Ponto Vermelho
Eleições no Sporting
21 de Fevereiro de 2013
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Depois de a Direcção de Godinho Lopes se ter vindo a arrastar e ter conduzido o Sporting a um estado praticamente vegetativo, foi finalmente decidida a única saída que poderá dar origem a uma clarificação que urge no universo leonino – eleições antecipadas. Com efeito, a situação era totalmente insustentável e o prolongamento da situação deprimente só piorou a hipótese do Sporting tentar a recuperação que cada vez se configura como muito difícil. Mas não impossível do nosso ponto de vista, ainda que sujeita aos humores dos possíveis investidores... admitindo que ainda persistem nas suas intenções.

Muito tem sido sobrelevada a influência da banca e nomeadamente do BESI. Não só porque o seu (ainda) presidente do Conselho Fiscal continua a ser José Maria Ricciardi, como os créditos que são devidos ao Grupo BES e ainda ao Grupo Millenium BCP pela sua participação activa no 'Project Finance' do Sporting e na sustentação leonina, são de molde a que os referidos grupos bancários não queiram enjeitar a possibilidade de evitar o aumento do crédito mal-parado. Até porque não estamos propriamente a falar de trocos.

Manda a realidade dizer que a influência da banca não se esgota apenas no Sporting. Também o Benfica e o FC Porto foram objecto de idêntica intervenção. Mas o facto de José Maria Ricciardi ser simultaneamente presidente do BESI, administrador do BES e Presidente do Conselho Fiscal do Sporting tem um peso completamente diferente. Até porque dos três clubes, é o Sporting que atravessa, de longe, as maiores dificuldades financeiras e desportivas (essencialmente no tocante ao barómetro – a sua equipa de futebol profissional) e quiçá a sua pior fase da sua riquíssima história centenária. E isso, quer queiramos quer não, faz toda a diferença.

Por muito que possa parecer impensável face ao evoluir dos tempos, começamos a ter sérias dúvidas se neste momento, por mais doloroso que possa parecer, existem condições para que num pequeno país como o nosso a atravessar uma crise sem precedentes que tem levado os nossos governantes de ocasião a vender tudo o que está à mão e perante a nossa total dependência do exterior, poderão continuar a coexistir dois grandes clubes a disputar o mesmo espaço. Por um conjunto diversificado de circunstâncias e também muito por erro estratégico de enorme alcance das sucessivas Direcções leoninas, o Sporting viu-se relegado para um plano meramente secundário ao aceitar de bom grado assumir um papel subserviente em relação do FC Porto na luta que este trava contra o Benfica.

Como muitos dos estrategas dessa estratégia suicida foram elementos ligados à banca, as contrapartidas foram os sucessivos financiamentos nos tempos das vacas gordas que mantiveram o Sporting à tona ainda que numa situação irrealista. Tal como aliás, uma boa parte dos cidadãos que agora, ainda que com culpas próprias, estão a sofrer o castigo da flutuação de uma banca que ofereceu tudo e mais alguma coisa (perante o silêncio e a falta de intervenção reguladora do Estado) e que perante as dificuldades de se refinanciarem se apressaram a fechar a torneira, depois de incentivarem por todos os meios ao endividamento.

O estado actual do Sporting é de séria preocupação para todos os adeptos leoninos e para os amantes do desporto em geral que sem atender às opções clubistas, se habituaram a ver no clube leonino um dos baluartes do desporto em Portugal. Não escapa por isso a qualquer olhar minimamente atento de que a banca não só não está isenta da crise do Sporting como tem querido por todos os meios, influenciar o seu rumo e escolher os representantes do clube. Face aos créditos a recuperar compreendem-se as preocupações, mas duvidamos seriamente que os associados leoninos aceitem essa ditadura. Pelos menos enquanto o Sporting for dos sportinguistas o que num futuro não muito longínquo poderá não ser necessariamente assim tão líquido.

Terminado o prazo da apresentação das candidaturas perfilam-se três candidatos. Realce-se que o ainda presidente em exercício resistiu às pressões para não se recandidatar o que revela sem dúvida lucidez que apraz registar por nem sempre ter sido regra nos últimos tempos. Mas como é evidente e perante as suas declarações de que não se candidataria se porventura reconhecesse num dos candidatos o perfil ajustado para vir a presidir aos destinos do Sporting, é de admitir que um dos pretendentes recolherá a sua preferência. Não é difícil imaginar quem será e isso começa desde logo a criar problemas ao próprio que sem demora passará a ter o epíteto de candidato da banca, obrigado a demarcar-se e a recorrer a dissimulações como a de hoje. Nos tempos que correm, para os associados leoninos não será porventura o melhor cartão de visita, tendo em conta que foi precisamente a partir do plano Roquete que se começou a acentuar o declínio do Sporting. Mesmo que alguns tentem esconder o sol com a peneira como ainda hoje faz Barbosa da Cruz... Voltaremos ao tema na convicção de que ao menos a campanha eleitoral sirva para esclarecer e dismistificar certos dogmas que continuam a existir no reino leonino...






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