Ponto Vermelho
Benfica - Académica
17 de Fevereiro de 2013
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Liga Zon-Sagres, 19ª jornada
Estádio da Luz, 17 de Fevereiro de 2013 - 20:15

Árbitro Principal: Nuno Almeida - AF Algarve
Árbitros Auxiliares: Paulo Ramos e Nuno Vicente

Benfica (Titulares): Artur, Melgarejo, Garay, Luisão, Maxi Pereira, André Almeida (Carlos Martins 68m), Enzo Pérez, Salvio, Ola John (Kardec 60m), Rodrigo (Nico Gaitán 67m), Lima
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Roderick, Pablo Aimar, Carlos Martins, Gaitán, Urreta, Alan Kardec

Cartões Amarelos: 2; Maxi Pereira 39m e Lima 90+5m
Cartões Vermelhos: 0

Resultado Final: 1-0; Lima 90 (pen.) 90+4m

Quarto jogo a opor Benfica e Académica na presente época, sendo que das três vezes anteriores os encarnados haviam vencido por duas vezes e empatado uma, por sinal num jogo de má memória em Coimbra sob a égide de Carlos Xistra.

Algumas contrariedades de parte a parte, do lado dos estudantes Halliche castigado e Saleiro lesionado, e do lado encarnado visíveis dificuldades no miolo, fruto da lesão de André Gomes e também do castigo de Matic. A juntar a essas ausências, também Cardozo, expulso na partida da Choupana por Pedro Proença, quedava-se fora da partida.

Jorge Jesus optaria assim por compor o miolo com André Almeida e Enzo Pérez, e no jogo 352 de Luisão, tempo para que os espectadores presentes pudessem assistir à homenagem ao capitão encarnado minutos antes do início da partida.

36206 espectadores viam o Benfica desde logo no comando das operações, tentando imprimir alguma velocidade no início e a pressionar os estudantes. Logo ao minuto 2 surgia o primeiro remate da partida, por intermédio de Lima após insistência de Maxi, no entanto sem a melhor direcção.

A Académica revelava dificuldades para sair, e aos 6’ era Rodrigo quem aproveita o adversário estender-se um pouco mais no terreno para numa transição rápida da sua equipa, entrar na área e com o seu pior pé rematar às malhas laterais da baliza de Ricardo.

De novo Maxi Pereira aos 8’, entrava na grande área dos estudantes depois de uma jogada de envolvimento da sua equipa mas o seu cruzamento acabava por sair mal, e surgia então a primeira interrupção, com Marinho estendido na relva.

Chegavam os primeiros 10 minutos com mais Benfica pese embora a Académica fechasse bem os caminhos para a sua baliza, e aos 12’ fruto de uma boa jogada encarnada com Melgarejo em evidência a colocar em Ola John e este a trabalhar para Rodrigo, o hispano-brasileiro depois de ganhar espaço rematava novamente de pé direito e ganhava o primeiro canto da partida.

A Académica estendia-se mais a partir dos 15 minutos, e com mais espaço para jogar aos 19’ o Benfica viria a estar perto do golo; Enzo causa o desequilíbrio na direita e a bola acaba por rondar a baliza de Ricardo, sem que ninguém do Benfica conseguisse empurrar, lance que acabava num remate acrobático de Maxi Pereira à figura de Ricardo.

Chegavam os primeiros 20 minutos e as esperadas dificuldades em ultrapassar o reduto defensivo dos estudantes eram cada vez mais um dado seguro. Tentava o Benfica encontrar os caminhos, aos 22’ Ola John e Lima trabalhavam juntos mas o cruzamento do brasileiro acabaria por ser resolvido por Reiner Ferreira, que cedia novo canto que acabaria por ser resolvido por Ricardo.

Alguma apreensão à medida que a Académica ia conseguindo levar a água ao seu moinho, e aos 24’ surgia o primeiro canto para a Académica, após corte de André Almeida. O mesmo resolveria o lance, numa altura em que a Académica conseguia trocar a bola e acercar-se da área encarnada, e aos 25’ era Salvio quem lançava a equipa de novo para o ataque, quando depois de um slalom fazia a bola chegar a Rodrigo na direita, e este centrar com conta, peso e medida para Lima que sem oposição cabeceava para defesa a dois tempos de Ricardo. Uma excelente oportunidade para o Benfica.

