Ponto Vermelho
Bayer Leverkusen - Benfica
14 de Fevereiro de 2013
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Liga Europa - Dezasseis avos-de-final - 1ª Mão
Estádio Bay Arena (Leverkusen)

Árbitro Principal: Mateu Lahoz

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Melgarejo, Garay, Luisão, André Almeida, Matic, André Gomes (Enzo Pérez 42m), Ola John, Urreta (Salvio 58m), Gaitán, Cardozo (Lima 73m)

Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Maxi Pereira, Jardel, Enzo Peréz, Salvio, Lima, Rodrigo

Cartões Amarelos: 2: Melgarejo 45+1m e Gaitán 76m

Cartões Vermelhos: 0

Resultado Final: 0-1; Cardozo 62m

Benfica em Leverkusen na procura de um resultado positivo que lhe permitisse encarar a 2.ª Mão na Luz com optimismo, num regresso a um local onde havia sido feliz em 1994. Jorge Jesus confirmaria o mote dado nas últimas semanas de que a prioridade do Benfica reside no campeonato, e desse modo optaria mesmo por relegar para o banco Maxi, Enzo, Salvio e também Lima, promovendo assim a inclusão no onze de André Almeida, André Gomes, Ola John, e de novo Urreta.

Após um início cauteloso, com o Benfica a tentar pressionar sempre que possível mas com mais Leverkusen, aos 4’ uma bola nas costas da defesa encarnada obrigaria Artur a mostrar-se atento, tendo de sair e segurar a bola. Respondia o Benfica, aos 5’ e num contra-ataque iniciado por André Gomes, o cruzamento de Ola John acabaria por ser resolvido pela defesa alemã.

De novo o Benfica, aos 6’ era Matic quem trabalhava bem e depois de ganhar espaço alguma folga à entrada da área alemã, animava os muitos portugueses presentes no Bay Arena. Espreitavam os alemães os lances de bola parada, aos 7’ e na sequência de um livre perigoso nas imediações da área encarnada, o remate saía contudo contra a barreira.

Já depois de um lance típico dos alemães, tentando explorar as costas da defesa do Benfica ser interrompido por fora-de-jogo, os mesmos tentavam pressionar ainda que invariavelmente o Benfica conseguisse sair bem da pressão, e só ia faltando aos pupilos de Jorge Jesus mais esclarecimento nos últimos 30 metros.

Chegavam assim dez minutos divididos, e aos 11’ o perigo das bolas paradas dos alemães pairava com o primeiro canto para os anfitriões, lance que a defesa encarnada resolveria sem grande dificuldade. Aos 13’ Ola John desequilibraria e depois de ganhar espaço junto à área germânica, naquele que era o primeiro lance com algum frissom, levava o remate a sair contra Wollscheid, e logo de seguida novo contra-ataque iniciado por André Gomes, que lançaria Urreta na esquerda para um remate em jeito do uruguaio que permitia defesa fácil a Leno.

Respondiam os alemães com um lance pela direita do seu ataque do qual resulta um cruzamento com algum perigo que por pouco não acaba com remate de Castro, e do canto subsequente de novo alguma confusão, com Artur finalmente a segurar. Chegavam os primeiros 20 minutos, com o Bayer Leverkusen com mais posse de bola mas sem grandes ideias, e o Benfica a espreitar o contra-ataque e muito bem no capítulo defensivo.

Precisamente aos 20’ surgia um contra-ataque dos alemães depois de uma boa jogada de envolvimento do Benfica, sendo que o cruzamento recuado da direita encontraria Castro que atirava de primeira e ao lado. Com a neve a cair impiedosamente, aos 21’ surgia o primeiro livre a favorecer os encarnados, no qual Urreta tocava para Gaitán que cruzava para a defesa germânica resolver.

