Ponto Vermelho
Acrescentos sobre Proença
13 de Fevereiro de 2013
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Voltamos a Proença. Não que nos dê especial prazer falar sobre tão triste defunto mas apenas porque, sem surpresa, começaram a surgir de todo o lado detergentes na tentativa vã de distorcerem mais uma arbitragem à maneira do tão endeusado apitador. Esse esforço tem um objectivo óbvio: condenar sem recurso Óscar Cardozo, prejudicar o Benfica, e abrir caminho para que Proença continue a fazer das suas em território nacional (lá fora fia mais fino), pois a enorme legião de admiradores encarregar-se-á de o desculpar de todas as atitudes insensatas e prepotentes, pela suas asneiras repetidas, e pelas distracções dos seus bandeirinhas que vão mudando mas os seus erros distractivos nem por isso se alteram.

Já por várias vezes o dissemos e mantemos que Proença tem sido um árbitro competente... lá fora. Cá dentro, costuma por vezes fazer boas arbitragens sempre que estão envolvidas equipas menos mediáticas e quando o mesmo resolve dedicar às ditas partidas a concentração que lhes é devida, embora se tratem de jogos que naturalmente não satisfazem o suprasumo da arbitragem nacional. Nos encontros em que participam equipas grandes é sabida a tentação para o protagonismo do artista que, vaidoso como é, necessita de alimentar em permanência a sobranceria do seu ego sabendo de antemão que não lhe advém o mínimo mal, atendendo a que alguém se encarregará de justificar uma qualquer tarde ou noite menos feliz. E assim sendo, no próximo jogo fica automaticamente habilitado a dar um novo festival numa hora e num campo nem sempre muito longe de si...

Não vale muito hipotecarmos tempo a escamotear a verdade tentando ignorar os factos. Nenhum árbitro, por mais competência que tenha, ganha os galões de internacional se não tiver o beneplácito do Sistema. E para que isso aconteça tem de engolir sapos vivos, tem de colaborar se quer atingir o grupo de elite. E se repararmos atentamente nesse grupo e fizermos uma retrospectiva do seu percurso, concluiremos que todos eles têm um denominador comum; não hostilização e favorecimentos estratégicos através de erros involuntários dos próprios e dos seus auxiliares ao FC Porto e aos seus satélites, e na outra ponta, o prejuízo cirúrgico do Benfica na altura julgada mais adequada, contando com isso com as contínuas acções de branqueamento de uma boa parte dos opinadores e da comunicação social.

É isto que está a suceder uma vez mais com Pedro Proença. À luz dos seus critérios arbitrais já dissemos que achámos a expulsão de Óscar Cardozo aceitável. Mas perante o desvario que atingiu uma boa parte de articulistas, teremos que dizer peremptoriamente que repudiamos totalmente a diabolização do ponta-de-lança encarnado que só foi possível devido a uma estranha conjugação de factores que esses sim, têm que ser condenados sem apelo nem agravo. Nesse contexto, Cardozo, ao contrário de que alguns afirmaram, não foi o único culpado nem sequer o principal. Os principais culpados são sem sombra de dúvida, por ordem decrescente o próprio juiz que considerando-se pessoa de bem já devia ter percebido que não tem as mínimas condições psicológicas para apitar jogos do Benfica, e a seguir Vítor Pereira que sabendo isso nunca o deveria ter nomeado. Houve insensatez justamente de quem mais a deveria possuir, ou isso ou a impertinência do comentário de Rui Gomes da Silva a respeito das nomeações tem algum fundamento e o presidente do CA é figura decorativa.

A despeito da tradicional reacção do líder da APAF que não ajuntando nada de novo ao velho discurso corporativo, também não percebemos a relevância com que se quer catalogar uma arbitragem razoável num jogo fácil de dirigir até aos 89 minutos. Mas os jogos agora já não têm 90 minutos regulamentares e descontos? Se efectivamente Proença fosse capaz de estar à altura dos acontecimentos, teria intervido de imediato na objectiva perda de tempo de Marçal e assim teria evitado o que se seguiu em que revelou não ter estofo psicológico e controlo emocional para lidar com as complicações que se seguiram e que só aconteceram porque como árbitro não interveio numa acção (ainda que compreensível) do defesa alvi-negro mas que é punível pelas leis de jogo.

Isso leva-nos a afirmar que não compreendemos e muito menos aceitamos que queiram colocar Cardozo como o mau da fita, sem prejuízo de dever ter evitado a sua posterior acção. Mas deixem ver se percebemos bem; então condena-se ao cadafalso um jogador de 29 anos numa fase do jogo em que a adrenalina atingia picos máximos e iliba-se um árbitro com 41 anos, internacional experiente, considerado por alguns o melhor árbitro do planeta e que deveria antes de tudo dar o exemplo de tranquilidade que não teve? Tenta-se desculpar um árbitro que agiu de cabeça perdida, demonstrou total descontrolo emocional e assumiu uma atitude de vingança mesquinha traduzida na expulsão de Matic que ninguém que analise o lance de forma honesta percebeu?

Este é pois o reino da hipocrisia que vai funcionando ao sabor dos mesmos interesses de sempre e que leva a que sejam encenadas peças com os mesmos guiões e protagonistas e tomadas as mais estapafúrdias decisões ao arrepio do bom senso, da verdade desportiva, e da evolução de mentalidades que deveriam encetar o progresso do nosso futebol. Sabemos como as regras do jogo estão viciadas e terá que ser com a nossa acção firme e continuada que poderemos almejar melhores dias. Mas que fique claro que nunca aceitaremos de bom grado que um qualquer Proença a errar sistematicamente contra o Benfica desde 2001 nos volte a aparecer pelo caminho, pois para quem ainda tivesse dúvidas, no último jogo ficou provado que essa estirpe não tem estofo psicológico nem personalidade para apitar jogos dos encarnados.






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