Aos 27’ surgia novo cruzamento de Rodrigo da direita, desta vez a atravessar a área e a perder-se pela linha final, e assistia-se à nítida dificuldade do Benfica para desmontar a teia dos conimbricenses. Aos 30’ Ola John encontrava Enzo no meio que atirava forte mas Ricardo atento defendia para canto, e do mesmo nada resultaria senão um corte de João Real depois de insistência de Rodrigo da direita.

Lima antecipa-se a João Real depois de um cruzamento da direita aos 33’, não vencendo ainda assim a oposição de João Real que cedia mais um canto que nada acrescentaria, e paulatinamente o autocarro tinha ia começando a crescer e a trazer alguma ansiedade à Luz, que via ainda Cissé cair no relvado e pedir assistência.

Maxi via amarelo aos 39’ depois de derrubar Wilson Eduardo, lance que resultava num livre perigoso a favorecer os estudantes que Reiner Ferreira apesar do muito balanço, rematava forte mas ao lado, e os nervos começavam a apoderar-se da Luz, que para além de ver o jogo muito longe da baliza de Ricardo nesta fase, ainda via a Académica ganhar novo canto aos 41’ depois de um lance de um conimbricense com André Almeida.

Alguns assobios eram já evidentes, à medida que o Benfica não ia conseguindo encontrar antídoto e Maxi Pereira ainda por cima dava o pior seguimento a uma jogada dos encarnados. Aos 43’ Rodrigo trabalhava mas via João Dias de novo ceder canto, e na sequência do mesmo, Ola John a cruzar mas o lance a ser mais uma vez resolvido pelos estudantes.

Seguiam-se muitas cerimónias dos conimbricenses e excessiva contemporização de Nuno Almeida com o anti-jogo, e o intervalo chegava depois de novo canto desaproveitado pela Académica aos 45’, depois de uma rosca de Enzo Pérez.

Chegava o intervalo com o nulo e com alguma apreensão nas bancadas, e para a 2.ª parte nenhuma das equipas efectuaria quaisquer alterações. No reatamento o Benfica de novo a tentar imprimir alguma velocidade, ainda que previlegiando a qualidade de passe, mas de novo muitas dificuldades com a Académica, para além de muito recuada, invariavelmente a pôr gelo sempre que necessário.

Ainda assim aos 47’ surgia uma boa jogada do Benfica, com Maxi a entrar na grande área e a cruzar para Rodrigo mas João Dias a resolver para canto, e do mesmo resultaria o primeiro lance polémico, com um nítido braço na bola de Hélder Cabral que Nuno Almeida não assinalava.

Aos 49’ era a vez da Académica ficar a reclamar falta de Lima sobre João Real, lance que culminava numa assistência para para Ola John que atirava ao poste direito da baliza de Ricardo, e no mesmo minuto amarelo ainda a Cleyton, o primeiro a ser punido por conduta anti-desportiva, algo que vinha sendo frequente.

Calafrio aos 51’, quando Cissé e Wilson Eduardo apareciam na cara de Artur que defendia apesar do fora-de-jogo supostamente mal assinalado, e o público tentava puxar a equipa. Na resposta aos 53’, novo lance de golo desperdiçado pelo ataque encarnado; Rodrigo aparece na área e permite nova grande intervenção a Ricardo.

Tentava o Benfica e Nuno Almeida levava todos ao desespero com nova interrupção de jogo, A todos os níveis incompreensível, e de interrupção em interrupção aos 56’ ainda uma outra, com Reiner Ferreira a atirar-se para o relvado e a subir de tom o nervosismo na Luz.

Aos 59’ surgia novo cruzamento da direita para finalização deficiente de Rodrigo, e a primeira substituição na equipa de Jorge Jesus surgia aos 60’, quando Ola John saía para dar o lugar a Kardec, com Rodrigo a descair... para a esquerda.

Prosseguia a muita impaciência na Luz a cada passe falhado, os preciosismos de Nuno Almeida tão pouco ajudavam, mas ainda assim acordava de novo a Luz a tentar puxar pela equipa. Aos 64’ Rodrigo finalmente ganhava a linha e conseguia assistir Lima que de boa posição rematava muito torto.

