa crítica específica não nos importamos de assinar por baixo, dado que entendemos que com os elementos que Fernando Santos tem à disposição, apesar de tudo, a equipa pode e deve ser mais afirmativa e menos receosa sem com isso perder a segurança defensiva que importa preservar.

2. Mas a visão do Seleccionador não é exactamente a mesma, pelo que ao abrigo da legitimidade que lhe assiste, devemos confiar no seu julgamento sem contudo abdicar do nosso direito de livre crítica que resulta apenas de sermos espectadores atentos na bancada. Não nos atrevemos a mais do que formular simples reparos de boa fé que na nossa óptica, deveriam ser enquadrados no rol de opiniões que por aí pululam. Tal como aconteceria se porventura o Seleccionador fosse qualquer um de nós, provando que o ser humano tem visões próprias e sectoriais de cada realidade.

3. Já todos percebémos que Fernando Santos é um conservador nato que prefere manter aquilo que julga ser seguro em detrimento do risco e da aventura que sabe-se como começa mas nunca se pode prever como acaba. Nesse aspecto não é novidade e não é agora altura para estarmos a discutir a bondade ou a subjectividade desse conceito, tendo-o provado na Grécia onde conseguiu alguns bons resultados. Além de que é uma pessoa experiente, dotada de fortes convicções, pragmática, e virada para objectivos que, ao fim e ao cabo, também serão os nossos – chegar o mais longe possível no Euro e, se possível, vencê-lo.

4. O que nos separa é por vezes a táctica e algumas das opções mas, até provas em contrário e face aos resultados conseguidos, é a ele que lhe assiste razão – Portugal vai seguindo em frente a despeito de ainda não ter conseguido vencer um jogo durante os noventa minutos, e o seu futebol não ter encantado e originado críticas. Só que, olhando em redor, apesar de resultados mais dilatados estarem agora a surgir, não vislumbrámos equipas que praticassem um futebol pelo qual ficássemos apaixonados, embora algumas demonstrem mais qualidade e outras realismo e muita eficácia.

5. Não deixa aliás de ser curioso observar que alguns patinhos feios como por exemplo os toscos islandeses estão a dar cartas. São seguros, pragmáticos e eficazes, e no fim será esse factor a ser considerado e não o contrário, o que vem provar que é possível a qualquer um chegar longe, passando por cima desse eterno complexo de inferioridade tão português de país pequeno.

6. Voltamos ao próximo desafio. Terá Portugal capacidade suficiente para dar novo passo em frente? A resposta é inequívoca – sim! Mas para isso, é preciso ultrapassarmos alguns receios que nos têm tolhido. A concepção do jogo é conservadora tal como acontecia na Grécia, acontecendo que os jogadores portugueses são mais versáteis e criativos, reclamando por isso táctica e postura mais dinâmicas. É no entanto necessário considerar que a filosofia dos nossos jogadores não aponta propriamente para andar a correr atrás da bola, mas sim com ela de pé para pé mesmo que a objectividade se perca. Contudo, temos jogadores para enquadrar qualquer táctica, faltando apenas definir opções onde parece residir o busílis da questão. Aconteça o que acontecer o importante é vencer porque todas estas teses e filosofias virão depois. Afinal quem é o Seleccionador para o bem e para o mal?








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