Ponto Vermelho
Flutuações
14 de Fevereiro de 2013
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Não sendo um seu exclusivo, é de alguma maneira consensual dizer-se que Jorge Jesus enfrenta por vezes alguns problemas de comunicação o que leva a que as suas frases possam ser dubiamente interpretadas e ao sabor das conveniências de quem aguarda ansiosamente declarações ou conferências de imprensa do treinador benfiquista para dar largas à distorção e à manipulação das suas palavras. Ao seu jeito, Jesus fala a linguagem do povo do futebol, é por norma bastante objectivo ainda que, se for nossa intenção explorar brechas ou procurar contradições, encontrá-las-íamos certamente, tal como as descobriríamos nos discursos de gente com maior domínio das subtilezas da língua portuguesa mas cuja capacidade de massa encefálica fica a perder para a do treinador encarnado.

Após o não apuramento para a fase subsequente da Champions ainda em Barcelona, Jesus exprimiu a intenção de lutar pela Liga Europa que não tendo o prestígio e essencialmente os prémios chorudos da primeira, é para todos os efeitos uma prova europeia em que participam grandes equipas (a começar pelo campeão europeu em título) o que motiva naturalmente os jogadores. E definir e reafirmar em cada ocasião que a prioridade que foi previamente definida é o campeonato nacional, não muda absolutamente nada esse desideratos e não pode de nenhum modo ser considerado como uma contradição de discurso e de objectivos.

Isto tinha sido claramente assimilado mas tem havido nos últimos tempos quem o queira distorcer. A questão habilmente colocada por um profissional à procura de cachas de qual das duas era a mais prioritária. Como se o objetivo não tivesse sido definido e como se a resposta não tivesse já sido dada. Esta insistência fez-nos de algum modo recordar a analogia dos nazis (e isto nada tem a ver com o jogo de hoje) durante a 2ª Guerra Mundial quando, antes do tiro da nuca fatal, o chefe de família era posto perante a questão terrível de ter que escolher entre a mulher o filho. Passe naturalmente o exagero da comparação.

É evidente que para o Benfica e a avaliar pelas reiteradas declarações do seu responsável técnico a prioridade é o campeonato. Mas a Liga Europa pelas motivações implícitas que arrasta também o será. E a gestão estará a ser feita nesse sentido, atendendo a que esta última disputada em moldes eliminatórios e com a primeira-parte a ser disputada já hoje estará decidida no espaço de uma semana, sendo que a Taça de Portugal só terá um novo jogo em Abril e a passagem à final é expectável tendo em conta o resultado da 1ª mão. Assim sendo, logo mais à tarde começará a ser definido o futuro, restando aguardar pelo jogo da 2ª mão na Luz para confirmar que os objetivos traçados se manterão inalteráveis. Com mais ou menos folga.

Como é da tradição não faltaram as críticas por Jorge Jesus ter afirmado que a prioridade era o campeonato e que a Liga Europa vinha em segundo lugar. Segundo alguns, um clube com a dimensão e a história do Benfica teria que ser sempre candidato a vencer todas a provas. Em tese isso é verdade. Mas, só a título de exemplo, no lançamento da época, o Sporting também era potencialmente candidato a ganhar as provas que iria disputar e sabe-se como neste momento todos os objectivos foram pulverizados pela negativa. O FC Porto depois de duas goleadas e no pico da forma também era favoritíssimo contra o Olhanense e viu-se o que aconteceu.

Traçar objectivos não é a mesma coisa do que atingi-los. Por mais que se argumente com a lógica dos factos e com o que foi conseguido até aí, sobretudo no futebol interno as previsões bastas vezes são como os melões... Seria pois à luz destas contingências que deveriam ser feitas determinadas análises, e não a eterna espera por qualquer deslize nas declarações de qualquer responsável para que isso fosse motivo de críticas acesas. Todavia, sabe-se que os seus objectivos estão muito para além da crítica construtiva, pois procuram em última instância desestabilizar de forma a conseguir aumentar a temperatura sobre a estrutura empurrando-a desse modo para a inconstância e em moldes que os resultados reflictam isso mesmo, ou em alternativa servir de antecâmara para o sempre apetecível erro de gestão. Será por eles, mas fundamentalmente pelos interesses que representam.

Não tem sido por caso que desde o princípio do ano e quando nos encaminhamos para fases mais avançadas das diversas provas que as anomalias e as confusões começaram a surgir em catadupa. Foi o estranho adiamento do jogo de Setúbal, a utilização irregular de jogadores, as denúncias anónimas e até o melhor árbitro do Mundo depois da rábula do adiamento e de se andar a oferecer para apitar o clássico, veio depois apressadamente a tentar emendar a mão. Não faltaram as clássicas decisões estapafúrdias do recorrente Conselho de Disciplina em que sobre um tema rigorosamente idêntico teve um entendimento diferente, com todo o aspecto de que atendeu o recurso em função do peso do recorrente. Enfim, nada a que não estejamos já habituados, e nem se pode considerar estranho se falar do Benfica quando o enfoque devia estar noutros assuntos. Dá ainda assim para imaginar o que aí vem...






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