Ponto Vermelho
Encantos de uma 4.ª-feira à noite…
7 de Julho de 2016
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1. Esta 4.ª Feira era, pelas mais variadíssimas razões, aguardada com um misto de expectativas. Desde logo pela grande maioria dos portugueses de todos os quatro cantos do Mundo e muitíssimo em especial por aqueles que têm seguido e aplaudido a Selecção in loco, mas também pelos que nada mais vêem do que os seus Clubes e ficam enfastiados e enjoados com o sucesso da Representação Nacional e, finalmente, por todos os que além fronteiras entendem que Portugal não merecia nem justificava ter ido tão longe, a começar por alguma opinião francesa que não se tem limitado a criticar de forma legítima, mas antes a desdenhar bem ao jeito de inúmeros exemplares que conhecemos por cá…

2. A avaliar pela intensidade e sobretudo pelo teor das críticas veiculadas pelos gauleses, duas interpretações poderão eventualmente ser aventadas; algum receio pelo potencial da Selecção portuguesa (apesar de só empatar ou, pior ainda, o regresso de alguma xenofobia requentada com recuo aos anos 60 e 70… Seja qual for a principal razão para essas atitudes, custa ver uma pessoa com passado como Guy Roux alinhar em críticas destrutivas que são muito mais do que mind games, e que tiveram a sua génese nos invejosos e maldizentes lusos que convivem pessimamente com o sucesso dos outros e que tentaram desestabilizar o Benfica sem sucesso, mas cuja acção se reflecte também agora na Selecção. Estamos convencidos que com igual resultado...

3. Como é normal multiplicaram-se as opiniões sobre o jogo da meia-final com o País de Gales, com diferentes pontos de vista em vários casos antagónicos. Havia os que achavam que seriam favas contadas dada a diferença de potencial e experiência entre as duas formações, os que consideravam que iria ser muito difícil dada a capacidade de luta e entreajuda dos galeses e, por último, os que opinavam que apesar de complicado, se Portugal fosse igual a si próprio e não cometesse erros crassos, Paris seria um objectivo atingível. Situávamo-nos neste último grupo.

4. Sabíamos da superior motivação dos britânicos por terem atingido pela primeira vez uma fase final de um Europeu, da experiência de muitos dos seus jogadores a actuar no superlativo campeonato inglês, da classe de alguns deles entre os quais Bale, e da sua capacidade goleadora (apenas um só golo atrás da França), que a tinha levado a despachar sem apelo nem agravo uma Bélgica recheada de grandes jogadores e depois desta ter inaugurado marcador. Não era nada fácil mas o que é facto é que o País de Gales conseguiu-o. Logo tinha que ser forçosamente uma Selecção a não ser menosprezada, porque respeitar os adversários é um bom ponto de partida para o sucesso que se pretende alcançar.

5. Contudo, apesar de uma superioridade inquestionável, o que é facto é que a 1.ª parte não diferiu substancialmente das previamente disputadas. Algum receio de cometer erros e falta de vontade de assumir o risco, determinaram um jogo demasiado tático perdendo com isso o espectáculo. Tudo se modificou no início da 2.ª parte onde Portugal com dois golos de rajada acabou por sentenciar a partida. Mas antes, é bom que se diga, no dealbar da partida ficou por assinalar mais uma grande penalidade (a 3.ª), que a ser concretizada poderia ter transformado por completo o cariz do jogo.

6. E eis-nos em Paris! Para gáudio dos portugueses e dos tão dedicados emigrantes que se revivem nesta epopeia. Uma conjugação perfeita onde se juntaram a crença, a determinação, a entreajuda, o mérito, a sorte, a união e o apoio vindo das bancadas. Não sabemos ainda qual será o nosso adversário, se a França ou a Alemanha. Por tudo o que tem estado subjacente, torcemos para que seja a França, na medida em que há contas antigas a ajustar. Será porventura até mais difícil do que se for a Alemanha dada a condição de Selecção anfitriã, mas nada nos afasta do sonho de sermos campeões europeus. Mesmo que o empate volte a acontecer com a decisão a fazer-se por outra via. Desde que seja favorável…








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