Ponto Vermelho
O regresso à lei da rolha?
3 de Julho de 2016
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1. Muito embora a grande parte das atenções dos media e dos adeptos estejam focalizadas em França e naquilo que a Selecção portuguesa possa mais fazer, há vida para além disso. Nomeadamente o regresso dos plantéis ao trabalho para preparar a nova época, as novas caras, as que ainda vêm a caminho, as saídas que já se efectivaram e as que ainda têm hipóteses de acontecer até que o temido mercado exale o último suspiro lá para a 1.ª semana de Setembro.

2. Não será rigorosamente assim porque apesar da definição de prazos-limite, o dito cujo está sempre aberto e a ser promovido com o aliciamento e a divulgação do interesse em certos jogadores, fazendo lembrar o que se passa neste momento na política e na economia em que todos os dias há um qualquer palrador além fronteiras que anuncia a duocentésima crise em Portugal. Começa a faltar pachorra para aturar todos estes utilizadores dos bitaites… Se isto não é desestabilização e formas de pressão, afinal o que é a pressão? Pelos vistos o Brexit ainda não foi suficiente para que os tecnocratas acordem e sintam que o Mundo real é muito mais do que gabinetes luxuosos afastados da realidade. Então não é que este até tem pessoas?…

3. Enquanto a procissão se dirige para o adro sem saber as surpresas que a aguardam, por cá temos novidades que, para não variar, nos confirmam que em quase 9 séculos de história ainda não conseguimos perder os complexos que nos catalogam como povo de mentalidade pequena, em que a despeito de termos dado lições irrepetíveis ao Mundo, vivemos a vil e infinita tristeza de as receber auto-convencidos que todos são melhores do que nós… Mesmo que isso seja um logro e uma mentira tantas vezes repetida…

4. A decisão da última Assembleia da Liga de Clubes instituindo a lei da rolha ao que parece por proposta do democrático e inspirador FC Porto de Pinto da Costa e quejandos, é mais uma peça digna de figurar no baú das originalidades doentias que com frequência nos têm mimoseado. A questão já tinha sido aflorada pelo intrépido e inovador presidente da Liga, por certo devido a recados recebidos de proponentes da sua candidatura e eleição, em que com o seu habitual discurso incoerente e mal amanhado tentou anunciar aos adeptos e à opinião pública o que se prestava para acontecer.

5. É espantoso que mais de 4 décadas volvidas sobre a restituição da liberdade e da sua consagração plena na nossa lei essencial, haja gente que à revelia de tudo e de todos queira coartar o mais elementar direito de qualquer cidadão – o pleno direito à liberdade de expressão. Aliás, é bom que se diga, que o alegado autor da proposta é acima de tudo um modelo de coerência nesse particular, quer durante as mais de três décadas que leva de presidência, quer até na actualidade em que a folha (des)informativa que dá pelo nome de "Dragões Diário", encarna o espírito de rigor e de verdade como seus maiores atributos…

6. Mas afinal o que está em causa? A liberdade dos opinadores ligados ou não a clubes de dissertarem sobre temas que possam desagradar a certos arautos da discrição e do rigor. Por coincidência, mantiveram-se mudos e quedos perante os excessos, avalanche de ofensas e disparates de comentadores e dirigentes dos Clubes, em particular o presidente do Sporting que excedeu largamente os limites do bom senso, da educação e do decoro. Que fez então o presidente da Liga? Chamou a atenção? Tomou alguma medida? Insurgiu-se contra uma situação de que nunca teve controle? Não, chutou para canto apelidando essa situação inadmissível de fait-divers!

7. Temos sérias dúvidas que a decisão não seja inconstitucional. Mas, para além disso, não é assim que se põe ordem na mesa pois essa atitude só revela fraqueza e insegurança. Sempre fomos acérrimos críticos do formato da maior parte dos programas e de muitos dos temas discutidos, das discussões sem nexo e das expressões agrestes e insultuosas que apenas e só visam audiências. Igual questão se pode colocar a muitas das declarações avulsas de dirigentes e não só. Mas, a liberdade de expressão que é inalienável, implica responsabilidade e, se esta não foi respeitada (um facto tantas vezes repetido), havia que punir. Mas que fizeram a Liga, a Federação e em particular os órgãos jurisdicionais desportivos para penalizar os excessos? Nada de palpável! E agora querem impedir a liberdade de expressão? Tenham juízo meninos






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