O anti-jogo era a nota dominante, e aos 65’ depois de canto ganho por Maxi... nova interrupção, com a despesa desta vez a recair sobre Wilson Eduardo. Aos 67’ Rodrigo saía finalmente para dar o lugar a Gaitán e também Carlos Martins rendia André Almeida, e aos 68’ a punir mão na bola de Hélder Cabral, a bola bombeada por Carlos Martins acaba por ser resolvida pela defensiva dos estudantes.

Gaitán tentava dar dinamismo mas o autocarro era agora... de três andares e o espaço reduzido fruto de 11 jogadores da Académica a jogar em 30 metros, e aos 70’ a cruzamento de Lima, Salvio antecipava-se ao seu marcador mas levava o cabeceamento a sair por cima. Tempo então de surgir nova substituição na equipa da Académica, aos 71’ Wilson Eduardo saía para dar o lugar a John Ogu, uma substituição que demorava perto de 1 minuto a ser efectuada. Na Luz gritava-se «palhaço!», e aos 73’ num canto ganho por Carlos Martins na direita, a vez de Garay cabecear e por pouco Lima não chegar para a emenda.

Mexia novamente Pedro Emanuel, desta vez a lançar Makelele para o lugar de Bruno China, e aos 76’ era Enzo quem rompia mas levava o seu cruzamento a chegar a Ricardo. Do lado oposto, Maxi via Hélder Cabral resolver a sua iniciativa e na insistência do uruguaio, Lima dentro da área com a pressão de João Real, ganhava canto depois de nova boa oportunidade.

Do mesmo nada resultaria, mas nem por isso os espectadores deixavam de acreditar. Aos 79’ Salvio era derrubado, nova falta cobrada por Carlos Martins da qual nada resultaria, e aos 80’ cruzamento da direita do mesmo Carlos Martins, com Ricardo a não conseguir aliviar à primeira, mas depois a desviar para a trave o remate com selo de golo de Melgarejo que aparecera de trás a rematar fortíssimo.

Aos 80’ tempo para a última substituição na Académica, entrava Edinho e saía Cissé, e aos 83’ o mesmo Edinho era derrubado por Luisão e ganhava um livre que permitia manter a sua equipa longe da sua área, numa raridade na 2.ª parte. Do livre os estudantes bombeavam a bola para a área encarnada, e algum perigo novamente, apesar da falta previamente assinalada por Nuno Almeida.

O tempo escasseava e pairava naturalmente o empate, até porque a inspiração dos encarnados ia sendo pouca. Aos 87’, cruzamento da direita da Salvio e Makelele a ceder canto para novo cabeceamento de Luisão por cima, e aos 88’ Helder Cabral infantilmente a ceder um outro, mais uma vez sem consequências.

Subia a placa com cinco minutos para jogar, e era com muito sofrimento e a jogar-se junto à área dos estudantes que se desenrolavam os instantes finais. Aos 90+2’ Ricardo resolvia mais um lance sobre Kardec, e aos 90+3’ o lance capital da partida; Kardec ganha nas alturas e assiste Gaitán, João Dias agarra o argentino, e Nuno Almeida apontava para a marca de grande penalidade.

Com a pressão nos seus ombros, chamado à conversão Lima batia para a esquerda e Ricardo atirava-se para a direita, e com o golo surgia a natural explosão no Estádio da Luz. Os efusivos festejos de Lima que tirara a camisola valiam-lhe o amarelo, e instalava-se a confusão fruto de alguns jogadores dos estudantes reagirem mal ao golo fora de horas, com Edinho em plano de evidência a ser afastado da confusão por Luisão, e Hélder Cabral a ser expulso depois de gestos impróprios para o público. No meio de tudo, também muito bem Pedro Emanuel, calmo e sereno a tentar acalmar os ânimos.

Terminava o jogo com os nervos à flor da pele, e com Keita e Edinho de cabeça perdida. Também por isso não se estranhava a separação das equipas no centro do relvado.