Muitos assobios por parte das hostes alemães quando um seu jogador ficava maltratado e os jogadores do Benfica demoravam algum tempo a pôr a bola fora, e aos 24’ surgia um bom lance do Benfica; excelente passe para Ola John que explorava as costas da defesa alemã, o holandês ainda acaba por perder espaço e tempo numa primeira instância, ainda assim o passe recuado para André Almeida culmina num bom remate do português um pouco por cima da baliza de Leno.

Aos 27’ de novo algum frissom com umas bolas nas costas da defesa alemã, e aos 28’ era Urreta quem entra na área mas quando estava prestes a rematar, via Wollscheid dobrar o seu companheiro e ceder canto do qual nada resultaria.

Mais Benfica, mas a partida de novo interrompida logo de seguida, desta vez por queixas de Kadlec. Aos 29’ Matic mais uma vez muito bem recuperava e lançava novo contra-ataque do qual resultaria novo canto para os encarnados, e depois de alguma confusão no lance valia aos alemães Kiessling que resolvia atirando o esférico para as bancadas.

Chegava a primeira meia hora com o Benfica a controlar as operações, capaz de anular os pontos fortes do adversário, e apenas se lhe pedia mais esclarecimento no último terço, de forma a poder criar oportunidades e porventura chegar ao golo. Dificuldades evidentes à medida que a neve ia caindo, e entraríamos de seguida numa toada morna com o Benfica a controlar bem as operações, sob a batuta de Matic, dono e senhor do meio-campo.

Nova interrupção, desta vez para assistência a André Gomes, e aos 39’ algum perigo junto à baliza de Artur, depois de Schurrle conseguir explorar as costas de André Almeida que havia estado até então irrepreensível. Valia na circunstância Luisão a ceder canto, resolvido mais uma vez por Matic ao primeiro poste, e aos 41’ surgia a primeira contrariedade na partida e para os encarnados, com André Gomes a ressentir-se da pancada minutos antes e a ter de ser substituído por Enzo Pérez.

Seguia-se um contra-ataque do Benfica e a resposta dos alemães, num lance que por sinal valia o primeiro amarelo da partida e logo para Melgarejo que interrompera uma jogada de contra-ataque da equipa da casa, e ainda antes do intervalo aos 45+1’ na sequência de um livre frontal cedido por Luisão, Gonzalo Castro rematava contra a barreira, dando início a uma sequência de cantos a beneficiar a sua equipa, resolvidos entretanto por Luisão e Gaitán.

Chegava o intervalo com um nulo depois de uma boa primeira parte dos encarnados, e do lado oposto Sascha Lewandowski trocaria Schurrle, porventura lesionado, por Sidney Sam. Esperava-se um Leverkusen a arriscar mais e mais afoito na segunda metade e assim seria. Logo no reatamento alguma cerimónia junto à pequena-área encarnada e vale que o desarme a André Almeida sai ao lado da baliza de Artur.

Gonzalo Castro escapava-se ao amarelo depois de cotovelada em André Almeida que o deixava a sangrar e o obrigava a ser assistido fora das quatro linhas, e logo de seguida nova ameaça, com Rolfes a culminar uma iniciativa da esquerda do ataque germânico com uma insistência por cima.

Fechava bem o Benfica, aos 51’ Garay antecipava-se a um alemão e conseguia lançar o contra-ataque de Gaitán que valia a Bender o primeiro amarelo dos alemães, e iam-se ouvindo os adeptos portugueses, irrepreensíveis no apoio à equipa não fosse o rebentamento de alguns petardos.

Dentro das quatro linhas Urreta aproveitava o lance para bater à figura de Leno, e enquanto Gaitán ia pautando o jogo dos encarnados, compreensivelmente sem grande progressão, já o Leverkusen tentava jogar mais pressionante e acelerar a partida. Mexia Jorge Jesus aos 58’, fazendo Urreta sair para dar o lugar a Salvio, ainda assim a bola continuava a rondar sobretudo a baliza de Artur.

Aos 59’, de novo canto a favorecer os alemães, resultaria mesmo a primeira grande oportunidade de golo da partida; depois de beneficiar da trajetória da bola Kadlec aparecia na cara de Artur, mas o guarda-redes encarnado no entanto ganhava-lhe o duelo.

