Ponto Vermelho
Crise? é de desconfiar...
26 de Fevereiro de 2013
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1. À medida que vão diminuindo as jornadas que faltam para o fim do campeonato, todas as nuances vão sendo encetadas pelas diversas estruturas que mesmo que não puxem por elas, logo os solícitos repórteres se encarregam de as provocar. É certo que os treinadores nas suas múltiplas conferências de imprensa, flash interviews e declarações avulsas nem sempre estão motivados para fazê-lo, mas a insistência e a própria vontade de entrar pelo caminho dos jogos florais é demasiado tentadora para que não possa ser aproveitada.

Na conferência de imprensa que antecedeu o último jogo, Jorge Jesus foi questionado sobre a próxima deslocação do FC Porto a Alvalade. Nada de especial se atendermos àquilo que por vezes acontece nesses eventos. O treinador do Benfica não deixou a pergunta em claro e respondeu que os portistas, a contrário do Benfica quando lá se deslocou, iriam encontrar uma equipa diferente sendo que metade era constituída por jogadores oriundos da sua equipa secundária. Isso de facto tem acontecido nos últimos jogos, restando aguardar pelo que acontecerá no próximo sábado. Se Jesualdo Ferreira continuará a apostar nos jogadores das três últimas jornadas, se atacará o clássico com uma mescla de jogadores mais experientes para conferir um maior equilíbrio à pressão destes jogos. Seja como for o FC Porto seria sempre em qualquer circunstância favorito.

2. A forma desinibida como o Paços de Ferreira se apresentou na Luz justificando o estatuto de equipa revelação do campeonato, tem sido palco para que os habituais detractores da equipa encarnada continuem a debitar comparações com o mesmo adversário sempre que defronta o FC Porto e o Benfica. Na sua linha orientadora de colar no adversário o que se passou com o seu próprio clube, alguns portistas como Miguel Sousa Tavares (MST) na sua tradicional e gasta versão doméstica, apontam que os pacenses teriam aberta alas aos encarnados para um passeio à beira-Tejo. Terá sido um oportuno reviver das emoções (ou falta delas) quando justamente o mesmo brioso adversário visitou o Dragão e que algumas crónicas referiram «... como uma sombra do Paços do costume…». Bem adiante…

A postura dos pacenses revelou que a equipa tem uma identidade própria e faz sempre questão de o provar. A menos que o adversário seja mais poderoso e o demonstre em campo. Precisamente o contrário da Académica cuja táctica ultradefensiva tantas críticas (plenamente justificadas) mereceu na sua deslocação à Luz. Porque ao contrário do que não fez, é capaz de muito mais conforme já o demonstrou por várias vezes. De novo surge a comparação de MST e mais uma vez ficou demonstrado que a táctica estava bem estudada para roubar um ponto aos encarnados, ao contrário do que sucedeu no anfiteatro do Dragão conforme aliás é referido pelo articulista.

3. Curiosas são as explicações para o valente susto do FC Porto com o Rio Ave. Se um dos argumentos é válido e aceitável (o cansaço de jogadores nucleares fruto de um jogo intenso efectuado três dias antes), o segundo jogo não ter sido adiado para Domingo ou Segunda é no mínimo estranha – «a suposição da expectativa do jogo para a Taça da Liga, marcado para o meio da semana mas entretanto adiado…». Compraz-nos, em primeiro lugar verificar com satisfação, a evolução na linguagem do proeminente portista pois escreveu ‘Taça da Liga’ e não Taça Lucílio Baptista ou Taça da Cerveja. Em segundo, porque tendo os recursos efeitos suspensivos não seria crível uma decisão-recorde do CJ. Até porque um dos maiores méritos da estrutura pintista é saber das decisões em 1ª mão…

4. A recente decisão do CJ sobre a questão do Boavista está a ser aproveitada pelos pintistas (e MST não foge à regra) para, por um lado atacar de novo o justiceiro e, por outro, provar que era tudo uma cabala para travar os anos de conquista do FC Porto que, descodificando, significa, os anos ‘em que o FC Porto e o Sistema dominaram a seu bel-prazer todos os tabuleiros’ naquilo que o então Presidente da AF Porto, Adriano Pinto no auge da euforia designou pelos bem conhecidos xitos.

Poderão os pintistas continuar adam eternum com essa propaganda caseira que, tal como a de Calabote, não terá a mínima chance de sobreviver. Infelizmente para eles, foram milhões as pessoas que ouviram e leram as transcrições contidas no processo Apito Dourado na primeira pessoa, as quais não deixam margem para dúvidas de qualquer espécie acerca da corrupção existente e que beneficiou de uma forma clara e inequívoca, o FC Porto, o Boavista e todo o conjunto de afilhados do Sistema. A justiça foi desvirtuada porque devia ter sido equitativa e não foi pois só o mais desprotegido Boavista foi atingido em cheio, enquanto os portistas acabaram por sair quase incólumes como aliás tem sucedido em todos os processos em que têm estado envolvidos…

Se virmos a questão sob esse prisma, apenas os boavisteiros tiveram azar e sempre tiveram razão para se interrogarem do – Porquê só nós? – , pelo que a decisão agora tomada repõe em pé de igualdade os intervenientes (as consequências é que são e serão muito mais complexas). Vários especialistas nestes meandros têm aludido à intrincada complexidade jurídica destes processos. Não vamos entrar por esse domínio por razões óbvias, mas existe um conjunto de aspectos que até o cidadão comum entende perfeitamente. É que em todos estes processos que envolveram pessoas e clubes e em particular o FC Porto, o Boavista e outros, as partes nunca desmentiram os factos que lhe eram imputados. Os recursos foram decididos a seu favor apenas e só por questões de mera natureza processual, uma prática infelizmente muito comum nesta pátria lusa…




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