Ponto Vermelho
Considerações marginais...
18 de Fevereiro de 2013
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Tal como se tinha perspectivado, o Benfica teve ontem à noite vida difícil contra a Académica e esteve iminente a perda de dois pontos. Desta vez, apesar de uma arbitragem que não esteve de modo nenhum isenta de erros sobretudo uma grande penalidade aos 48m que, a ser assinalada e concretizada, poderia abrir o cofre-forte dos estudantes, também pactuou com o manifesto anti-jogo dos academistas. Aparte esses pecados (em particular o penalty), não foi por aí que o Benfica esteve prestes a claudicar, mas por um conjunto alargado de razões que importa sublinhar e reter para que numa previsível próxima situação, a equipa possa reagir de conformidade e com maior assertividade.

Foi deveras interessante de ler e ouvir a pluralidade de opiniões dos opinadores encartados que, como não podia deixar de ser, teceram rasgados elogios à táctica do autocarro que fez furor no passado sempre que uma equipa portuguesa ou a própria Selecção defrontavam uma sua congénere estrangeira. Para quem tenha saudades, sugerimos que reveja o Inglaterra-Portugal disputado em Wembley no já longínquo 20 de Novembro de 1974 e atente se nesse jogo não consegue encontrar enormes semelhanças com a actuação da Académica ontem no jogo da Luz. Provavelmente Pedro Emanuel ter-se-á inspirado nessa actuação old style e congeminado uma táctica a preceito, porque para a história ficará sempre que o Benfica alcançou a vitória no penúltimo minuto e através de uma grande penalidade.

A ter sucedido o empate hoje seria dia de lermos crónicas com, por exemplo, o sugestivo título «Académica: Empate justificado pela forma como soube defender-se». Isso, seja qual for o ponto de vista porque se aborde a questão, é prestar um mau serviço ao futebol e incentivar doravante futuras práticas ultra-defensivas pois as estruturas e os treinadores sentir-se-ão motivados para as adoptar dado que essa sua opção será justificada, entendida e desculpada à posteriori por uma boa parte dos cronistas e comentadores desportivos. Até porque, para além das opções clubistas mal disfarçadas, existe sempre a tendência de acudirmos pelos mais fracos...

É inquestionável que o arsenal de armas à disposição das várias equipas é substancialmente diferente. Não são nem podem ser comparáveis os orçamentos e os plantéis do FC Porto e do Benfica com os das outras equipas, em particular com as da segunda metade da tabela (com excepção do Sporting de início de época). Como já temos defendido, os plantéis não ganham por si só campeonatos embora se saiba que ajuda muito... Agora alguns responsáveis servirem-se disso para justificarem insucessos não colhe, pois se essa realidade fosse imperativa, jamais o Benfica e o FC Porto teriam vencido 2 Taças/Ligas dos Campeões e o Sporting uma Taça das Taças.

Era e é o caso da Académica. E a prova que assim é foram as 3 vitórias obtidas na Luz nas últimas 6 temporadas. E já nesta época, nos anteriores 3 jogos disputados com os encarnados. Logo, não se percebe a mudança de agulha do seu treinador. Qualquer adepto de futebol sabe que pelo menos 95% das equipas quando defrontam um dos chamados grandes em sua casa tomam precauções defensivas que serão, porventura, as mais adequadas às circunstâncias. Mas, sempre na expectativa de a qualquer momento, poderem desenvolver contra-ataques conduzidos normalmente por jogadores rápidos. Compreende-se que assim seja e foi isso que a Académica fez ou tentou fazer nos jogos anteriores em que marcou nada mais nada menos do que 5 golos. Nada mau!

O que não se percebeu no jogo de ontem foi o completo alheamento pela baliza do Benfica em que os alas e até o único avançado funcionaram durante 95 minutos como defesas a tempo inteiro nunca abandonando essa disposição ultra-defensiva. E isso não se deveu desde logo à pressão dos jogadores encarnados, mas tão somente a uma opção dogmática do seu treinador que julgou ser essa a forma mais adequada para manter a inviolabilidade da sua baliza. Foi uma decisão legítima mas sem dúvida um crime lesa-futebol. A Académica já tem feito e é capaz de muito mais pelo que, mesmo que nos nos esforcemos não conseguimos entender a escolha de Pedro Emanuel, que bem podia ter evitado a ridícula comparação com o Man. United em Madrid...

Não estamos a insistir neste ponto para sublinhar apenas as dificuldades encontradas pelo Benfica para concretizar a sua superioridade. Porque não foi pelos estudantes terem utilizado a táctica já abandonada do múltiplo ferrolho que impediu que o Benfica tivesse várias e flagrantes oportunidades. Se por exemplo Rodrigo, Lima, Ola John e Melgarejo (para só falar destes) tivessem concretizado as soberanas chances que tiveram à sua mercê, com toda a certeza os comentários seriam completamente o inverso e neste momento estaria a ser dito e escrito que nem a táctica ultra-defensiva da Académica os tinha salvo do desastre. O que prova que essa táctica só resultou devido a um conjunto de factores, desde alguma sorte à inépcia dos jogadores encarnados, o anti-jogo e natural mérito dos estudantes, do perdão de uma grande penalidade no início da segunda parte ao nervosismo encarnado que se instalou, etc, etc. Mas, seja como for, o jogo de ontem deve constituir um alerta para a estrutura encarnada, atendendo a que vai haver por certo repetições...






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