Respondia o Benfica aos 62’ e de forma letal; contra-ataque liderado por Salvio, a bola endossada a Cardozo que não domina e involuntariamente deixa que esta chegue a André Almeida, e o português a assistir Cardozo para depois de tirar o seu adversário directo da frente, picar por cima de Leno e inaugurar o marcador.

Natural festa nas bancadas por parte dos benfiquistas que viam a sua equipa chegar ao golo numa fase importante, mas respondiam os alemães; aos 63’ na sequência de um livre perigoso descaído para a esquerda do seu ataque, Gonzalo Castro batia e o cabeceamento de um seu colega saía pouco por cima.

Tentava o Leverkusen o empate, valia Artur novamente com outras defesas fantásticas a remates de insistência depois de um lance gizado pela direita do ataque germânico; primeiro negando o golo a Rolfes, e, depois, a Sam que quase aproveitava um corte deficiente da defesa benfiquista para a zona frontal.

O Benfica respirava e aos 66’ ganhava canto do qual Luisão cabecearia fraco para as mãos de Leno, mas eram os alemães a equipa mais perigosa por esta altura; aos 68’ e depois de muito espaço concedido a Hegeler, valia Artur novamente a ganhar o duelo e a ceder novo canto.

Do canto Lars Bender aparecia novamente ao segundo poste para em desequilíbrio rematar ao lado da baliza de Artur, e o Benfica ia sentindo algumas dificuldades em segurar os extremos alemães. Na resposta, ainda assim, aos 69’ num contra-ataque bem construído pelos encarnados é Ola John que tenta um chapéu que sai no entanto às malhas superiores da baliza de Leno.

Nova mexida na equipa da casa, aos 70’ Castro saía para dar o lugar a Milik, e aos 71’ de novo algum perigo junto à área encarnada, depois de Enzo conceder livre perigosíssimo. Ainda assim, Hegeler batia para nova defesa de Artur, desta vez incompleta e que permitia a recarga a Lars Bender, que cabeceava por cima.

Saía Cardozo e entrava Lima aos 73’, e aos 76’ era Gaitán quem via amarelo por interromper um contra-ataque dos germânicos, do qual resultaria nova bola bombeada para a área encarnada, com Artur a segurar sem dificuldades. Com menos fulgor agora, tentavam os alemães chegar ao empate, aos 77’ era Milik quem remataria cruzado e levava a bola a sair ao lado da baliza benfiquista, e aos 78’ após nova bola nas costas da defesa encarnada, valendo na circunstância a interrupção por fora-de-jogo de Kiessling.

Insatisfeito com a decisão, o alemão reclamava veementemente com o árbitro, aparentemente por se tratar de fora-de-jogo posicional, e via por isso o amarelo, e entrava-se numa fase com o Benfica melhor, dono e senhor das operações, perspectivando que iria mesmo sair da Alemanha com a vitória. Aos 78’ Gaitán descobria Salvio na direita que rematava de primeiro contudo ao lado da baliza de Leno, e com as festas nas bancadas... rebentava mais um petardo junto aos adeptos do Benfica, que merecia o reparo da speaker do estádio.

No rectângulo o Benfica continuava a estar no comando das operações, aos 80’ Enzo era mesmo atropelado por Milik que valia mais um amarelo para o conjunto germânico, e os encarnados estariam perto de novo golo aos 80’, depois de Ola John se isolar. O holandês no entanto acabaria por perder o duelo com Leno.

Aos 81’ e na outra área Garay cedia mais um canto sendo que ainda antes da marcação Boenisch rendia Hosogai, e prosseguia a festa entre os muitos portugueses presentes. Nova falta muito perigosa nas imediações da área benfiquista aos 83’, algo duvidosa porque ambos os oponentes haviam entrado de pé em riste, e o remate desta vez saía contra a barreira, resultando inclusive em contra-ataque que culminava num mau passe de Lima. Assim não fosse, Gaitán poderia isolar-se.

