Ponto Vermelho
Grotescas decisões e omissões
16 de Fevereiro de 2013
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O cada vez mais surpreendente e desacreditado Conselho de Disciplina do nosso descontentamento continua a manter a cadência normal a que nos habituou; revela a cada passo e com impressionante regularidade, uma fatal tendência para produzir decisões bizarras e polémicas. E até mesma na sua faina semanal de aplicar coimas aos clubes e aos jogadores já enveredou por esse diapasão, como ilustra bem o caso do Paços de Ferreira que foi multado por os seus adeptos terem festejado exuberantemente o 2º golo da sua equipa na deslocação ao estádio do SC Braga. Sintomático!

Começamos a ficar preocupados pela escassez de bom senso do citado Conselho que cada vez menos faz juz ao nome, mas antes apresenta-se como um órgão contraditório nas decisões que toma, em que longe de pugnar pela justiça consequente, promove e lança a confusão no espírito dos adeptos do futebol que cada vez menos conseguem acompanhar a lógica justiceira daquele órgão. E isso faz com que as decisões sejam vistas numa óptica meramente clubista que, face ao extremismo que impera na sociedade portuguesa e particularmente no futebol, em vez de promover a acalmia consegue acirrar cada vez mais os ânimos que agora se podem exprimir à vontade considerando a flexibilização da poupança definida pela nova lei sobre o policiamento dos eventos desportivos.

O que vale e o que nos deixa descansados é que o Ministro com a Tutela do Desporto se revela tranquilo e não sente insegurança sempre que assiste a um jogo de futebol no conforto e na segurança das Tribunas de Honra. O que promove a nossa tranquilidade é ouvir da boca de Miguel Relvas que a ligeira escaramuça de Braga foi um caso pontual e todos os casos que aconteceram e foram reportados pela imprensa só existiram no nosso imaginário, podendo todos os que frequentamos estádios de futebol ou os que sendo alheios estão a passar acidentalmente nas imediações, estar descansados porque a situação está controlada e nenhum mal ao mundo advirá.

Inúmeras vezes têm sido feitas referências às minorias radicais que têm estado a promover a confusão e o caos nos estádios do futebol em particular nos desafios mais mediáticos, com ameaça para os outros espectadores e com sérios prejuízos para os clubes em que o menor dos problemas são as centenas de cadeiras destruídas e arremessadas com destino incerto. Ao que já foi afirmado publicamente por responsáveis policiais, os heróis causadores da destruição estarão identificados, parece igualmente haver enquadramento legal, mas falta sempre qualquer coisa que impede as autoridades de actuar no sentido de lhes ser vedado o acesso aos estádios e assim continuarem a desenvolver os seus objectivos inconfessáveis.

Por sua vez a justiça desportiva quando tal acontece também não actua como elemento disuassor e isso acaba por incentivar a prática de novas acções condenáveis. Como todos já reparámos o problema não diz respeito a este ou àquele clube mas manifesta-se de forma transversal, pelo que continuarmos a assobiar para o ar é a pior das soluções. Depois é o rebentamento de petardos cada vez mais comum nos estádios portugueses e até nos pavilhões como ainda há algum tempo aconteceu com o Benfica, pelo que apelar ao bom senso de pessoas com intuitos radicais é pura e simplesmente tempo perdido. Requeriam-se pois acções consequentes de forma a desincentivar os prevaricadores e, como não acontecem, isso constitui um factor de motivação para novas acções.

Veja-se o caso do Benfica que devido a incidentes desse género registados no encontro com o Spartak de Moscovo em Novembro último viu a UEFA levantar-lhe um inquérito para eventual punição. Aquela entidade normalmente não faz omissões nem revela a brandura que vemos no nosso Conselho de Disciplina que se limita a praticar o seu exercício favorito – as multas. E as consequências desse laissez-faire… estiveram patentes na última 5ª feira em Leverkusen, onde alguns desses radicais internacionalizaram os petardos portugueses apesar dos vários avisos nesse sentido. Provavelmente porque no seu sub-consciente estavam a imaginar-se no Estádio da Luz ou em qualquer outro estádio desta pátria lusa. Mais uma machadada no prestígio do futebol português…

A erradicação deste e de outros problemas similares não pode ser feito com um simples clicar no botão. Seria preciso o envolvimento de um vasto leque de entidades no estudo e implementação de medidas urgentes para se começar paulatinamente a resolver tão candente questão. Mas para além da inércia que se tem verificado nesta matéria, o que se fez foi exactamente o contrário com a aprovação da aberrante lei do policiamento que, além de ineficaz, avançou justamente na pior altura possível uma vez que pelas razões que todos conhecemos (e sentimos), a crispação social tomou definitivamente conta da sociedade portuguesa e veio apenas com bilhete de ida. Não é com leis por mais justas que sejam e com apelos ao civismo implícitos por um lado, deixando ao livre arbítrio dos organizadores dos espectáculos por outro, que se chegará à paz e à acalmia. Pelo contrário, estão a ser permitidas mais possibilidades aos que querem fazer do futebol outro espectáculo. Depois não venham arranjar desculpas de mau pagador…






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