Ponto Vermelho
Salvações...
27 de Fevereiro de 2013
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Em mais uma fase do percurso da maratona que a equipa do Benfica tem vindo a percorrer com especial incidência desde o início do ano, hoje teremos mais uma etapa com grau de dificuldade elevado na cidade dos Arcebispos com o SC Braga. Com o calendário a ser pouco simpático e generoso com os encarnados, não resta a estes alternativa senão enfrentar as dificuldades sempre com espírito positivo e indómita vontade de superá-las. Não deve existir aliás outro caminho válido, sabendo-se de antemão os escolhos acrescidos que o Benfica, como se perspectiva, terá pela frente.

Nos últimos tempos, derivado da alteração legislativa sobre policiamento que alguns continuam a defender incompreensivelmente que se trata de uma lei exemplar e que a culpa é única e exclusivamente dos clubes e dos seus dirigentes, têm vindo a ser sido noticiados variadíssimos casos de violência desenvolvida por alegados adeptos dos clubes e também por atletas com agressões a equipas de arbitragem. É a materialização dos sintomas que todos (!!!) temos vindo a detectar numa sociedade cada vez mais nervosa, impaciente, e sem referências que se vão esvaindo com o avanço dos tempos de crise.

Também nas pretéritas temporadas coincidindo com a progressão acentuada do SC Braga a patamares nunca dantes atingidos e com a sua opção estratégica de aproximação ao eixo Sistema-FC Porto, temos vindo a notar uma crescente hostilização ao Benfica, com o aparecimento de minorias radicais de adeptos que se comportam dentro do mesmo esquema que é potenciado no Dragão. E, pior do que isso, a estrutura bracarense não só não se tem demarcado dessas acções condenáveis, como moralmente as tem incentivado ao assumir ela própria atitudes que não abonam nada o clube que tem vindo a trilhar vários patamares com o sucesso que todos lhe reconhecemos.

No entanto, é justo sublinhar que no último jogo disputado em Braga entre os dois emblemas houve uma inversão de atitudes e comportamentos, dado que a partida decorreu sobre o signo da tranquilidade não tendo sido observados incidentes de qualquer espécie, o que se saúda por ter havido a tão desejada normalidade por que todos devemos pugnar em todos os estádios sejam quais forem os clubes envolvidos, sem prejuízo de cada massa associativa e adeptos apoiarem o seu emblema preferido. Isso veio provar que é possível viver e exprimir a rivalidade sem ultrapassar as regras da normal convivência entre clubes por maior rivalidade que entre eles exista.

Mas de repente e vamos considerar que se tratou apenas de coincidências infelizes, ocorreram incidentes com a visita do Paços de Ferreira e na visita ao arqui-rival Vitória de Guimarães, em que adeptos bracarenses estiveram envolvidos directa e indirectamente. Não é caso como sabemos caso virgem e seria de todo despropositado e até injusto, estar a atribuir-lhes o ónus da despesa. Noutros lugares, com outras minorias, a tendência é rigorosamente a mesma, pelo que dá para observar que a transversalidade do problema já deveria ter obrigado as entidades competentes e nomeadamente o Governo a agir com mão pesada, de forma a evitar o alastramento da crise que se poderá transformar numa bola de neve. Com prejuízo de todos.

Como repetidamente temos afirmado o problema é muito mais vasto do que querem fazer crer, e hesitar e protelar decisões só o agrava e torna mais difícil de resolver. Estando identificado, não se percebe a razão porque nada acontece a não ser aquilo que temos visto – muito pouco. E depois do que se tem passado nos últimos tempos em particular em Guimarães, o assunto não pode nem deve ser encerrado apenas com a suspensão do Estádio do Vitória SC e umas multazecas, para que não tenhamos que voltar a falar do mesmo em qualquer outro lugar. E para não agravar a imagem de rebaldaria que o Mundo tem de nós, a começar pelas entidades que regem o futebol europeu e mundial.

Posto isto e na esperança que o jogo de logo à noite se paute pela maior correcção dentro e fora do campo (e para isso têm contribuído os dirigentes e as respectivas estruturas), será um lugar-comum afirmar que será um jogo muito difícil para o Benfica atendendo a que o SC Braga, para além de ter um boa equipa conforme já demonstrou, irá disputar um jogo em que está em equação a possibilidade de vir a lutar por alcançar o único título da época. Para além disso, acresce a hipótese de tentar a legítima desforra da derrota sofrida para o campeonato o que fará com que o seu empenho seja ainda maior. E isso poderá sem dúvida fazer acrescer dificuldades ao Benfica.

De vários pontos têm chegado diversas acções de solidariedade ao SC Braga. Numa acção com o intuito evidente de moralizar as tropas, variadas correntes de opinião têm feito chegar sinais de que este jogo deve ser encarado pelos bracarenses como sendo o último das suas vidas o que afinal se compreende por serem estas as regras do jogo. Até porque uma eventual vitória do SC Braga poderia vir a ter repercussões importantes no futuro psicológico dos jogadores e na estrutura do Benfica, para além de abrir caminho a uma possível reedição da final da Liga Europa de há duas épocas atrás. Seja como for, perspectivamos um Benfica capaz de ultrapassar as dificuldades com a expectativa de que o jogo venha a ser bem disputado, com excelente arbitragem, e a decorrer sem quaisquer incidentes dentro e fora do campo. Será porventura pedir demasiado?




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