Sem grande inspiração do lado oposto, aos 86’ o cruzamento da esquerda encontrava Kiessling que atirava para as nuvens, e aos 87’ de novo Artur a demonstrar atenção, antecipando-se a Samm e a evitar nova oportunidade do adversário. Com três minutos de compensação, prosseguiam as tentativas ténues dos alemães, bombeando bolas para a área encarnada, mas aos 90+3’ numas das muitas tentativas ficariam mesmo muito perto do empate, valendo na circunstância o esforço de Melgarejo que acabaria por substituir o já batido Artur e assim tirar a bola em cima da linha, assegurando a vitória.

O árbitro espanhol apitaria de seguida para o final e comprovava-se o excelente resultado do Benfica em solo germânico.

Depois dos merecidos agradecimentos aos portugueses presentes no Bay Arena, na flash interview Luisão demonstrava-se satisfeito por vencer num campo complicado e subscrevia a dificuldade por um conjunto de factores. O capitão endereçaria ainda os parabéns aos adeptos que se fizeram ouvir, e instado a comentar o que havia sido dito sobre o episódio de Dusseldorf nos últimos dias, admitiu não ter ouvido nada e que apenas ficou concentrado em jogar futebol.

Já Garay disse que sabiam que iam ter pela frente uma equipa difícil, subscrevendo uma primeira parte melhor do que a segunda na qual o golo ajudou sobremaneira, e a respeito da neve que caiu disse ter dificultado mas ainda assim congratulou-se por a equipa ter trabalhado muito bem em conjunto.

Jorge Jesus por seu turno aceitou o repto dos dois objectivos alcançados lançado pela jornalista, o do bom resultado e o de poupar jogadores, e defendeu ter sido um bom jogo da sua equipa no capítulo táctico, repisando a ideia de terem tido pela frente uma equipa forte que por sinal ganhara em Munique. O técnico benfiquista diria também que depois do golo defenderam bem e acabaram por conseguir um bom resultado, mas refreava os ânimos recordando que ainda falta o segundo jogo e o Bayer Leverkusen pode fazer o que o Benfica fez na Alemanha em Lisboa. Quanto a André Gomes disse que tão cedo não poderá contar com ele porque sofreu uma pancada e um traumatismo, e a última palavra do técnico foi para a força que os adeptos e emigrantes acrescentaram nesta partida, motivo pelo qual acabaria por dedicar aos portugueses a vitória e endereçando-lhes ainda «muito obrigado».

Comentário Final: Os alemães, sobretudo em casa, costumam constituir um osso duro de roer para as equipas portuguesas. Por exemplo, o Benfica só registava uma vitória essa conseguida já no consulado de J.J.

Sem surpresa o Bayer Leverkusen tentou de imediato assumir o controle da partida através de ataques rápidos mas o bom posicionamento defensivo e o excelente labor de Matic em todo o campo tornava as coisas difíceis para os alemães que nunca encontraram o antídoto para furar a defesa encarnada sempre em bom plano. Aceitava-se assim o empate ao intervalo.

No recomeço o Bayer tentou aumentar a velocidade do jogo através dos extremos, o Benfica começou a abrir mais espaços e a bola começou a rondar mais assiduamente a baliza de Artur, ainda que as oportunidades teimassem em não aparecer.

E eis que num contra-ataque rápido o Benfica chegou ao golo com classe de Cardozo.

A partir daí os alemães tentaram um forcing final para chegar pelo menos à igualdade mas o Benfica bateu-se bem sem perder de vista a possibilidade de contra-atacar.

Os 10 minutos finais proporcionaram algumas oportunidades ao Bayer sobretudo no último minuto com Melgarejo num último esforço a salvar o Benfica do empate.

Vitória justa pela entrega de todos os jogadores ainda que com alguma felicidade.

Toda a equipa se bateu bem mas não podemos deixar de salientar o magnífico trabalho de Matic. Arbitragem com alguns erros mas sem problemas de maior.














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