Ponto Vermelho
Analogias sem sentido
20 de Fevereiro de 2013
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O Benfica-Académica continua ainda a dar que falar uma vez que alguns fabricantes de opinião do alto da sua inesgotável teoria insistem em considerar a opção ultra-defensiva e o anti-jogo dos estudantes como um facto normalíssimo e ajustado às circunstâncias, sendo de inteira responsabilidade dos encarnados a dificuldade de desmontagem do sistema utilizado. É evidente que quer seja a Académica ou outro clube, todo o direito lhe assiste de utilizar a táctica que o seu responsável técnico considere a mais propícia de vir a ter êxito na Luz, no Dragão, ou noutro sítio qualquer.

Isso nunca esteve em causa e os reparos e críticas formuladas do lado encarnado parecem não ter sido bem entendidas nalguns casos, enquanto que noutros a tentativa é evidente: desvirtuar o real sentido das coisas. Dissemo-lo e vamos repeti-lo, que o Benfica teve responsabilidades por só no último minuto ter alterado a marcha do marcador a seu favor. Porque, para além de outros aspectos, tiveram chances flagrantes e não as concretizaram, e isso deu oxigénio aos estudantes para se sentirem incentivados em prosseguir numa táctica exclusivamente defensiva que já não se usava em termos tão deliberados. Foi portanto um súbito e surpreendente regresso ao passado e Pedro Emanuel lá saberá o porquê.

Como vimos algumas opiniões a teorizar um objectivo contraditório e com o objectivo de dismistificar tão sublimes dissertações, que de facto uma equipa, seja ela qual for, por ter menos potencial que o adversário ou por pressão deste pode ser empurrada e ter de se refugiar na sua zona defensiva e de lá ter uma enorme dificuldade em sair. Isso acontece por exemplo com quase todas as equipas que defrontam o Barcelona ou aconteceu ontem no Dragão com o Málaga. Mas não foi nada disso que aconteceu no Domingo com a Académica que optou de forma deliberada e sistemática por só defender e praticar o anti-jogo sem se preocupar sequer com a baliza adversária. Não foi apenas num determinado período do jogo mas durante os 95 minutos que durou o encontro.

Essa táctica sendo legítima, não deixa de ser altamente criticável, porque nos anteriores encontros com o Benfica na Luz, os estudantes ainda que com bastantes cuidados defensivos perfeitamente compreensíveis, nunca tinham deixado de atacar e procurar o golo na baliza encarnada e por isso venceram metade dos encontros e no recente encontro da Taça da Liga ainda que perdendo, conseguiram marcar por duas vezes. Esta é que é a questão de fundo que não pode nem deve ser escamoteada e muito menos branqueada pelos opinadores, tendo em conta a realidade que passou diante dos seus olhos. Insistimos que tácticas dessas estão ultrapassadas e já não se usam e, a serem praticadas, têm que ser vistas como um facto anti-futebol. Por alguma razão existem duas balizas…

Houve até quem recorresse a analogias com o encontro de ontem entre os portistas e o Málaga tentando desculpar a opção academista. Não nos parece que faça qualquer sentido, porquanto as variáveis e a envolvência não eram comparáveis. Afigurou-se-nos óbvio que em qualquer circunstância os malaguenhos adoptariam sempre precauções defensivas. Mas ressaltou evidente que foi a pressão dos jogadores portistas nas zonas de saída para o ataque em todo o encontro que os empurrou para a defensiva e não a opção declaradamente assumida de só terem a procupação de defender a sua baliza.

Tal, de facto, constituiu uma enorme diferença e que por isso não tem nem pode ter, qualquer comparação com o que ocorreu no jogo de Domingo. Aliás, disputados que foram 9 jogos para o campeonato no anfiteatro do Benfica em que houve algumas equipas que apresentam um potencial similar à Académica e outros que até se situam em patamares inferiores, sendo que todos eles apresentaram precauções defensivas com maior ou menor incidência sem contudo abdicarem de tentar o ataque e procurar alvejar a baliza encarnada. Estamos em crer que, no seguimento de algumas críticas do treinador encarnado sobre essa postura, tem sido a fobia de alguns em tentarem justificar o que toda a gente viu e percebeu que continua a manter o assunto actual e sem que consigam, apesar dos esforços, desmontar uma realidade indiscutível.

Não vale a pena perder mais tempo com este assunto, pois o foco de todos os benfiquistas deverá estar assente no jogo de amanhã que é o mais importante por se tratar do próximo, sem perder de vista o de Domingo com os surpreendentes pacenses. São sessões contínuas com a particularidade de todos os jogos serem importantes e em que qualquer falha poderá revelar-se fatal. A despeito do resultado favorável obtido na Alemanha, o encontro com o Bayer não será, à partida, pêra doce pelo que se espera que a equipa encare com redobrada atenção um adversário difícil mas perfeitamente ao alcance.

P.S. Infelizmente há um aspecto que continua na ordem do dia; apesar das constantes chamadas de atenção, das multas frequentes e cada vez mais pesadas, continua a haver gente que ao total arrepio do clube e da esmagadora maioria dos adeptos, continua em cada desafio a utilizar material pirotécnico, como aliás sucedeu em solo alemão já depois de estar a decorrer um inquérito pela UEFA que não costuma perdoar tais situações. A estrutura encarnada acaba de novo de chamar a atenção para que isso seja evitado, tentando assim minorar as sanções uefeiras que prejudicarão grandemente o clube e por reflexo a sua enorme falange de adeptos que não se revêem nessas atitudes deploráveis. Será pedir muito?






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