Na flash interview Lima fazia referência a uma Académica muito defensiva, mas dizia que o Benfica merecera a vitória, tanto quanto a «torcida». Quanto à grande penalidade, admitiu parecer-lhe que Gaitán havia sido agarrado, e quanto ao desfecho defendeu que é sempre importante vencer, e que o grupo está muito forte e nunca desesperou e procurou o golo a todo o momento. Ainda uma palavra sobre a selecção nacional, o brasileiro disse estar aberto a convites, como já falara há muito tempo, e que se houvesse um convite não rejeitaria.

O guarda-redes dos estudantes Ricardo dizia que não tinha opinião sobre o lance da grande penalidade por havia sido tudo muito rápido e não desejava comentar a arbitragem, e quanto à confusão no final disse que foi fruto do golo no último minuto e do calor do jogo. Tempo ainda para defender a ideia de um «grande jogo» que a sua equipa fizera e da «grande atitude» que tivera.

Jorge Jesus por seu turno surgiu evidentemente exaltado, e não subscreveu a ideia que as ausências foram a razão pela qual sentiram dificuldades. Defendeu sim que as mesmas advieram de uma equipa «que não quis jogar» e que passou a o jogo a defender e a recorrer sistematicamente ao anti-jogo. O técnico diria ainda que nunca entrou em ansiedade e que uma grande penalidade aos 90’ vale a mesma coisa do que no primeiro minuto. Tempo ainda para dizer que aos 48’ já tinha havido outra grande penalidade não assinalada, e de novo comentários à exibição da Académica, pelo facto de ter jogado «em 30 metros». Uma última palavra para o público pelo apoio nos últimos 10/15 minutos e por terem empurrado a equipa para a vitória, e quanto à troca de palavras disse que era algo que não interessava, desde que não se chegasse a vias de facto.

Quanto às críticas de Jorge Jesus à actuação da Académica, Pedro Emanuel disse que cada um tem a sua opinião, admitiu a justeza do triunfo e endereçou ainda os parabéns aos jogadores, e sobre a arbitragem e a grande penalidade no primeiro ou no último minuto contrariou a ideia de Jorge Jesus e disse não ser a mesma coisa. Ainda quanto ao anti-jogo, não negando não se coibiu de responder, «cada um joga com as armas que tem».

Comentário Final: O cartão de visita com que a Académica se apresentava na Luz (3 vitórias nos últimos 5 jogos), fazia indiciar dificuldades, agravadas pelas expulsões de Cardozo e Matic e pelo jogo na Alemanha num relvado duro e pesado, perante um opositor difícil que obrigou a correr muito.

Esperava-se uma Académica retraída no seu meio-campo, mas o que não se esperava era uma táctica à antiga portuguesa naquilo que constitui um crime lesa-futebol. Defender é uma coisa, abusar é outra. Os estudantes já provaram que têm jogadores capazes de ter outra postura e lutar por outro resultado que não apenas o empate a zero.

Aceitava-se uma postura defensiva como outras a que temos assistido, mas não nos passava pela cabeça que Pedro Emanuel estacionasse toda a sua frota de autocarros frente à sua baliza, sem pensar que no outro extremo havia outra baliza onde se podiam fazer golos. Dir-se-á que competia ao Benfica desbloquear a situação. É verdade. Mas umas vezes por mérito defensivo da Académica outros por inépcia atacante (várias foram as oportunidades não concretizadas), o que é certo é que o tempo foi passando e os encarnados não conseguiam marcar. E, quando assim é, já se sabe que quem defende reforça a confiança e quem ataca começa a perdê-la.

Valeu que o público apesar de sentir algum nervosismo não passou essa energia negativa para dentro do relvado e soube ajudar a equipa quando ela mais precisava. E o prémio desse esforço conjunto chegou no fim com um golo mais do que justo e que devolveu justiça ao marcador. Globalmente a equipa esteve uns furos abaixo do que é capaz, mas as contingências que rodearam o encontro, a falta de sorte e a táctica ultra-defensiva da Académica não ajudaram em nada.

Nenhum jogador atingiu brilhantismo mas vimos vontade e querer em todos eles de lutar até ao fim por um resultado melhor. E isso é deveras importante em mais um ciclo que atravessamos.

Actuação sem grandes rasgos do árbitro com alguns erros, em particular naquilo que se nos afigurou um penalty de Hélder Cabral. Esteve mal em não punir o anti-jogo sistemático dos jogadores da Académica mas isso parece ser um problema comum à arbitragem portuguesa.














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