Ponto Vermelho
Esperança e crença inabaláveis!
5 de Julho de 2016
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Para além do interesse e vantagens óbvias em variadíssimos aspectos, ao Europeu há que creditar mais um mérito – o de desviar as atenções e acalmar os nervos da multidão de fanáticos que engloba dirigentes, adeptos, paineleiros e jornalistas e que, se assim não fosse, já teriam elevado os decibéis da discussão sobre qualquer tema susceptível de polémica. Assim, ainda que dando uma olhadela ao que se passa nos Clubes, estão entretidos a discutir opções e tática de Fernando Santos, e a comentar as opiniões de alguma imprensa estrangeira em particular a Francesa, sobre o facto de Portugal ainda não ter vencido nos 90 minutos e de praticar um futebol paupérrimo…

Temos observado a generalidade dos jogos e, repetimos, o que já tínhamos aflorado; a grande parte deles têm sido desinteressantes e o futebol praticado, se medido pela bitola dos exigentes críticos deixa muito a desejar, observando-se duelo intenso de tácticas que acaba por anular e desvirtuar o futebol livre de ataque de que parecem tanto gostar. As abordagens são essencialmente pragmáticas e têm como objectivo, em primeiro lugar, a inviolabilidade da baliza e, só depois, a tentativa de explorar o erro adversário para tentar chegar ao golo. Tal como tem acontecido a Portugal ainda que noutro registo menos impressivo.

É evidente que existem Selecções que pela sua dimensão, história e tradição estão num patamar acima. Mas, devido ao cinismo que referimos, algumas delas já foram para casa. E até a Itália que poderia ser evocada como exemplo desse tipo de futebol (ainda que tenha registado nuances muito interessantes também já recebeu guia de marcha apesar de defrontar um opositor fortíssimo como é a Alemanha. Mas entretanto já tinha despachado a Espanha campeã em título…

O horizonte aproxima-se de Paris. Depois da anfitriã se ter desembaraçado com facilidade inesperada de uma das grandes surpresas deste Campeonato – a fria, lutadora e calculista Islândia –, falta disputar dois jogos das meias-finais onde Portugal se encontra. Contra a opinião de muitos, aliás. Afinal o mundo da intriga e da inveja não é apenas exclusivo nacional – há muito mais por esse Mundo fora… Vamos ver o que irá acontecer no duelo de titãs entre gauleses e teutónicos e, já agora, o que nos interessa sobremaneira; que Portugal iremos ter contra os galeses? A avaliar pelas experiências anteriores, uma equipa com um futebol não muito diferente dos jogos precedentes…

Não é pois altura de mudar o chip. Poder-se-á discutir a essência, o nível e qualidade do futebol praticado pela Selecção portuguesa, a respeito do qual as opiniões serão certamente muito diversificadas. Mas é inegável que a despeito de intensos picos de emoção e sofrimento, Portugal, para além de alguma fortuna (a começar no sorteio), tem demonstrado grande união entre todo o grupo de trabalho que está a dar frutos e tem propiciado resultados que derivam do enorme pragmatismo na forma como abordam os jogos independentemente do adversário que lhes cabe defrontar. E isso é mérito, seja qual for o ângulo de observação, da participação portuguesa.

É curioso observar as flutuações e o humor dos adeptos… e não só. Já temos subido e descido a montanha por diversas vezes e, no presente momento, já grande parte nos vê em Paris. Vamos com calma! Antes de mais ainda falta um jogo que assume toda a importância; por ser o próximo, e porque o País de Gales é o nosso último obstáculo até Paris. Somos favoritos? Sim, em teoria somos. Mas será isso suficiente para vencer? Será se porventura colocarmos em campo todas as armas de que dispomos e o futebol não nos reservar aquelas surpresas que, aliás, têm acontecido em profusão. Mas não pode haver lugar a pessimismos e estamos convictos de que só pararemos em Paris. Para gáudio dos portugueses e muito em particular os da diáspora a quem saudamos vivamente! Ah!, afinal Renato Sanches tem ou não condições para ser titular?








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