Ponto Vermelho
De empate em empate até Paris?
1 de Julho de 2016
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Mais um jogo, mais uma exibição assim-assim, mais um empate no tempo regulamentar e no prolongamento, mais uma vitória desta vez nos penalties. E assim pé ante pé, Portugal que ainda não logrou uma vitória nos noventa minutos atingiu as meias-finais do Euro, o que significa que passou a estar entre as quatro melhores equipas do Velho Continente. Olhando de outro modo, nenhuma equipa apesar das ameaças foi capaz de derrotar a nossa Selecção o que revela indiscutível mérito, ainda que num ou noutro caso assistido pela deusa da fortuna. Mas circunscrever a isso o nosso trajecto ascensional parece-nos demasiado redutor.

Argumentarão os críticos travestidos de treinadores de bancada que Portugal tem tido o acaso feliz de só ter deparado até agora com Selecções muito aquém daquilo que seria legítimo exigir a equipas apuradas para a fase final de uma prova da envergadura do Europeu. Em parte é verdade, na medida em que a Selecção portuguesa teve um momento-chave paradoxal: o 3.º lugar na fase de Grupos oferecido de bandeja pela Islândia no último momento do seu jogo com a Áustria, de que resultou automaticamente a impossibilidade de acasalamento até à final com as Selecções tidas como mais apetrechadas para vencer a prova. Mas, por exemplo a Croácia, é uma excelente equipa.

Isso foi fundamental, muito embora nunca cheguemos a saber o que aconteceria se não fosse assim. A Islândia não eliminou a Inglaterra? Todavia, em termos teóricos, mais difícil seria certamente. Parece ser consensual que Portugal está longe de ser uma equipa dominadora e entusiasmante. Ao invés, o seu futebol é lento, logo previsível, e por norma, só vemos acelerações e vontade de jogar depressa quando as circunstâncias são desfavoráveis e Portugal é obrigado a correr atrás do resultado. É mérito, não haja dúvida, mas se assim acontece porque não repetir mais vezes em situações diferentes de resultado? Face ao desgaste evidente que se nota na generalidade dos jogadores (mais em uns do que outros evidentemente) será o melhor caminho estar a sobrecarregá-los com tempo extra de jogo agravando o estado físico e o desgaste emocional?

É um facto de que enquanto humanos nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos. A hierarquização de prioridades coloca o ganhar e o apuramento no topo. E aqui, acontecendo os êxitos, o jogar bem e convencer surge posicionado em 2.º lugar. O futebol é aleatório e imprevisível, mas o objectivo de ganhar não o é, pelo que nada serve encantar em termos exibicionais se a isso não corresponder o estar na frente no fim de cada prélio. As grandes exibições são sobrelevadas no momento, mas se não forem acompanhadas de resultados favoráveis a história não as retem. E isso faz toda a diferença no historial de cada jogador, de cada equipa, de cada Selecção e, se quisermos, de cada País.

Voltamos a repetir que não temos apreciado sobremaneira o desempenho da Selecção mas temos rejubilado com os resultados. Sem eles, por muito bem que Portugal se tivesse exibido, já grande parte dos adeptos teria transferido a sua atenção para o início da pré-época dos Clubes e para as guerras do alecrim e manjerona habituais, muito embora os adeptos da Selecção sejam mais heterogéneos. E no fim, o que é mensurável são os 17,5 milhões que a Federação já arrecadou, a subida no ranking, a valorização de jogadores e o reforço do prestígio do futebol português. Por muito que alguns idealistas apareçam a defender o contrário…

Ontem foi mais um jogo em que Portugal foi pragmático, com os jogadores a demonstrarem firmeza e vontade a despeito dos erros cometidos. Renato Sanches acabou por dar razão aos que reclamavam a sua presença como titular e as suas características são indispensáveis para que a Selecção tenha pulmão e sobretudo imprevisibilidade. Mas em zonas interiores e não laterais. E para quando Rafa? Entretanto, já hoje, ficará definido o adversário que Portugal irá encontrar nas meias-finais, sendo que os analistas apontam para que seja a Bélgica que é uma das candidatas à vitória final. Veremos se o País de Gales está pelos ajustes e se diz também sim ao Brexit








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