Ponto Vermelho
A força de acreditar!
11 de Julho de 2016
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1. Mesmo para os que pouco ou nada ligam ao Futebol ou para os que por serem pessimistas por natureza ficam entregues à vil tristeza que percorre os espíritos, é neste momento impossível não sentirem uma pontinha que seja de emoção perante a dimensão do feito conseguido pela Selecção portuguesa em França neste ano de graça de 2016. Porque o que acabou de acontecer e que leva a que muitos ainda se belisquem para tentar acreditar que foi mesmo verdade que Portugal acabou de conquistar o primeiro grande título da sua história, leva a que sintamos orgulho de um punhado de heróis que contrariando teses pessimistas profundas lograram alcançar um sucesso inédito.

2. O título de Campeão Europeu de Futebol acaba pois por assentar bem às nossas cores. Mas tal só foi possível pela simbiose perfeita conseguida através de um conjunto alargado de situações que, quando se reunem, tornam as caminhadas menos sinuosas e difíceis. Foi aí, estamos convencidos, que residiu a chave do êxito alcançado pela Selecção portuguesa, muito embora haja vultos que se perfilaram como os principais rostos da caminhada que acabou em êxtase perante o gáudio de muitos milhões de portugueses espalhados por esse Mundo fora, e a tristeza, desilusão e mesmo a revolta que perpassou por ainda muitos mais milhões de franceses.

3. Compreendemos, de alguma forma esse misto de sentimentos. E a fortíssima decepção de quem desenvolveu tantos esforços para menosprezar e apoucar os méritos da Selecção lusa num esforço concentrado de mind games como é usual acontecer nestas circunstâncias mas também, porque não dizê-lo, numa forma de estar histórica de chauvinismo que sempre caracterizou os gauleses. Deve ter sido por isso assaz gratificante e motivo de orgulho para toda a legião de portugueses que vive e labuta em terras de Asterix, quando se apresentaram hoje nos locais de trabalho.

4. Por cá, como é corriqueiro acontecer, gastaram-se inúmeras horas a discutir sobre as virtudes e os deméritos da Selecção. Sobretudo estes últimos. Saturado o tema da falta do crónico ponta-de-lança que se terá esgotado em Pauleta, o cerne da questão centrou-se não propriamente na ultrapassagem dos sucessivos obstáculos, mas no tipo de futebol praticado que deixava muito a desejar. Como se, olhando para qualquer jogo do Euro, pudéssemos definir um que fosse, que nos tivesse enchido as medidas, em que a rigidez táctica não tivesse surgido.

5. Foi muito criticado o modelo definido pela UEFA das 24 equipas. Basicamente as críticas centraram-se na falta de competitividade de algumas delas que não justificariam ter participado na fase final. É óbvio que todo e qualquer modelo tem defeitos e é susceptível de poder ser sempre melhorado. Mas não acontecerá isso em todos os campeonatos mesmo naqueles que configuram Ligas cujo índice competitivo é tido por estar muito acima das outras? Neste Euro, mesmo as equipas mais apetrechadas e com maiores valores individuais sobressaíram assim tanto das restantes? Não cremos, e o que é facto é que algumas delas tiveram que regressar mais cedo eliminadas por Selecções tidas como mais fracas.

6. É evidente que disputar um Campeonato da Europa depois da grande maratona dos Clubes nas diversas provas com os jogadores desgastados faz com que a resposta seja menos assertiva, acabando por definir um ritmo competitivo mais baixo ao mesmo tempo que aumenta o risco de lesões. É indubitável também que com um número superior de equipas o nivelamento tende a baixar. Mas se olharmos para este Euro será que observámos diferenças abissais? Sim, no capítulo dos valores individuais de que foram exemplo a Croácia e em particular a Bélgica. E o que lhes aconteceu? De concreto o que podemos conferir é que com o tal futebol pastoso, lento, previsível e ajudado pela deusa da fortuna, Portugal conseguiu um dos maiores feitos da sua história. O resto são conversas para entreter. Sobretudo os que sempre procuram os defeitos para terem motivos para criticar...








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