Ponto Vermelho
Continua o Carnaval?
15 de Fevereiro de 2013
Partilhar no Facebook

Neste País do faz de conta, somos confrontados diariamente com pseudo-anedotas contadas por oportunistas travestidos de mediáticos de ocasião que as espalham pela opinião pública com o ar mais sério deste Mundo. Pessoas cuja ética causa embaraços a si próprias e que andam sistematicamente envolvidas em confusões, não serão propriamente as mais indicadas para se debruçarem sobre casos demasiados sérios e que só acontecem devido à incúria, ao desleixo e à incompetência com que abordam e tratam assuntos que deveriam merecer uma reflexão ponderada e uma atenção redobrada.

Vem isto a propósito dos incidentes de Braga e das estapafúrdias e incríveis declarações de Miguel Relvas, responsável pela pasta do Desporto, na linha infelizmente habitual do que costuma caracterizar este bombeiro-pirómano. Através de mais uma incursão para papalvo ouvir e ler, Relvas disserta sobre aquilo que considera um caso pontual, o que revela manifesto desconhecimento sobre o que se passa no país real, com a proliferação de indícios e casos que configuram uma ameaça real e constante aos cidadãos que têm o vício de gostar do desporto, para além de todos os que nele participam directamente sejam eles atletas, dirigentes ou familiares que sobretudo no desporto juvenil através do seu esforço e dedicação representam tudo o que o Ministério de Relvas ignora, não faz, e pura e simplesmente se demite.

Aliás, só um governo insensível e irresponsável é que se lembra de deitar cá para fora um D.L. do jaez daquele que altera o estabelecido sobre policiamento dos eventos desportivos, nesta altura do campeonato sobre o pretexto de poupar uns tostões a bem do malfadado défice, chutando como é hábito o ónus para cima dos clubes que já estavam há muito a substituir-se ao executivo na formação e que agora, fiéis à máxima do próprio Ministro Relvas do utilizador-pagador, terão que pagar generosamente o policiamento... se o quiserem ter. Sim, porque os impostos pagos pelos cidadãos não revertem propriamente em benefício de todos mas tão somente para continuar a alimentar a fobia da redução do défice. E não só...

Temos que convir que na tradicional fuga para a frente e no alijar de responsabilidades que o executivo costuma adoptar, a questão é muito simples e engenhosa: A responsabilidade da segurança (que deixou de ser obrigatória) é vossa. Se porventura optarem por não a ter nos moldes em que seria adequada aos eventos a realizar e se vierem a acontecer problemas, a culpa é única e exclusivamente vossa não nos podendo ser assacada qualquer responsabilidade. Estamos a falar das categorias superiores, dado que nas inferiores cujos encargos eram suportados pelo estado e deixaram de o ser, o risco é à partida menor. Mas como tem sido noticiado, nos últimos tempos, os casos de violência têm-se multiplicado o que aliás já se perspectivava tendo em conta a situação de emergência social em que o país se encontra.

A fraseologia política de que estamos fartos devia ao menos ser updated. Todos sabemos o quer dizer: «A revisão da lei não resolve os problemas de fundo. Estas situações pontuais precisam de ser analisadas e avaliadas para encontrar soluções» - pura e simplesmente hipocrisia de quem está a ver que fez asneira mas é incapaz de a reconhecer e de a assumir. Presumem os cidadãos que qualquer lei versando qualquer tema da sociedade deva ser estudada previamente, ponderados os prós e os contras e só depois passar à prática legislativa e à sua implementação se necessário a título experimental. Até porque nenhuma lei é perfeita.

Mas o Ministro Relvas deveria ter tido cuidado no que afirmou. Desde logo porque efectivamente a lei, em vez de resolver os problemas de fundo, está a agravá-los! Mas a sua revisão, se tivesse em conta o que vem sendo afirmado por vários especialistas na matéria, poderia pelo menos minorá-los em grande parte. Depois porque não são «situações pontuais» mas casos infelizmente recorrentes e Relvas como cidadão bem informado e essencialmente como Ministro da tutela não pode alegar que os desconhece, pois eles têm vindo a ser noticiados regularmente na imprensa. Depois porque a frase proferida de que estas situações pontuais precisam de ser analisadas e avaliadas... é vaga, imprecisa, e totalmente inócua. Sabemos perfeitamente o que isso quer significar na gíria política: rigorosamente nada...

Nesse contexto, sendo que Miguel Relvas fruto das suas contínuas trapalhadas está há muito completamente descredibilizado e não é mais levado a sério, poder-se-ia estabelecer de algum modo, uma analogia: da mesma maneira que Pedro Proença deveria ser proibido de apitar jogos do Benfica por reiterada inaptidão psicológica, o Ministro Miguel Relvas deveria manter permanentemente o silêncio e ser impedido de abrir a boca. A atmosfera ficaria eternamente agradecida e os cidadãos deste país em colapso bem merecem ser poupados. Como não haveria bela sem senão, quem ficaria a perder seria o anedotário nacional. Mas enfim, não se pode ter tudo...






Bookmark and Share